Depressão infantil: as lágrimas das crianças que atingem o coração

Depressão infantil: as lágrimas de uma criança são como balas que atingem o coração

novembro 1, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Depressão infantil: as lágrimas das crianças que atingem o coração

A depressão infantil é pouco conhecida, mas existe. Crianças tristes que choram, que não sorriem, que se aborrecem constantemente e que não desfrutam da vida. Crianças que vivem afogadas na angústia. Crianças que veem a sua inocência assombrada pelo terrível monstro da depressão.

Porque a verdade é que existem crianças perdidas em uma profunda tristeza. Crianças que não podem sorrir porque a realidade se encarregou de colocar freios na sua inocência. Não parece algo real porque a imagem que temos da infância é a de que as crianças são todas sorridentes, felizes e brincalhonas. 

Todos os problemas mentais têm uma certa responsabilidade social. Quando vemos uma criança séria e cabisbaixa, nos esforçamos para dizer que ela não deve estar triste, que não deve chorar, mas sim sorrir. Este é o primeiro erro grave e crasso.
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A criança deprimida mantém um diálogo interior consigo mesma que raramente é perceptível. Algumas das questões que lhe podem surgir são: Como posso me obrigar a estar bem? Por que as pessoas insistem que eu sorria, brinque, que não chore nem nunca me aborreça? Por que não posso evitar me sentir assim, irritada? Por que todo mundo me olha de forma estranha? Será que sou diferente e não vale a pena que eu me esforce?

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A depressão infantil, uma depressão de características visíveis

A depressão infantil existe e há vários sinais que podem nos ajudar a ativar o alarme de que algo não está bem na vida interna emocional dos nossos pequenos. Alguns dos seus sintomas são parecidos aos dos adultos; por exemplo, a tristeza constante ou a queda no rendimento escolar (equiparável ao baixo rendimento laboral nos adultos).

No entanto, uma característica distinta é que na depressão infantil costumamos encontrar com maior frequência a agressividade e irritabilidade ou as queixas físicas como dores de barriga, cabeça, musculares, etc.

Também podemos observar o modo como a tristeza altera a motivação, a vontade de brincar e de fazer coisas diferentes. Também pode ser visível como a criança não come ou dorme de forma adequada ou como é vítima de uma falta de energia generalizada.

É provável que uma criança afetada pela depressão infantil não consiga se concentrar, pensar ou tomar decisões. Mais ainda, podem surgir pensamentos de morte ou ideias, planos e tentativas de suicídio.

Caso se observem 5 ou mais sintomas dos mencionados acima, provavelmente o especialista irá diagnosticar depressão infantil. No entanto, é preciso levar em conta que certos estados de apatia, falta de vontade ou tristeza são perfeitamente normais.

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Além disso, devemos respeitar a tristeza ou apatia de uma criança com cautela, pois se insistimos para que ela esteja feliz sem entender a origem da sua tristeza, estamos oferecendo um padrão educacional errôneo. Isto significa que estaremos transmitindo a ela que a tristeza, a frustração ou o aborrecimento não são normais e que, por isso, é inútil que os sinta.

Então vamos pensar sobre o que isso causa em uma criança ou adulto. Por acaso não é normal estar triste por causa de uma perda? Será que não é normal todos nós termos nos sentido irritados em algum momento das nossas vidas? Por acaso esses estados emocionais não são úteis para nos darmos conta de certas coisas?

Também é possível que observemos uma certa agitação motora em uma criança deprimida, a qual se denomina depressão agitada. A criança não consegue permanecer sentada tranquilamente e parece que o assento a queima. Ela contorce as mãos, mexe-se constantemente, tamborila os dedos…

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Parece que ela tem uma pilha que nunca se esgota. Este estado não deve ser confundido com a hiperatividade. Por isso é sempre imprescindível que a criança seja observada por profissionais para que possam identificar os sintomas e realizar o diagnóstico correto.

