Educar bem, uma tarefa tão bela quanto difícil - A Mente é Maravilhosa

Educar bem, uma tarefa tão bela quanto difícil

outubro 31, 2016 em Psicologia 60 Compartilhados
Educar bem, uma tarefa tão bela quanto difícil

Educar bem é uma tarefa tão difícil quanto bela. O que fazemos com os nossos filhos vai determinar diretamente como será seu futuro, assim como suas habilidades socioemocionais essenciais, que se vinculam às racionais.

Nesse sentido, a primeira coisa que devemos ter em mente é que é impossível separar a razão da emoção ou, como costumamos dizer, mente e coração. Esta dicotomia não obedece a nossa realidade, pois somos um todo e, como tal, baseamos nosso crescimento e nossa vida.

Isso se aplica tanto às crianças e aos jovens que queremos educar, como a nós mesmos como educadores (pais, mães, profissionais, terapeutas, tios, educadores, avós, etc.). Ou seja, se quisermos gerar bem-estar, primeiro devemos sentir este bem-estar.

Para compreender isso, devemos destacar que educamos a partir de nossas emoções. Por isso, se não estamos bem, não educaremos de forma correta. Por exemplo, não conseguiremoscalma e motivação em nossos filhos se tivermos altos níveis de estresse e de frustração em nós.

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10 princípios básicos para educar bem

Após tudo o que foi dito anteriormente, partimos da premissa de que a educação se baseia, principalmente, em nosso exemplo. Digamos que, sem argila, não há ladrilho, e sem cimento, não há construção. Neste sentido, a educação é um trabalho em equipe das pessoas que cercam nossos filhos.

Baseando-nos nos princípios propostos por Laurence Steinberg, hoje trazemos uma seleção de 10 elementos básicos que podem nos ajudar a educar bem. Vamos dar uma olhada mais detalhada:

1. Nem tudo o que fazemos “tanto faz”

Precisamos pensar antes de agir; no entanto, estamos todos de acordo ao pensar que nem sempre podemos encontrar o melhor momento para fazer isso. O certo seria agir de forma tranquila e pensada, e não em momentos nos quais o desajuste emocional está instalado. Entretanto, isso não nos exime de querer fazer tudo da melhor forma possível. Da mesma forma, devemos ter em conta que:

  • Os genes não são tudo: temos na educação e no ambiente ferramentas fundamentais para o desenvolvimento;
  • As crianças aprendem observando. Já falamos sobre isso, devemos ser bons exemplos, bons modelos para elas;
  • Devemos lidar com as influências alheias à família de forma calma e positiva;
  • Aprender com os erros é essencial para garantir uma boa educação.

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2. O carinho nunca é um excesso

Se um bebê de 5 meses chora, pode ser porque ele está com fome ou pode ser porque ele quer a sua companhia, sua figura como referência. Não medir o afeto é essencial para transmitir amor às nossas crianças; o excesso de carinho não estraga a criança, o que faz isso é o fato de que alguns pais não educam nos momentos de mau comportamento.

Apesar disso, é bom refletir sobre essa questão. Não é adequado reforçar a desmotivação diante das tarefas escolares, mas sim apoiar a criança quando ela compreende ao ouvir que é um erro não querer fazer os deveres ou estudar. Além disso, é importante destacarmos que:

  • É adequado dar afeto físico, ou seja, abraços, beijos, carícias, olhares…
  • Devemos elogiar as conquistas das crianças de forma correta.
  • Devemos estar dispostos a ver e responder às necessidades emocionais das crianças;
  • Devemos proporcionar um refúgio no qual a criança saiba que tem nosso apoio.

3. Nós devemos nos inserir na vida das crianças

É essencial que nos interessemos por suas motivações, interesses e preferências. Também é importante que estejamos interessados em sua escola e que evitemos nos intrometer na vida das crianças de forma crítica e desafiadora.

4. Devemos adaptar a criança à forma como precisamos educá-la

Cada criança tem seu ritmo, e é muito importante que respeitemos isso se queremos educar bem. Muitas vezes nos empenhamos em adaptar o temperamento dos nossos filhos à nossa maneira de educá-los e acabamos perdendo de vista a única verdade que deve reger o processo: CADA CRIANÇA É ÚNICA. Nós devemos ser pacientes e respeitar os períodos de transição.

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5. A importância de estabelecer normas e impor limites

Não, nem tudo vale. As crianças precisam de normas e limites que as ajudem a se guiar e a conhecer quais limitações elas têm e quais aspectos proibidos existem. Precisamos ser firmes e trabalhar com justiça, sempre sendo equilibrados e coerentes.

Do mesmo modo, é vital que haja supervisão e que nos mantenhamos atentos ao que as crianças fazem, de forma que possamos refletir sobre isso e flexibilizar as regras à medida que elas vão amadurecendo.
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6. É muito importante fomentar a independência

Abordar a vontade de discutir da criança, de forma positiva, é muito importante para educar bem. Não podemos controlar até o último detalhe da vida da criança, pois devemos deixá-la escolher e devemos deixar que ela aprenda que tem opções de autonomia. O lema é: protejamos quando devemos fazê-lo, mas permitamos também quando pudermos fazê-lo.

7. Sejamos coerentes

Ser coerentes, manter certas rotinas, ser firme, não ser inflexível e ajudá-las a identificar aquelas normas que não são negociáveis nos ajuda a equilibrar a balança e favorecer a razão e a capacidade das crianças de seguir as regras.

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8. Castigos severos? É melhor evitá-los

O castigo físico é contraproducente e prejudicial. Implica tratar a criança mal e sem respeito, o que não facilita o equilíbrio de tudo o que foi feito antes. Há uma pergunta que costuma abrir a mente dos adultos: como vamos ensinar nossos filhos a lidar com os problemas e não bater nas pessoas se nós mesmos fazemos isso quando eles fazem algo errado? Nem mesmo um beliscão é positivo.

Por isso devemos aprender a dominar nossa raiva. As broncas excessivas também não são eficazes. Se a criança fizer algo de errado, podemos mandá-la para o seu quarto, instigá-la a resolver o problema causado, limitar ou restringir seus privilégios (jogos, passeios, televisão, etc.)

9. Explicar as normas e as decisões que tomamos

Outro aspecto fundamental para educar bem é explicar às crianças as normas e as decisões que nós tomamos e fazer isso com muita clareza. Devemos procurar que sejam exaustivas e completas, o que nos ajuda a garantir que a criança entendeu e pode aplicar tais conhecimentos.

A conhecida frase “Porque eu disse não!” não ajuda as crianças a entenderem, nem nos ajuda a admitir nossos erros e escutar o ponto de vista das crianças. Assim, explicar, raciocinar e sentir as ajudará a validar suas opiniões e sentimentos, o que nos fará lançar as bases da autonomia e da independência emocional.

10. Tratar nossas crianças com respeito

Devemos tratá-las com respeito para que elas sejam capazes, também, de emitir respeito. Ter conversas de duplo sentido, escutá-las e dar a elas a opção de mostrar o que elas sentem e pensam, deixar que ajam e que façam o que podem conforme a sua idade, etc. As crianças tratam as pessoas como são tratadas, e os nossos ensinamentos serão perpetuados por aí.

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