Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe - A Mente é Maravilhosa

Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe

julho 28, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe

Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe, ou TPL, é algo muito difícil tanto para quem sofre com ele quanto para a família que o cerca. 

Trata-se de um transtorno psicológico raro, pois é detectado em aproximadamente 2% da população e geralmente é diagnosticado após os 20-25 anos de idade. No entanto, os sintomas do TPL existem desde o início do desenvolvimento da personalidade, por volta dos 12-13 anos.

Embora seja um distúrbio raro, foi investigado em profundidade devido às dificuldades e problemas cotidianos que surgem ao conviver com o transtorno de personalidade limítrofe. Como é um transtorno caracterizado pela impulsividade, por um grande medo do abandono e pela falta de regulação emocional, podemos entender que é um problema que acarreta diferentes inconvenientes quando se trata de levar uma vida “normal”.

Por tudo isso, neste artigo queremos ilustrar como é conviver com o transtorno de personalidade limítrofe e o que pode ser feito quando você o tem. Os pontos desenvolvidos neste texto baseiam-se em diferentes testemunhos de pessoas que têm TPL, e os conselhos são inspirados no manual da Dra. Marsha M. Linehan, especialista mundial no tema.

Dra. Marsha M. Linehan

Os problemas da impulsividade

Em primeiro lugar, o TPL possui um alto nível de impulsividade que varia em função do humor da pessoa e das situações que ela está vivendo. Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe envolve viver com uma tendência de ter comportamentos impulsivos que levam a pessoa a tomar decisões e realizar ações das quais logo se arrepende. Nas palavras de uma pessoa com TPL: “É como viver com um balão que pode explodir a qualquer momento nas mãos”.

Da mesma forma, a impulsividade no TPL é sentida em vários aspectos da vida de quem sofre. Por exemplo, nas relações interpessoais, podem ser tomadas decisões muito precipitadas em função do que se sente no momento. Por outro lado, no âmbito de trabalho ou profissional, conviver com o transtorno de personalidade limítrofe pode implicar mudar constantemente de emprego sem saber muito bem por que você não fica satisfeito com nenhuma posição. Além disso, tudo isso envolve uma constante instabilidade que também prejudica a regulação emocional.

“Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe envolve viver com uma tendência de ter comportamentos impulsivos que levam a pessoa a tomar decisões de maneira apressada e a realizar ações das quais logo se arrepende”.
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Nesse sentido, as pessoas com TPL devem adquirir estratégias e habilidades cognitivas e comportamentais para gerenciar a impulsividade. Além disso, é fundamental que as pessoas com TPL saibam utilizar afirmações positivas e flexíveis ao avaliar as situações da vida cotidiana e as experiências que possuem.

A insegurança causada pelo medo do abandono

Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe, muitas vezes, é igual a “não poder desfrutar as relações por sempre ter medo de que a pessoa que tanto ama se vá”, segundo um paciente de 37 anos com diagnóstico de TPL desde os 19 anos. Assim, podemos entender que o TPL é caracterizado por um importante medo de abandono. Ele faz com que a pessoa se concentre tanto na relação, que perde de vista os aspectos positivos dela, como resultado do medo antecipatório de um possível abandono.

Por outro lado, o medo de abandono não precisa ser verbalmente declarado, isto é, a pessoa com TPL não precisa dizer ao seu parceiro, amigo ou parente “tenho medo de que você me abandone”. O que geralmente acontece é que o medo do abandono é manifestado, sobretudo, a nível de ciúmes, buscando o controle do outro, não querendo realizar atividades individuais ou estar sozinho. A terapia para o TPL também ajuda a administrar o medo do abandono e a erradicar os comportamentos ciumentos e controladores.

Embora seja verdade que as pessoas com TPL tiveram experiências de abandono a nível familiar ou sentimental, o problema é que elas não conseguem superar esses abandonos e generalizam essa experiência para quase todas as áreas de sua vida pessoal. Portanto, a terapia de pessoas com TPL aborda a importância de curar as feridas do passado e usa diferentes técnicas para superar esse medo.

Pessoa com transtorno de personalidade limítrofe

A montanha-russa das emoções ao conviver com o transtorno de personalidade limítrofe

O TPL possui, como um dos principais sintomas e um dos mais característicos, uma dificuldade para regular as próprias emoções. Nesse sentido, as pessoas com TPL enfrentam diariamente uma quantidade de emoções intensas e, muitas vezes, desproporcionais em relação à situação que estão vivendo. Por isso, “conviver com o transtorno de personalidade limítrofe é viver muito intensamente, para o bem e para o mal”.

Temos que entender que os problemas na regulação das emoções se originam na infância, quando a criança vê seus sentimentos invalidados e recebe a mensagem de que o que sente não é importante ou correto. Ela não adquire a capacidade de identificar as emoções ou saber como suavizá-las, e isso faz com que na vida adulta ter TPL seja igual a “sentir muitas emoções que você não entende, e todas elas ocorrem ao mesmo tempo”.

“Conviver com o transtorno de personalidade limítrofe é viver muito intensamente, para o bem e para o mal”.
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As pessoas com TPL sentem o melhor e o pior do mundo das emoções por terem dificuldade de ajustar sua resposta emocional e possuírem um repertório limitado de emoções, sendo todas muito intensas. Este é um dos motivos pelos quais muitas sessões de terapia para o TPL são dedicadas às habilidades de regulação emocional. Para isso, trabalha-se a identificação de emoções e técnicas para suavizá-las, como por exemplo, relaxamento, intenção paradoxal, técnicas de distração e mindfulness.

Finalmente, é importante destacar que conviver com o transtorno de personalidade limítrofe requer muita paciência e empatia com os outros. Afinal, como em todos os transtornos de personalidade, os que cercam o paciente também são afetados.

Se você tem TPL, lembre-se de que as pessoas que mais o amam podem sentir que não sabem o que fazer ou como ajudá-lo em muitos casos. O recomendável é ir a um profissional especializado para que ele possa orientá-lo.

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