O contrário da depressão agitada pode ser observado na depressão apática. O nosso pequeno pensa, fala e se move em câmera lenta. Não se pode falar com ele e é preciso repetir constantemente as perguntas para ele entender. Os temas sobre os quais ele fala são pouco variados e ele se mantém em silêncio e imóvel durante muito tempo.

Outra pista pode ser dada a partir do autoconceito e de uma autoestima baixa. Pode acontecer de a criança acreditar que não vale nada e que possui um “defeito de fábrica”. Ela pode até dizer a si mesma em voz alta que não serve para nada e exaltar os seu erros, fazendo atribuições indevidas sobre as suas qualidades.

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10 ideias para ajudar uma criança a se sentir bem

Francisco Xavier Méndez, excelente psicólogo infanto-juvenil espanhol, oferece-nos em seu livro “A criança que não sorri” um decálogo de ideias para fomentar o sorriso e a alegria nas crianças afetadas por uma tristeza constante.

  • Ensine através do exemplo: sorria, mostre bom humor, desfrute do seu tempo livre e das suas férias, pense em voz alta de forma sensata, etc.
  • Ajude a criança a se divertir e a se sentir bem: programe atividades agradáveis e divertidas, convide os amigos dela para virem brincar em sua casa, surpreenda-a com planos inovadores e atrativos, ressalte os êxitos dela, tenha em consideração as preferências dela.
  • Evite sofrimentos desnecessários: cuide da saúde da criança (vacinação, higiene, hábitos de sono, alimentação, etc), prepare-a para situações estressantes (como por exemplo o início da escola ou a perda de um familiar).
  • Promova a harmonia familiar: manifeste carinho através de palavras e de ações, fomente a comunicação familiar, evite discussões na presença dela, etc.
  • Eduque-a com afeto e coerência: atue de acordo com o ambiente, fixe normas de conduta razoáveis e exija o seu cumprimento, seja compreensivo e flexível, colabore com a escola dela, etc.

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  • Potencialize as qualidades, interesses e hobbies da criança: inscreva-a em uma academia ou clube, desperte o interesse dela pela leitura, música, cinema, teatro, trabalhos manuais, etc. Anime-a a experimentar coisas enriquecedoras como novos sabores, esportes, jogos…
  • Treine-a para tolerar a frustração: não aceda às exigências descabidas dela, às birras, ensine-a a respeitar a vez dela, atrase gradualmente a satisfação dos pedidos urgentes, retarde progressivamente a gratificação, faça com que ela compartilhe os brinquedo e os pertences dela.
  • Faça com que ela se sinta responsável, não culpada: valorize o esforço dela no estudo e não as notas escolares ou seus prêmios. Defina objetivos realistas e felicite-a quando ela os alcançar (Dizer “parabéns pelos seus “bons”!” é melhor do que “da próxima vez quero ver tudo “excelente”!)
  • Molde um estilo de pensamento racional: evite as rótulos e a linguagem absolutista (você é má, nunca liga para mim); Em vez de lhe facilitar a solução, faça com que a criança pense (o que poderíamos fazer para resolver…? E o que mais?). Converse com ela, refute as ideias e crenças irracionais dela, etc.
  • Fortaleça sua autonomia: ensine-lhe habilidades básicas, como ir ao banheiro, se vestir, cozinhar ou administrar o dinheiro. Dê a ela a oportunidade de praticar, ajude-a em tudo o que for necessário, mas não resolva os problemas dela, permita que ela participe das tomadas de decisões de forma progressiva, etc.

No entanto, se você observar algum dos sintomas acima de forma contínua, é importante consultar um especialista para avaliar e trabalhar os diferentes aspectos que são discutidos para trazer luz ao fantástico sorriso que toda criança deve ter no seu rosto e no seu coração.

A saúde emocional das crianças não é algo que aparece com um passe de mágica, ela deve ser cultivada. Por isso não podemos esquecer que é mais fácil criar crianças fortes do que consertar adultos quebrados.
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