A antiga cura grega para a depressão e a ansiedade

· abril 8, 2019
Cuidar do corpo e cultivar a mente eram, para nossos pais da sabedoria, elementos-chave para promover o bem-estar. Por isso a importância da cura grega para a depressão e a ansiedade.

A cura grega para a depressão e a ansiedade é baseada em uma interessante abordagem holística. Tratava-se de um estilo de vida conhecido como bios pythagorikos, com base no qual se ensinava as pessoas a cuidar da alimentação, da forma física e, sobretudo, do aspecto intelectual. Cuidar do corpo e cultivar a mente eram, para nossos pais da sabedoria, elementos-chave para promover o bem-estar.

É possível que, hoje em dia, esses elementos pareçam um pouco básicos. No entanto, chegamos a um ponto em nossa sociedade no qual talvez o que mais precisamos é retornar a esses fundamentos básicos. Assim, poderemos reduzir a complexidade do nosso dia a dia, economizar as preocupações, diminuir os estímulos e dar atenção às prioridades.

A filosofia é sempre um refúgio interessante para o qual voltar de vez em quando a fim de aprender, refletir e despertar. Em um mundo onde a tecnologia colapsa cada um de nossos universos pessoais, é interessante se lembrar do propósito dessa disciplina. Figuras como Platão, Aristóteles ou Pitágoras não falaram apenas de conceitos morais, éticos ou estéticos.

Eles também nos ensinaram a arte do “bem viver”. E o mais importante, se possível, o fim último da filosofia foi sempre nos ensinar a pensar melhor, algo essencial que, em última análise, também nos permite investir em bem-estar.

 “A saúde positiva requer um conhecimento da constituição primária do homem e dos poderes de diversos alimentos, tanto os naturais quanto aqueles que resultam da destreza humana. Mas somente comer não é suficiente para a saúde. Também é preciso fazer exercícios e conhecer os seus efeitos”.
-Hipócrates-

Cura grega para a depressão e a ansiedade

A cura grega para a depressão e a ansiedade: em que consiste?

Nicholas Kardaras é um psicólogo clínico conhecido por seu trabalho em diferentes áreas: saúde mental, vícios e o impacto da tecnologia na atualidade. Uma de suas publicações de maior sucesso foi Como Platão e Pitágoras podem salvar sua vida. Nesse trabalho, apresentado em uma conferência da Associação Americana de Psicologia (APA), ele defendeu as seguintes ideias:

  • Hoje em dia, a depressão e a ansiedade são dois dos maiores desafios em matéria de saúde. E mais, a OMS estima que em 2030 ambas serão o principal problema em matéria de saúde.
  • Desse modo, estudos recentes, como um realizado em King’s College, em Londres, (considerado o maior estudo sobre depressão e ansiedade) indicam, por exemplo, que entre 30 e 40% do risco de depressão e ansiedade é genético, e entre 60 e 70% se deve a fatores ambientais.
  • Esta última porcentagem depende, portanto, de nós e das medidas sociais das quais dispomos.
  • O doutor Nicholas Kardaras indica algo interessante. A origem desses transtornos psicológicos não está apenas no nosso estilo de vida industrializado e urbanizado. Também estamos perdendo do horizonte nossas prioridades existenciais, nossos propósitos… Buscamos a felicidade em produtos com obsolescência programada.

Estamos nos isolando cada vez mais; somos uma sociedade hiperconectada que, no entanto, se sente mais só do que nunca.

Sintomas de depressão

Trabalhos como o realizado pelo doutor Stephen Ilardi, psicólogo da Universidade de Kansas, revelam algo muito interessante. Povoados como o de Kaluli, na Papua-Nova Guiné, apresentam um índice de depressão nulo ou inexistente. Aplicam em seu dia a dia uma filosofia de vida muito básica que lhes permite ganhar em bem-estar.

Nós temos ao nosso alcance a antiga cura grega para a depressão. Aquela que Pitágoras anunciou em sua época e que é conhecida como “Bios Pythagorikos”. Vamos ver no que consiste.

Dieta rica em ômega 3

Os ácidos graxos ômega 3 são aqueles presentes em alimentos como as nozes, o azeite de oliva, o salmão, as sementes de chia, entre outros. Curiosamente, muitos estudos atuais nos revelam como esses tipos de ácidos graxos agem como verdadeiros neuroprotetores. 

Exercício regular

A academia na Grécia Antiga era uma instituição dedicada à instrução física e espiritual. Um âmbito estava, portanto, relacionado ao outro. Na atualidade, frequentemente negligenciamos a importância de exercitar nosso corpo, de mantê-lo ativo, de desfrutar dessa vitalidade na qual podemos nos conectar com o ambiente ao nosso redor, com a natureza e com nós mesmos.

Viver em harmonia com a luz solar

Esse é outro ponto essencial dentro da cura grega para a depressão. Se pensarmos bem, estamos perdendo esse vínculo. Vivemos rodeados de luz artificial emitida pelos nossos locais de trabalho e aparelhos eletrônicos. Esse tipo de luz afeta de modo direto o nosso descanso e, por extensão, a nossa saúde.

Devemos, portanto, tomar banhos de sol e prestar atenção em nossos horários para não perder essa conexão com os ciclos da natureza.

Jovem sorrindo ao ar livre

Realizar tarefas que evitem os pensamentos negativos

Os gregos eram sábios em matéria de deleite e relaxamento, além de cultivar fabulosos prazeres com os quais combatiam as preocupações. Não é preciso seguir o hedonismo, mas devemos nos permitir aproveitar momentos nos quais estamos em contato com nossas paixões, nos sentindo livres, alegres, criativos, etc.

Discussões dialéticas

A dialética é a arte de confrontar, escutar, debater, relativizar, aprender, renovar ideias, descobrir propósitos, etc. Implica, acima de tudo, ter contatos sociais enriquecedores que contribuam com novas perspectivas, que nos desafiem com sua energia, vitalidade e otimismo.

Esses pilares da cura grega para a depressão não poderiam ser mais simples. Mais do que um kit de primeiros socorros, é um convite para criar novos estilos de vida: criar um projeto no qual nos situamos como protagonistas para buscar e trabalhar o nosso bem-estar. Vamos pensar sobre isso.

  • Kardaras, Nicholas (2011) How Plato and Pythagoras Can Save Your Life. New York: Conari