O que é a confiança social?

· fevereiro 26, 2019

No contexto social, a confiança em si mesmo é um tesouro muito apreciado. Nesse sentido, há muita informação, e de boa qualidade, sobre como aumentar a autoestima para ter um maior crescimento pessoal. Além da confiança que temos (ou não temos) em nós, existe também a confiança social, que não é menos importante mas que sempre recebeu bem menos atenção. Desse modo, o volume de literatura dedicada a ela é significativamente menor.

Por que a confiança social é tão importante? Em primeiro lugar, porque influencia muito o modo como nos comportamos no meio social. Faz com que fiquemos mais ousados, abertos e com que busquemos mais oportunidades.

Não podemos esquecer que somos animais sociais, parte de um ambiente que pode nos tornar mais fortes ou mais fracos. Nesse sentido, ter uma boa confiança social ajudará a evitar problemas como a ansiedade social, o medo do desconhecido ou os ciúmes nas relações amorosas.

A confiança social e a fobia social

A fobia social parte de uma sensação de entender o contato social como uma potencial ameaça. Isso pode ocorrer devido a algum episódio do passado, que faz com que se desenvolva dentro de nós uma desconfiança em relação aos demais.

Geralmente, a fobia social atua como um escudo para evitar possíveis situações de perigo produzidas ou geradas graças ao contato com os demais.

Além disso, esse medo pode ser estendido a muitas situações, dando lugar a um temor generalizado e a uma incapacidade de se comportar de forma natural na hora de se relacionar com outras pessoas. Isso pode acontecer com amigos, familiares ou pessoas desconhecidas.

Esse medo das relações sociais nos impede de ter uma vida social enriquecedora, por isso devemos aprender a usar a confiança social como ponto de apoio para conseguir superar o medo.

Menina aflita sentindo ansiedade

O que costuma acontecer na fobia social

Para ilustrar mais precisamente o transtorno da fobia social, listamos a seguir alguns dos sintomas que as pessoas que sofrem desse problema sentem:

  • Medo de ser o foco da atenção de alguém
  • Sensação constante de que todo mundo está nos observando e nos julgando em silêncio
  • Medo de que alguém nos apresente em alguma conversa
  • Medo de falar em público, inclusive em grupos pequenos de amigos
  • Medo de comer diante de outras pessoas
  • Encarregar-se de tarefas importantes em uma reunião ou na organização de qualquer evento para não ter tempo de interagir
  • Medo de intervir em uma conversa por pensar que nossas ideias e argumentos possam parecer ridículos
  • Medos dos espaços pequenos e fechados nos quais há muita gente
  • Necessidade constante de pensar muito e repetidamente em tudo aquilo que vamos dizer
  • Pensamentos autocríticos recorrentes

Definitivamente, todos esses aspectos da fobia social dão lugar a diferentes estratégias para evitar o contato prolongado com outras pessoas. Além disso, todos os sintomas listados acima fazem com que a fobia cresça ainda mais. Por exemplo, subir as escadas para evitar entrar com alguém no elevador fará com que esse medo só aumente – além de reforçar o comportamento de evitação.

Estratégias para aumentar a nossa confiança social

Como comentamos há pouco, a confiança social será a ferramenta adequada com a qual poderemos combater a fobia social. Além disso, permitirá que nós estabeleçamos relações mais saudáveis e fará com que seja possível desfrutar da nossa vida social.

Por isso, compartilhamos a seguir algumas técnicas que permitem cultivar e reforçar essa interessante qualidade:

  • Preocupar-se em saber mais sobre os nossos amigos e familiares
  • Mostrar-nos da forma como somos, com nossa própria personalidade e baixando o nível de preocupação sobre o que os outros podem estar pensando a nosso respeito
  • Defender nossas próprias ideias e opiniões
  • Pesquisar sobre as tendências atuais, como a música, a arte, o esporte ou a moda. Isso nos permitirá romper o silêncio que surge em alguns casos e que é tão temido quando a nossa confiança social é baixa
  • Comprometer-se com atividades diferentes entre si, como reuniões e eventos da nossa comunidade, festas de trabalho e encontros de amigos da escola
  • Olhar nos olhos dos interlocutores na hora de falar em público. Além disso, devemos falar de uma forma tranquila e pausada, tomando todo o tempo que precisarmos, especialmente se se trata de uma conversa informal entre amigos
  • Quando tivermos que enfrentar uma apresentação em público, ensaiar tanto quanto for necessário. Um bom conselho nesse sentido pode ser gravar um vídeo para ver o que podemos melhorar e analisarmos se estamos falando de uma forma muito rápida ou pouco clara
Grupo de amigos em paisagem bonita

Com essas estratégias poderemos melhorar, pouco a pouco, nossa confiança social. Desse modo, os diferentes aspectos relacionados com a fobia social irão diminuindo, deixando-nos livres para tirar proveito de uma vida social mais ativa e saudável, na qual poderemos mostrar nossa verdadeira personalidade.

  • Miller, S. R., & Coll, E. (2007). From social withdrawal to social confidence: Evidence for possible pathways. Current Psychology26(2), 86.
  • Rapee, R. M., & Heimberg, R. G. (1997). A cognitive-behavioral model of anxiety in social phobia. Behaviour research and therapy35(8), 741-756.