São Valentim, a verdadeira história e origem do Dia dos Namorados

31 Janeiro, 2021
São Valentim existiu, foi real, e temos inúmeros testemunhos arqueológicos a respeito da sua figura. Ele foi um padre corajoso que casou secretamente centenas de soldados com suas parceiras, apesar da proibição do imperador Cláudio II.

O Dia de São Valentim não é uma invenção de uma loja de departamentos. Muito além do marketing, dos presentes, das viagens e dos jantares românticos, existe uma história tão única quanto fascinante que merece ser conhecida. O dia 14 de fevereiro simbolizou o propósito de um Papa de acabar com certos costumes pagãos que ainda eram praticados em Roma e, assim, exaltar a figura de um valente sacerdote.

Os historiadores dizem que o Dia dos Namorados foi uma invenção, uma manobra inteligente do Papa Gelásio I para acabar com as festividades que eram celebradas em Roma desde 495 d.C. em homenagem ao deus romano Lupércio, protetor da fertilidade e dos rebanhos e identificado com o lobo sagrado de Marte. Os pastores e grande parte da população aguardavam ansiosamente a chegada daqueles dias celebrados entre 13 e 15 de fevereiro para homenagear a loba que amamentou (segundo a lenda) os fundadores de Roma: Rômulo e Remo.

A elite católica marcou sua própria festa em 14 de fevereiro, tentando abolir essa tradição pagã. Essa decisão de acabar com os ritos arcaicos relacionados com a fertilidade foi mantida durante séculos, deixando assim o feriado do Dia dos Namorados para a história. No entanto, esta celebração foi eliminada do calendário católico em 1969 durante o papado de Paulo VI.

O Concílio Vaticano II achou que o mito e a lenda estavam muito interligados.  No entanto, o Papa Francisco quis, em 2014, recuperar aquele feriado e lhe dar novamente um sentido religioso. Ele celebrou uma missa à qual centenas de casais compareceram para homenagear uma figura: São Valentim.

Festividade pagã

Quem foi São Valentim?

São Valentine existiu. Os arqueólogos encontraram uma catacumba localizada na viale Maresciallo Pilsudski (bairro de Pinciano em Roma) dedicada a esta figura. O culto à sua pessoa também aparece em outros países, como na igreja paroquial de Assunção de Santa Maria em Chelmno, Polônia; na igreja Stephansdom em Viena, em Malta, e também na igreja do Beato John Duns Scotus em Glasgow, Escócia.

Sua história, o relato que traçou este feriado especial, começa na Roma do século III.

“Porque este era o dia de São Valentim, quando todos os pássaros de todos os tipos que os homens possam imaginar vêm a este lugar para escolher seu companheiro.”
-Geoffrey Chaucer-

O imperador Cláudio II, o homem que proibiu os soldados de se casarem

No século III a.C, o Império Romano estava lutando contra vários problemas. O primeiro era a Idade do Ferro dos godos. O segundo foi uma escassez de mão de obra tanto no campo quanto nas fileiras do exército. O imperador, portanto, precisava de soldados fortes dedicados à causa, e por isso criou uma lei tão inusitada quanto chamativa.

Ele proibiu os soldados de se casarem. Segundo ele, um homem sem família é mais comprometido com seu imperador e focado na batalha. O terceiro problema para o Império eram os cristãos, a quem perseguiam, torturavam e assassinavam. Foi neste contexto que uma figura única surgiu com força.

Um sacerdote corajoso

Textos como Legenda Sanctorum de Jacobus de Voragine e a Crônica de Nuremberg, 1493, falam de um sacerdote de grande caráter e coragem que não protegia apenas os cristãos. Ele defendeu o casamento tradicional e casou secretamente soldados com suas parceiras.

Isso despertou a ira do estado, e São Valentim foi levado perante o juiz Asterio de Roma para ser julgado. Ele lhe disse que, se fosse realmente um santo, deveria curar a cegueira de sua filha. São Valentim assim o fez e, com isso, não apenas escapou da morte, mas também converteu Asterio e toda a sua família ao cristianismo.

No entanto, essa felicidade e alívio por salvar sua vida durou pouco. Algum tempo depois, o imperador Cláudio II o prendeu novamente. Ele estava cansado dos seus desafios, repleto de raiva de um homem que estava ganhando fama demais.

Um sacerdote valente

Ele foi rapidamente julgado e condenado à morte. No entanto, antes de ser martirizado, São Valentim foi autorizado a escrever uma carta para aquela jovem cuja visão ele restaurou. Para muitos, foi uma carta de amor, para outros, uma despedida. Seja como for, com aquela carta também se consolidou a tradição de enviar cartas e bilhetes às pessoas que amamos nesta data.

Depois dessa última concessão, o padre foi espancado publicamente com paus e pedras. Mais tarde, ele foi decapitado na Porta del Popolo em 14 de fevereiro de 269 d.C, diante de toda a praça.

Geoffrey Chaucer e a tradição romântica do dia de São Valentim

O historiador William Federer explica que essa visão um tanto dramática de São Valentim com seu martírio e final foi suavizada pelos poemas de Geofrey Chaucer. Este escritor, filósofo, diplomata e poeta inglês nos fez associar este feriado ao amor cortês. Assim, de alguma forma, a visão mais religiosa perdeu seu rastro original para se tornar mais próxima, romântica e detalhada.

Geoffrey Chaucer nos descreve em seu poema Parlement of Foules (1382) como um amante oferece uma carta à sua amada no dia de São Valentim. Posteriormente, já encontramos outros depoimentos a respeito de como essa prática foi se instalando na corte inglesa e, posteriormente, na francesa.

A tradição romântica do dia de São Valentim

O Duque de Orleães enviou à esposa uma carta com um poema emocionante para lembrá-la do seu amor nesta data, enquanto ele estava detido na Torre de Londres durante a Batalha de Agincourt. Como vemos, a festa contém uma série de histórias cuja tradição se manteve firme apesar dos séculos.

Afinal, o amor é aquela força à prova de fogo que sempre nos inspira e nos dá vida. Celebremos, portanto, o dia de São Valentim não apenas em 14 de fevereiro, mas em todos os dias do ano.

  • Kelly. M. J (1986) Chaucer and the Cult of Saint Valentine. Davis Medieval Texts & Studies
  • Barth, Edna (1974) Corazones, cupidos y rosas rojas: La historia de los símbolos de San Valentín.