Edgar Allan Poe, a biografia de um escritor misterioso

· junho 6, 2019
Muito foi falado sobre Edgar Allan Poe. Que ele era um assassino, um perverso e um perfeito viciado. Na verdade, foi uma pessoa que viveu uma existência trágica, ao mesmo tempo em que tinha uma sensibilidade fora do comum.

Edgar Allan Poe é um dos grandes gênios da literatura universal. Ao longo de sua vida, que teve acontecimentos pouco comuns, foram criadas lendas que acabaram ofuscando o enorme valor de sua obra. Em especial, foi um extraordinário cientista, dotado de uma criatividade infinita.

O mundo da literatura de mistério e terror foi um antes de Edgar Allan Poe e outro depois dele. Esse grande escritor norte-americano é considerado o inventor do gênero dos romances policiais. Também foi o renovador da literatura gótica e imprimiu ao gênero de terror um componente psicológico requintado.

 “Não tenho fé na perfeição humana. O homem é agora mais ativo, não mais feliz, nem mais inteligente, do que foi há 600 anos”.
-Edgar Allan Poe-

Teve uma vida repleta de experiências difíceis e, inclusive, trágicas. Sabe-se que houve críticos interessados em apresentá-lo como um ser depravado e caótico. Em grande medida, conseguiram. No entanto, embora certamente Poe não tenha sido um modelo de equilíbrio, também não era o ser monstruoso que quiseram criar.

Nome de Edgar Allan Poe

A infância difícil de Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe nasceu em Boston (Estados Unidos), em 19 de janeiro de 1809. Seus pais eram dois atores de teatro itinerante. Teve dois irmãos. Seus pais morreram quando ele tinha apenas 2 anos de idade. Tanto ele quanto seus irmãos foram adotados por diferentes famílias.

Edgar foi adotado pela família de John Allan, um abastado homem de negócios que o adotou por caridade. A morte de sua mãe, assim como as relações traumáticas que teve com seu padrasto, foram dois temas recorrentes em sua vida e em sua obra.

Com sua família adotiva, viveu alguns anos na Inglaterra e na Escócia. Aparentemente, foi dessas vivências que emprestou a atmosfera gótica tão característica de sua obra. Em seguida, todos voltaram aos Estados Unidos, onde Edgar Allan Poe estudou nos melhores colégios.

Uma juventude turbulenta

Os primeiros escritos de Edgar Allan Poe nasceram quando ele tinha 14 anos. Nessa época, ele se apaixonou perdidamente pela mãe de um de seus companheiros. Vivia um amor platônico quando ela morreu repentinamente.

Em sua juventude, também foi um grande esportista e um amante da astronomia. Foi estudar Línguas na Universidade de Virgínia. Lá, começou a se acostumar aos jogos e ao álcool. Isso o levou a ser expulso. Seu padrasto o contratou como funcionário em uma de suas empresas, mas essa experiência não durou muito.

Em 1827, publicou em segredo seu primeiro livro, Tamerlane and Other Poems (Tamerlane e Outros Poemas, em tradução livre). Em seguida, ele se alistou ao exército, onde ficou por anos. Depois, seu padrasto o ajudou a conseguir um novo trabalho, mas novamente foi demitido. Enquanto isso, publicou outros dois livros de poemas. Em 1832, foi viver em Baltimore, nos Estados Unidos, e se casou com sua prima de 13 anos de idade.

Um escritor “amaldiçoado”

Edgar Allan Poe foi deserdado por seus pais adotivos. Para sobreviver, começou a trabalhar em vários jornais, fazendo notas e críticas de arte. Seu estilo afiado e elegante lhe proporcionou uma certa notoriedade. Enquanto isso, continuou publicando suas obras. The Gold-Bug (O escaravelho de Ouro) e The Raven and Other Poems (O Corvo e Outros Poemas) o consagraram na literatura.

Sua jovem esposa morreu de tuberculose em 1847. Sua penosa doença aumentou a inclinação de Poe pela bebida e pelas drogas. Dizem que nessa época ele começou a ingerir láudano, um opiáceo de fortes efeitos. Também naquela época começou a apresentar problemas de saúde.

Começou a buscar uma nova mulher ansiosamente, quase desesperadamente. Passava de um relacionamento a outro sem que nenhum se concretizasse. Dizem que Poe tentou se suicidar com láudano, mas teve um acesso de vômito que o impediu.

Caricatura de Edgar Allan Poe

O final da vida de Edgar Allan Poe

Durante aqueles anos, voltou a se encontrar com um amor fugaz da juventude: Sarah Elmira Royster. Foi acesa novamente a chama entre os dois e concordaram em se casar em 17 de outubro de 1849. No entanto, pouco tempo depois o escritor desapareceu misteriosamente.

Ele foi encontrado em 3 de outubro na rua, muito confuso e usando roupas que não lhe pertenciam. Um de seus amigos o levou ao hospital, onde morreu em 7 de outubro. Nunca se soube o que aconteceu durante esses dias de estranho desaparecimento.

Sua autópsia também desapareceu e até o momento não se sabe qual foi a causa exata de sua morte. Pode-se afirmar que a obra de Poe influenciou todos os grandes escritores que o sucederam. Ela é comovente, poderosa e profunda.

  • Lanero, J. J., CSantoyo, J., & Villoría, S. (1993). 50 años de traductores, críticos e imitadores de Edgar Allan Poe (1857-1913). Livius, 3, 159-184.