Crianças assertivas, crianças felizes

julho 11, 2019
Felicidade não é ter muitos brinquedos ou receber um "sim" para cada pedido. A felicidade vem com a satisfação, a autoestima e um bom autoconceito. É por isso que as crianças assertivas são mais confiantes, alegres e capazes de se relacionar de maneira mais competente.

As crianças assertivas são crianças mais felizes. Elas aprendem a comunicar seus desejos e se tornam pessoas capazes de estabelecer limites, melhorando assim seu desempenho social.

No entanto, tendo uma facilidade maior ou menor, essa competência não vem de “fábrica”; somos nós que podemos/devemos ajudar as crianças a desenvolver essa habilidade.

Poderíamos dizer, quase sem nos equivocarmos que, às vezes negligenciamos o que as crianças realmente precisam.

Definimos objetivos como encontrar a melhor escola, matriculá-las em aulas de inglês, contratar professores particulares nas disciplinas em que não vão bem, nos preocupamos com o tipo de amizade que elas têm e com aspectos como regular o uso de dispositivos eletrônicos.

Tudo isso é muito bom. Mas e quanto às suas competências emocionais? E às suas habilidades sociais? Às vezes, partimos do princípio de que dimensões como a autoestima, a assertividade e até o autoconceito já vêm em seu código genético e vão se formando gradualmente conforme elas crescem.

Não nos equivoquemos. Essas dimensões devem ser nutridas diariamente, atendidas e guiadas de forma delicada, intuitiva e firme para que as crianças adquiram habilidades nos âmbitos básicos da vida, felicidade e bem-estar psicológico. Aprofundemos essa virtude essencial: a assertividade.

“Se você não tem empatia e relações pessoais efetivas, não importa quão inteligente seja, não vai chegar muito longe”.
-Daniel Goleman-

A criatividade das crianças

Como educar crianças assertivas?

Para dar ao mundo crianças assertivas, é necessário ter paciência. Muitos pais, mães e também educadores se queixam de ter dois tipos de meninos ou meninas.

Há aqueles que discutem tanto quanto respiram. São os que sempre estão frustrados e aborrecidos porque assumem que quase todos estão contra eles, porque não podem fazer ou ter aquilo que querem a qualquer momento.

Por outro lado, há aqueles que se caracterizam por uma passividade hermética, na qual nunca dizem o que sentem, aqueles que não reclamam. São aquelas crianças que, muitas vezes, são o alvo fácil nas dinâmicas do bullying escolar.

A falta de assertividade geralmente resulta em dois pólos extremos: a passividade ou a agressividade. Sem dúvida, nenhuma dessas dimensões traz boas consequências.

Ser capaz de dar ao mundo crianças assertivas é uma maneira de investir em sua felicidade. Como nos explicam alguns estudos, como o publicado por Gertrude E. Chitten na revista Society for Research in Child Development, estaremos investindo na criação de uma sociedade mais respeitosa.

Vejamos como conseguir isso.

Ensinar que o mundo se forma com base em limites

Para educar crianças assertivas, devemos iniciá-las desde cedo em uma ideia muito clara: o mundo está cheio de limites que devemos respeitar.

Educar não é apenas lhes dizer o que é certo e o que é errado. Há algo além da moralidade: há a civilidade, o respeito humano, a adaptação aos códigos sociais para a convivência.

  • O mundo está cheio de limites, como os físicos, os emocionais e até os econômicos (não podemos, por exemplo, gastar dinheiro em coisas que não são necessárias).

O que é assertividade, para que serve e como se usa?

As crianças entendem muito mais do que pensamos. Além disso, antes de falarem com fluidez, as crianças entendem muito mais conceitos do que podem expressar. Portanto, devemos ter em mente a necessidade de incutir nelas estes princípios:

  • Devo ser capaz de expressar o que sinto sem medo, mas com respeito.
  • Mamãe e papai não vão me punir pelo que eu disser. Eles são o meu espaço seguro para expressar também as minhas emoções negativas, como o que me assusta, me deixa com raiva e me preocupa.
  • Tenho que ser capaz de ouvir com respeito o que os outros me dizem.
  • Devo entender que nem sempre terei o que peço ou desejo. Aprendi pouco a pouco a ser paciente, a tolerar minha frustração.
Crianças brincando em píer

As crianças assertivas precisam de modelos nos quais se basear

Outro aspecto essencial é que não podemos pedir às crianças que cumpram regras que nós mesmos não respeitamos. Assim, se conversamos com nosso parceiro com uma certa agressividade e falta de respeito, nossos filhos imitarão esse modelo comunicativo.

Se queremos dar ao mundo crianças assertivas e felizes, sejamos não apenas seu melhor modelo e guia, mas também sua inspiração diária.

Dê-lhes responsabilidades, respeite suas escolhas e sua privacidade

As crianças, especialmente a partir dos 8 anos, vão reivindicar seu espaço de privacidade. Isso é algo que, como pais, devemos respeitar, mas favorecendo por sua vez a confiança para que a qualquer momento eles se sintam livres e seguros para compartilhar suas preocupações.

Por outro lado, uma maneira de aumentar sua assertividade é atribuindo-lhes responsabilidades de acordo com sua idade. Algo assim favorece seu senso de competência, eficácia e segurança adequada em si mesmos.

Crianças brincando ao ar livre

Inteligência emocional e assertividade

Por último, mas não menos importante, é necessário que, como pais, mães ou educadores, possamos incutir neles habilidades adequadas de Inteligência Emocional.

Isso irá ajudá-los a administrar melhor seu mundo emocional, controlar impulsos, melhorar suas habilidades sociais e a comunicação emocional básica em seu dia a dia.

Como vemos, há muitos detalhes, aspectos e valores que devemos inculcar ou despertar em nossos filhos para que, aos poucos, se abram em seu presente imediato com maior assertividade e solvência.

Essa é uma aventura que durará anos, na qual haverá fases críticas e momentos de grandes conquistas. Sejamos pacientes, sejamos, em primeiro lugar, aquele olhar atento e próximo que sabe estar presente a todo momento.

  • Avşar, F., & Ayaz Alkaya, S. (2017). The effectiveness of assertiveness training for school-aged children on bullying and assertiveness level. Journal of Pediatric Nursing36, 186–190. https://doi.org/10.1016/j.pedn.2017.06.020
  • Christian, D., & McNeish, H. (1995). Assertiveness. Journal of Advanced Nursing. https://doi.org/10.1046/j.1365-2648.1995.22010198.x