O que é condicionamento operante ou instrumental?

· janeiro 26, 2019
O condicionamento operante é um método de aprendizagem que utiliza o reforço ou a punição para aumentar ou diminuir a probabilidade de que um comportamento volte a ocorrer no futuro.

O condicionamento operante, também chamado de condicionamento instrumental, é um método de aprendizagem que faz uso da associação de reforços (recompensas) e punições com um determinado comportamento ou padrão de comportamento. Através do condicionamento operante, faz-se uma associação entre um comportamento e uma consequência desse comportamento.

O condicionamento operante foi descrito pela primeira vez pelo psicólogo comportamental Burrhus Frederic Skinner como um método de aprendizagem para aumentar ou diminuir a probabilidade de que um comportamento volte a ocorrer no futuro.

O condicionamento operante é baseado em uma premissa simples: as ações seguidas pelo reforço tenderão a se repetir. Por outro lado, as ações que resultarem em punições ou consequências indesejáveis enfraquecerão e serão menos prováveis de ocorrer novamente no futuro.

Um exemplo: quando um rato de laboratório pressiona um botão azul, ele recebe uma bola de comida como recompensa, mas quando aperta o botão vermelho, recebe um leve choque elétrico. Como resultado, ele aprende a apertar o botão azul, mas evita o botão vermelho.

O condicionamento operante não é só algo que ocorre em ambientes experimentais enquanto se treina animais de laboratório. Ele também desempenha um papel poderoso na aprendizagem diária. O reforço e a punição acontecem quase todos os dias em ambientes naturais, bem como em ambientes mais estruturados.

Condicionamento operante

Skinner e o condicionamento operante

Skinner utilizou o termo “operante” para se referir a qualquer “comportamento ativo que opera no ambiente para gerar consequências”. Em outras palavras, a teoria de Skinner busca explicar como adquirimos uma boa parte da gama de comportamentos que exibimos todos os dias.

Skinner acreditava que não era realmente necessário observar os pensamentos e as motivações internas para explicar o comportamento. Em vez disso, ele sugeriu que deveríamos olhar somente para as causas externas e observáveis do comportamento humano.

A teoria do comportamento operante de Skinner foi muito influenciada pelo trabalho do psicólogo Edward Thorndike. Thorndike propôs o que chamou de “lei do efeito”. Segundo este princípio, é mais provável que se repitam as ações seguidas por resultados desejáveis, enquanto as seguidas por resultados indesejáveis têm uma probabilidade menor de se repetirem.

Tipos de comportamento, segundo Skinner

Skinner distinguiu entre dois tipos diferentes de comportamento: as respostas instintivas e os comportamentos operantes.

  • Os comportamentos instintivos são aqueles que ocorrem de forma automática e reflexiva, como retirar a mão de um fogão quente ou mexer a perna quando o médico bate no joelho. Não é necessário aprender esses comportamentos, eles simplesmente acontecem de forma automática e involuntária.
  • Os comportamentos operantes são aqueles que estão sob o nosso controle consciente. Alguns podem ocorrer de maneira espontânea e outros de forma proposital, mas são as consequências dessas ações que influenciam se elas ocorrerão ou não no futuro. Nossas ações sobre o ambiente e as consequências dessas ações são uma parte importante do processo de aprendizagem.

Embora o condicionamento clássico pudesse explicar os comportamentos das pessoas envolvidas no estudo, Skinner percebeu que não podia explicar tudo o que aprendemos. Assim, ele sugeriu que o condicionamento operante tinha uma importância na hora de explicar a nossa maneira de proceder: os seres humanos, como norma geral, tendem a repetir aquelas ações que resultaram em sucesso.

Burrhus Frederic Skinner

Reforço e punição

A promessa ou possibilidade de recompensa provoca um aumento na frequência ou intensidade do comportamento que “pensamos” (porque já ocorreu no passado) que nos levará a obtê-lo. No entanto, o condicionamento operante também pode ser realizado para diminuir um comportamento. A eliminação de um resultado desejável ou a aplicação de uma consequência negativa pode ser usada para diminuir ou prevenir comportamentos indesejáveis.

Neste sentido, Skinner identificou dois aspectos-chave do processo de condicionamento operante: o reforço e a punição. O reforço serve para aumentar o comportamento, enquanto a punição serve para diminui-lo. Além disso, descobrimos que o reforço variável pode ser muito melhor do que o reforço constante, já que o comportamento adquirido se torna mais resistente à extinção.

Ele identificou ainda dois tipos diferentes de reforço e dois tipos diferentes de punição.

  • O reforço positivo implica apresentar um resultado favorável, enquanto o reforço negativo implica a eliminação de um estímulo desagradável. Em ambos os casos, o reforço faz com que a frequência ou a intensidade do comportamento aumente.
  • A punição positiva significa aplicar um evento desagradável depois de um comportamento, enquanto a punição negativa implica remover algo agradável depois da ocorrência de um comportamento. Em ambos os casos de punição, o comportamento diminui (tende a se extinguir).
Pai brigando com sua filha

O condicionamento operante na atualidade

Embora o behaviorismo possa ter perdido grande parte do protagonismo que tinha durante a primeira parte do século XIX, o condicionamento operante continua sendo uma ferramenta importante e utilizada com frequência nos processos de formação do comportamento. Na verdade, muitos pais a utilizam sem ter consciência da teoria que há por trás.

Assim, o condicionamento operante é uma forma de gerar associações – com incidência no comportamento – que podemos reconhecer com facilidade em nossa vida diária, tanto na educação que recebemos quanto na que oferecemos aos nossos filhos ou no treinamento que usamos com nossos animais de estimação, por exemplo.

A publicidade e as ações de marketing também empregam o condicionamento operante em suas estratégias para vender produtos e serviços aos consumidores.

  • Burgos, J. (2014). Historia de la psicología. Madrid: Palabra.
  • Caballo, V. (2015). Manual de técnicas de terapia y modificación de conducta. Madrid: Siglo XXI de España.
  • Commons, M., Staddon, J., & Grossberg, S. (1991). Neural network models of conditioning and action. Hillsdale: Lawrence Erlbaum Associates.