A depressão, a dor que se torna uma sombra

A depressão, a dor que se torna uma sombra

setembro 21, 2015 em Emoções 460 Compartilhados

Às vezes identificamos as lágrimas com a expressão de dor, mas, em muitas ocasiões, a dor profunda não encontra meios para aliviar e se tornar comunicativa com os demais. Algumas pessoas, inclusive, reprimem o choro porque, para elas, é motivo de vergonha expor seus sentimentos em público. Elas temem ser julgadas ou estigmatizadas e têm medo de que seu sofrimento seja avaliado. O choro não é a única forma existente de expressar a tristeza.

O que é a depressão?

depressão é um tema muito complexo, com uma solução terapêutica difícil, que requer uma explicação e uma intervenção desde diversos âmbitos do conhecimento. Os cientistas a associam com uma baixa no número de reforçadores, ou de condutas reforçadas positivamente, ou seja: o indivíduo deixa de obter prazer pelas coisas que faz.

Pode ser porque as ações tenham mudado sua forma e conteúdo, e já não sejam mais tão prazerosas (mudança de companhia, de lugar, etc), porque, ainda que as faça, seu mundo interior não as processa da mesma forma por algum evento psicológico que tenha acontecido… ou simplesmente, pois ele se encontra tão triste que nem mesmo as realiza.

Esta é, sem dúvidas, uma das formas mais perigosas através das quais se manifesta a tristeza: como não nos sentimos motivados pelo que nos rodeia, não fazemos nada, e também não obtemos nenhum feedback, nem positivo nem negativo. Não sabemos nos cuidar e causamos danos a nós mesmos continuamente.

Como parar essa dor?

Quando estamos nesta situação, a busca por ajuda profissional poderá marcar uma brecha substancial em relação a nossa evolução futura. Em primeiro lugar, deve-se estabelecer um diagnóstico certeiro, mas de nada adianta saber que pensamentos estão nos machucando ou estão nos fazendo evitar enfrentamentos. Devemos estabelecer um tratamento focado nos fatos.

Ficar na cama chorando é a única forma de saber que a pessoa está com depressão?

Muitos pacientes associam a depressão com o fato de passar o dia todo na cama chorando, mas esta percepção pode ser equivocada. Devemos prestar atenção a outros tipos de comportamentos, que também indicam o momento tão delicado que atravessamos.

mulher com depressão

Descrevendo a depressão

Sintomas emocionais:

A depressão tem, na tristeza, seu sintoma mental por excelência e, em caso de depressões severas, o sujeito pode até chegar a negar esse sentimento de tristeza. Mas há outros sintomas mentais: irritabilidade, a sensação de vazio, o nervosismo.

Sintomas motivacionais e comportamentais:

Apatia, indiferença, incapacidade de sentir prazer. Pode até mesmo haver um desaparecimento de respostas motoras, de gestos, dificuldades de movimento que não se devem a outra doença. Nos casos mais graves, pode-se chegar ao “estupor depressivo” (mudez e paralisia motora).

Sintomas Cognitivos:

Ocorre uma alteração da memória, a atenção e a capacidade de concentração. O conhecimento e os julgamentos sobre si mesmo estão alterados: culpa excessiva, perda de autoestima e desprezo por si mesmo.

Sintomas físicos:

Insônia, fadiga excessiva, perda ou aumento de apetite, diminuição da atividade sexual.

Sintomas sociais:

Ocorre uma deterioração das relações interpessoais, e se ocorrer também um isolamento, o prognóstico é pior.

É possível me curar?

A depressão, às vezes, é chamada de “doença da alma”, em termos mais líricos, mas é uma doença que pode ser grave e que requer tratamento. Há uma grande variedade de terapias (a Cognitivo-comportamental de Beck, Terapia Interpessoal ou Terapias Comportamentais). O importante é entender que, mesmo que não choremos (talvez não consigamos), há muitos sinais aos quais devemos ficar alertas.

Porque, ao tentar sermos fortes, podemos acabar sendo muito fracos. Se isso está acontecendo com você, pedir ajuda é um passo que demonstra coragem.
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