Demissexualidade: quando as emoções provocam desejo

· dezembro 2, 2018

A demissexualidade é uma orientação sexual que caracteriza aqueles que só sentem atração sexual por pessoas com as quais estabelecem uma forte conexão emocional. O termo foi inventado em 2006 pela AVEN (The Asexual Visibility and Education Network) e podemos dizer que se encontra entre a sexualidade e a assexualidade.

Entretanto, isso não significa que uma pessoa demissexual tenha uma sexualidade incompleta, ela simplesmente precisa que um vínculo de conexão emocional forte seja estabelecido para poder desfrutar de suas experiências sexuais.

Algumas pessoas demissexuais podem se comportar e inclusive se identificar como assexuadas antes de conseguir estabelecer este vínculo emocional. Além disso, elas não têm por que se sentirem atraídas por nenhum gênero em especial, ou seja, podem sentir atração por qualquer ser humano. Elas não vão ter um desejo sexual rapidamente, nem em um primeiro momento, já que precisam de tempo para se conectar com o outro ou para se sentirem atraídas pelo seu interior, pela forma como são tratadas.

Para ficar ainda mais claro, é provável que os demissexuais sempre tenham existido, mas até pouco tempo atrás ainda não existia uma definição clara para esta orientação sexual. Como tal, é difícil saber quantas pessoas se identificam como demissexuais, mas os especialistas acreditam que é bastante comum, principalmente entre as pessoas de sexo feminino.

Como podemos ver hoje em dia, as redes sociais estão dando uma maior visibilidade a conceitos que sempre existiram na vida das pessoas, mas que sofrem novos paradigmas léxicos. Buscar rótulos para definir relações não é algo novo; é uma necessidade humana funcionar com estereótipos e preconceitos que orientam a nossa vida social.

“Quanto mais abertos estivermos aos nossos próprios sentimentos, melhor poderemos ler os sentimentos dos demais”.
– Daniel Goleman –

Casal sorrindo de mãos dadas

Demissexualidade: diferentes formas de viver o desejo

Amor e desejo são dois conceitos diferentes; nem tudo que se ama, se deseja; nem tudo que se deseja, se ama. A forma de viver o desejo e o amor é pessoal. Por isso não é necessário que uma coisa preceda a outra ou que existam diferenças dependendo de cada pessoa.

Holly Richmond, sexóloga e especialista em terapias de casal, afirma que “A pessoa que não é demissexual, quando conhece alguém, geralmente forma um grau de atração física em questão de segundos. Na demissexualidade, entretanto, não há nenhum tipo de atração física à primeira vista. Realmente trata-se de sentimentos românticos, amor e amizade. A atração sexual e o desejo ficam em segundo lugar e certamente não são a força principal destas pessoas”.

Em outras palavras, é totalmente diferente dos filmes de Hollywood, onde as pessoas caem em luxúria à primeira vista.

“O amor imaturo diz: ‘Eu te amo porque preciso de você’ O amor maduro diz: ‘Eu preciso de você porque te amo'”.
– Erich Fromm-

Demissexualidade: amor com fogo

A demissexualidade pode ser definida como uma amizade que pega fogo. Não é que as pessoas demissexuais tenham um código de moral mais elevado que os demais, mas simplesmente que a sua atração principal é emocional.

Casal com tatuagens apaixonadas

Como em todas as pessoas, o processo de se sentir atraído pelo outro é tanto físico quanto psicológico. Os demissexuais podem e desfrutam do sexo, mas somente com pessoas com as quais eles mantêm uma relação emocional. Entretanto, uma vez que estas pessoas se encontram num relacionamento adequado, a frequência das relações sexuais pode ser como a de qualquer outro casal.

Por último, é importante ter consciência de que a demissexualdade não deve ser considerada uma doença. Tudo bem que não se encaixa no modelo tradicional de sexualidade humana, mas cada pessoa pode escolher livremente com quem deseja estar. A pessoa aprende a amar não quando encontra a pessoa perfeita, mas quando aprende a acreditar na perfeição de uma pessoa imperfeita.

“Mude sua atenção e você mudará suas emoções. Mude sua emoção e sua atenção mudará de lugar”.
– Frederick Dodson –