O que é um currículo em espiral?

fevereiro 28, 2020
O currículo em espiral, de Jerome Bruner, tem um objetivo específico: mostrar o conteúdo de maneira que possa ser assimilado gradualmente. Quer saber mais sobre este método?

O currículo em espiral é baseado na metodologia de ensino proposta pelo Método Matemático de Singapura. Seu objetivo é que o aluno se aprofunde nos conhecimentos de forma progressiva. Como é possível fazer isso? Continue lendo para descobrir.

O Método Matemático de Singapura é uma metodologia produzida pelo Instituto Nacional de Estatística  de Singapura (INE) que tinha o objetivo de que o aluno aprendesse matemática sem a necessidade de memorizar. O foco está no porquê e no como, com a ideia de que as respostas ajudem a melhorar a compreensão do conhecimento, facilitando assim a memorização.

Este método tem muita relação com o currículo em espiral. Foi proposto por Jerome Bruner, um psicólogo responsável por muitas descobertas no campo da docência e aprendizagem. Entre elas, está a proposta metodológica que descobriremos a seguir.

Foto de Jerome Bruner
Jerome Bruner

Currículo em espiral: do amplo ao profundo

O currículo em espiral aborda a aprendizagem de modo que o aluno possa ir do conhecimento geral ao conhecimento especializado naturalmente. Isso se deve a um modelo de aprendizagem contínua que evita que os conceitos caiam facilmente no esquecimento.

Para alcançar isso, inicia-se com conceitos bem simples que vão ficando mais complicados à medida que o aluno avança na aprendizagem. Isso acontece porque o currículo em espiral se adapta às possibilidades que o aluno possui. Assim, todos podem avançar e compreender melhor os conceitos da disciplina.

No entanto, algo que é essencial para que o currículo em espiral funcione é que, de maneira recorrente, o aluno volte aos mesmos temas gerais do começo, ou seja, ao conteúdo mais amplo. O que se quer alcançar com isso? Que quando o aluno volte a estudar o profundo, seja capaz de fazer análises e representações diferentes do que havia feito anteriormente.

O que Bruner pretendia com este currículo era que os estudantes contassem com insumos para a sua curiosidade. Inspiração para ampliar seus conhecimentos, voltando – com outro olhar – para os já adquiridos. Assim, eles mesmos poderiam raciocinar/revisar as suas próprias conclusões prévias.

“Deve-se evitar que os alunos fiquem entediados nas escolas”.
-Jerome Bruner-

Os erros e becos sem saída

Jerome Bruner se preocupava muito pouco com os erros. Na verdade, considerava os erros uma forma interessante de aprendizado. Por isso, no currículo em espiral, tanto os erros quanto os becos sem saída são bem-vindos.

Não importa o quanto um aluno demore para aprender um conceito. Para Bruner, o interesse e a satisfação de estimular as hipótese de cada aluno são primordiais.

Uma aprendizagem importante que o currículo em espiral promove é entender que cometer erros não deve ser motivo de vergonha, que deve ser uma forma de reorientar as hipóteses e continuar pesquisando. Sem dúvida, esta uma forma diferente de ensinar, mas que alcança resultados positivos.

Professora em sala de aula

Exemplo de currículo em espiral

Agora que já sabemos mais sobre o currículo em espiral, vamos citar um breve exemplo de como a aprendizagem pode ser alcançada por meio dele.

Podemos começar por um objetivo muito simples destinado a crianças pequenas, como o reconhecimento e classificação dos animais.

O primeiro ponto seria classificar os animais e analisar as semelhanças ou diferenças que existem em cada um. Em seguida, o aluno poderia começar a se familiarizar com os habitats de cada animal e o seu comportamento. Por último, seriam estudadas a anatomia e a fisiologia dos animais.

Ou seja, à medida que os alunos avançam com os habitats, serão retomados os estudos sobre os conceitos já aprendidos para que eles possam relacionar o que já sabiam com o que acabaram de aprender. Assim, poderão realmente entender o que estão estudando e sentirão curiosidade e vontade de saber mais.

No fim, o currículo em espiral permite trabalhar de maneira que os alunos possam pensar por si mesmos para tirar conclusões e corrigir erros. Trata-se de um método que promove a pesquisa, a compreensão, e deixa de lado a tentação de aprender os conceitos de forma decorada – sem entendê-los – para passar em uma prova.

Você acha que seria possível implementar este currículo no modelo educacional atual?

  • Bruner, J. (2011). Aprendizaje por descubrimiento. NYE U: Iberia.
  • Bruner, J. S. (2006). In Search of Pedagogy Volume I: The Selected Works of Jerome Bruner, 1957-1978. Routledge.
  • Good, T. L., & Brophy, J. E. (1996). Psicología educativa contemporánea. McGraw-Hill.