O desenvolvimento emocional das crianças

setembro 20, 2019
A cultura define diferentes regras para expressar as emoções. Assim, as crianças adquirem uma compreensão das emoções através da modelagem e do aprendizado vicário.

O desenvolvimento emocional das crianças faz com que elas tomem consciência da origem e do gerenciamento das emoções. Elas começam a ler as emoções nas expressões faciais dos demais e a interpretá-las em função do contexto social (1).

Assim, a mudança e o crescimento que se espera delas a nível emocional deriva das experiências que acontecem, por um lado, em seu contexto e, por outro, em seu amadurecimento.

Por isso, em seu desenvolvimento emocional, começam a surgir certos objetivos emocionais relacionados a si mesmas e aos demais, tendo em conta o contexto.

A forma como as crianças manifestam diferentes tipos de emoções varia substancialmente dependendo do seu repertório prévio. Também tem muito a ver com o seu histórico de aprendizagem. Isso leva a conquistas importantes na compreensão, regulação emocional e resposta empática (3).

A seguir, compartilhamos três aspectos do desenvolvimento emocional das crianças que permitem conhecer de forma mais específica a sua competência emocional.

Menina lidando com o sentimento de surpresa

A compreensão emocional

A compreensão é especialmente importante no desenvolvimento emocional das crianças. Por um lado, temos a compreensão das suas emoções e, por outro, a compreensão da ambivalência emocional e das regras de expressão.

A compreensão das emoções e a tomada de perspectiva emocional começam a se desenvolver em idades muito jovens. Meninos e meninas, durante a idade pré-escolar, vinculam-se a situações cada vez mais diversas, que geram diferentes emoções (2).

Um avanço importante na compreensão das emoções acontece quando as crianças começam a considerar o outro como tendo seus próprios desejos e necessidades.

Por outro lado, as perspectivas emocionais e o nível de compreensão que elas vêm a estabelecer se vinculam à cultura na qual crescem, ao mesmo tempo em que também estão ligadas à reação dos pais.

Em última instância, o que as crianças acreditam e esperam está ligado aos fatores contextuais e a sua constituição pessoal.

A cultura propicia diferentes regras para expressar as emoções. Assim, as crianças adquirem uma compreensão das emoções através da modelagem e do aprendizado vicário. Dessa forma, o componente cultural definitivamente impõe limites e regras para a expressão emocional.

A compreensão destas regras de expressão emocional envolve aspectos como:

  • A intensidade da expressão;
  • A persistência da expressão;
  • A inibição da expressão.

Por outro lado, devemos citar a compreensão da ambivalência emocional. Esta é entendida como a capacidade de entender, conhecer e discriminar a presença de várias emoções opostas.

A possibilidade de entender isso é um ponto básico para que as crianças adquiram destreza na hora de lidar com relações estáveis com alta carga afetiva (5).

A regulação emocional como parte do desenvolvimento das crianças

As emoções são vias de contato com a realidade. Por isso, para que cumpram com este objetivo, é necessário que sejam flexíveis e congruentes com a situação, assim como com os objetivos.

O uso de diferentes estratégias para alcançar níveis de autorrealização emocional é variado, já que depende da situação. Pouco a pouco, as crianças aprendem que algumas estratégias são eficazes para certas situações e que estas dependem do tipo de objetivo desejado.

A flexibilidade em sua gestão e o desenvolvimento de níveis de internalização mostram a utilidade da regulação para o ajuste de comportamentos adaptativos e o ajuste socioemocional (6).

Entender as emoções na infância

A empatia no desenvolvimento emocional das crianças

A empatia é considerada a capacidade que uma pessoa tem de entender a situação emocional de outra e de emitir respostas relacionadas com o sentimento dessa pessoa (2). Assim, a empatia é um componente emocional que só se alcança quando a criança atinge três aspectos prévios (2):

  • Sua própria compreensão emocional;
  • A compreensão emocional dos outros;
  • A capacidade de regular sua própria emoção.

Estes três aspectos são dirigidos a situações sociais que permitem, por parte do menino ou da menina, fazer análises de alcance de objetivos, colocar em evidência ações afetivas e compreender o porquê de sentir emoções diversas (7).

Sendo assim, podemos considerar muitos fatores no desenvolvimento emocional de uma criança.

No entanto, cabe dizer que, para que estas estratégias citadas anteriormente sejam desenvolvidas, seu entorno familiar e social precisa ser propício para que ela tenha um bom desenvolvimento emocional.

  1. Izard, C. E. (1994). Innate and universal facial expressions: evidence from developmental and cross-cultural research.
  2. López, G. C. H., & Vesga, M. C. G. (2009). Interacción familiar y desarrollo emocional en niños y niñas. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, niñez y juventud, 7(2), 785-802.
  3. López, F., Fuentes, M. J., & Etxebarria, I. O. MJ (1999) Desarrollo afectivo y social. Madrid: Pirámide.
  4. Gnepp, J., & Chilamkurti, C. (1988). Children’s use of personality attributions to predict other people’s emotional and behavioral reactions. Child development, 743-754.
  5. Brown, J. R., & Dunn, J. (1996). Continuities in emotion understanding from three to six years. Child development, 67(3), 789-802.
  6. Dennis, T. (2006). Emotional self-regulation in preschoolers: the interplay of child approach reactivity, parenting, and control capacities. Developmental psychology, 42(1), 84.
  7. Sroufe, L. A., & Donís Galindo, M. S. (2000). Desarrollo emocional: la organización de la vida emocional en los primeros años. Oxford University Press México,.