Como controlar os pensamentos hipocondríacos?

10 Novembro, 2020
Medo constante e obsessivo de contrair vírus ou doenças graves como o câncer... Como podemos controlar o pensamento hipocondríaco? Existem estratégias básicas que todos nós podemos colocar em prática.

É possível controlar os pensamentos hipocondríacos? Como posso reduzir essa obsessão contínua de estar ciente das sensações do meu corpo? Uma dor de garganta que pode ser sintoma de uma infecção mais grave, aquela dor no abdômen que pode virar algo que me obrigue a fazer uma cirurgia… Tem muita gente que gostaria de acalmar a sua mente diante dessas condições.

O atual Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V) eliminou em 2013 o termo hipocondria como um transtorno, para substituí-lo por dois novos: transtorno de sintomas somáticos e transtorno de ansiedade por doença. No entanto, em nossa vida cotidiana, um hipocondríaco ainda é definido como alguém que está convencido de que tem uma doença grave não diagnosticada, apesar das repetidas garantias médicas de que este não é o caso.

É importante ressaltar este fato: o impacto na qualidade de vida de quem sofre desse transtorno de ansiedade pode ser sério. No pior dos casos, uma parte desses pacientes pode mergulhar nas profundezas da depressão. Eles o fazem quando são dominados por medos irracionais difíceis de controlar, causados ​​pelo autodiagnóstico e pela ansiedade em relação ao desconhecido.

Medo de sofrer de câncer, medo de contrair um vírus, pânico de contrair aquela doença que um parente teve… O universo pessoal em que a pessoa está presa com esse quadro clínico pode ser muito angustiante. Ter estratégias para lidar com esses tipos de pensamentos pode ser de grande ajuda.

Mente hipocondríaca

Como controlar os pensamentos hipocondríacos? Conselhos e estratégias

Quando uma pessoa vai à terapia e expõe as suas fobias, fala sobre a sua ansiedade em relação aos germes, o seu medo de sair de casa e contrair um vírus ou sofrer de certas doenças incuráveis, várias coisas acontecem.

A primeira é que elas estão totalmente cientes de que muitas dessas ideias são irracionais, mas ainda assim, não conseguem controlá-las. Elas não podem exercer um controle lógico sobre os seus próprios medos.

Da mesma forma, surge outra dimensão, que é a vergonha, além de um sentimento de contradição e raiva por não entender por que fazem o que fazem e sentem o que sentem.

A ansiedade por doença ou distúrbio de sintomas somáticos gera uma grande exaustão em todos os níveis. As pessoas se sentem desconfortáveis consigo mesmas, têm problemas em suas relações sociais, pois se sentem negligenciadas, e muitas vezes acreditam que o sistema de saúde não as atende como deveria. Tudo isso desperta o desespero e, com isso, retroalimenta a ansiedade básica.

Portanto, quando se trata de entender como controlar os pensamentos hipocondríacos, devemos perceber um aspecto. Estudos como os realizados na Universidade de Valência por Gemma García e Amparo Benlloch enfatizam a importância de focar nas ideias intrusivas e crenças disfuncionais para tratar este transtorno.

Vejamos algumas chaves.

Entenda o que é hipocondria: o que você sente é ansiedade

A hipocondria não é uma doença, o que está por trás dela não é apenas o medo de contrair determinadas doenças. Se quisermos controlar os pensamentos hipocondríacos, é necessário saber o que motiva essa condição. Portanto, devemos ter em mente que o que sofremos, na verdade, é um transtorno de ansiedade.

Defina, compreenda, racionalize e lembre-se de que a sua angústia é fruto das suas emoções e de uma mente que antecipa coisas que não são verdadeiras.

Não são doenças: são sensações corporais resultantes de estresse e ansiedade

É verdade que o seu corpo experimenta sensações infinitas. Também é verdade que você sofre de dores de cabeça, garganta inflamada, pressão no peito… Mas não se assuste, a ansiedade e o estresse apresentam uma sintomatologia tão ampla quanto limitante. Cada vez que sentir uma nova sensação ou desconforto, não procure a possível causa na Internet.

Lembre-se de qual é a verdadeira causa: os seus pensamentos, a sua ansiedade. Portanto, não tenha medo do que seu corpo sente… Aprenda a aceitá-los sem se preocupar com eles e perceberá que isso reduz o seu sofrimento.

O que está por trás de um pensamento é uma emoção: entenda e se acalme

“É difícil engolir, acho que a minha garganta está inchada. Será uma infecção? Pode ser câncer?” Para controlar os pensamentos hipocondríacos, é essencial que você compreenda um aspecto. Por trás dessas crenças sobre o que acontece, há uma série de emoções que orquestram o fato de termos um tipo de pensamento e não outros.

Medo, insegurança, angústia, tristeza, frustração… Muitas dessas realidades emocionais se aderem à mente, alterando o que pensamos. Dessa forma, sempre que vier um pensamento sobre o que podemos estar sofrendo, é melhor parar. Mais tarde, tentaremos esclarecer qual emoção vive dentro de nós, vamos nomeá-la e trabalhá-la.

Por que sinto essa insegurança? O que posso fazer para reduzir a sua presença? 

Aceite o medo, mas não o alimente, não o torne maior

Você tem medo de contrair alguma doença? Tem medo de desenvolver um câncer? Sofrer uma doença crônica lhe causa angústia? Todos esses são medos normais e compreensíveis. Todos nós os temos. O medo é uma emoção normal que tem um propósito específico: se algo o assusta, aja, mas faça-o com racionalidade, cuidando de si mesmo, levando uma vida saudável.

Agora, a última coisa que devemos fazer é alimentá-lo, torná-lo excessivo e deixá-lo tomar conta da nossa mente. Alimentar ideias assustadoras apenas aumentará a ansiedade e o medo da doença.

Homem preocupado

Recompense-se depois de controlar os pensamentos hipocondríacos

Você acorda de manhã e sente tonturas. Será que estou doente? Qual é a causa desse desconforto?  A primeira coisa que fazemos é uma pesquisa na Internet. Bom, para controlar os pensamentos hipocondríacos, devemos aplicar pequenas estratégias diárias.

Por exemplo, se eu me sentir atordoado, posso me sentar, esperar que passe e lembrar (racionalmente) que este é um sintoma da minha ansiedade. Vou fazer algo que me permita sentir melhor: dar um passeio, tomar um banho, relaxar com um livro… Com isso, evito alimentar o medo entrando na Internet. Isso, por si só, já é uma coisa muito boa, um grande passo e, portanto, devo me recompensar porque reagi bem.

Para finalizar, cabe destacar que, às vezes, mesmo colocando em prática essas estratégias, não alcançamos os resultados esperados. Ao nosso dispor, podemos contar com o auxílio de profissionais e técnicas de reestruturação cognitiva adequadas para a obtenção de melhorias. Vamos manter isso em mente.

  • Arnáez, S., García-Soriano, G., López-Santiago, J., & Belloch, A. (2019). Dysfunctional beliefs as mediators between illness-related intrusive thoughts and health anxiety symptoms. Behavioural and Cognitive Psychotherapy. https://doi.org/10.1017/S1352465819000535