Efeito Atir-Rosenzweig-Dunning: quando você pensa conhecer o incognoscível

julho 28, 2019

O efeito Atir-Rosenzweig-Dunning foi definido a partir dos nomes dos pesquisadores Stav Atir, Emily Rosenzweig e David Dunning. Este peculiar fenômeno acontece quando uma pessoa, ao ser especialista em um determinado assunto, acredita ter conhecimentos de que na verdade carece.

Este efeito foi determinado por meio de um experimento que contou com a colaboração de pessoas que se consideravam especialistas em diferentes assuntos. Quanto mais conhecimentos estes indivíduos pensavam ter, mais probabilidades existiam de que afirmassem conhecer termos fictícios, inventados pelos pesquisadores.

O estudo sobre o efeito Atir-Rosenzweig-Dunning

Os fundamentos deste curioso efeito supõem que, à medida que aprendemos e aumentamos nossos conhecimentos, a consciência sobre o que não sabemos começa a se tornar cada vez mais turva.

De acordo com isso, ter uma experiência ampla em um determinado campo pode aumentar nossa autoconfiança até o ponto de acreditarmos saber tudo sobre a matéria em questão.

O estudo destes pesquisadores também proporcionou outra interessante descoberta relacionada a outro efeito, conhecido como Dunning-Kruger, que comentaremos mais tarde.

Em comparação com os estudos deste outro fenômeno, os indivíduos tratados com relação ao efeito Atir-Rosenzweig-Dunning tinham muitas probabilidades de afirmar conhecer acontecimentos ou ideias que não eram verdade.

No entanto, outras pessoas com menos conhecimentos em um determinado campo eram mais propensas a duvidar destas ideias ou acontecimentos que eram apresentados como verdadeiros, por reconhecer sua falta de experiência e confessar seu desconhecimento.

Homem gesticulando ao ler livro

Dentre as pessoas pesquisadas, aproximadamente 92% afirmaram conhecer de alguma forma os termos fictícios. Focando a temática no campo da biologia, os especialistas afirmavam estar familiarizados com conceitos inexistentes, como “metatoxinas”, “retroplex” ou “biossexual”.

Definitivamente, as conclusões desta pesquisa determinaram que, em certas ocasiões, ter uma ampla experiência em um campo pode causar mais “cegueira” do que a própria ignorância.

Efeito Dunning-Kruger

O efeito Dunning-Kruger foi determinado através de estudos anteriores aos já citados para descobrir o efeito Atir-Rosenzweig-Dunning. Este outro fenômeno acontecia nas pessoas que afirmavam ser especialistas em uma matéria sem ter, na verdade, conhecimentos sobre ela.

Neste sentido, este foco não só faz com que uma pessoa chegue a falar sobre um assunto que desconhece, mas também pode estimular a possibilidade de que ela tente convencer os demais de algo que, para ela, parece lógico ou que ela intui como mais provável, quando desconhece se é verdade ou não.

Dessa forma, o efeito Dunning-Kruger está relacionado com o efeito Atir-Rosenzweig-Dunning. Nesse sentido, os dois efeitos são condizentes com a forma tão particular e fascinante – para o lado bom e para o ruim – que a nossa mente tem de funcionar.

A tendência a opinar sobre qualquer assunto

Como você pôde observar, estes dois efeitos têm uma relação muito estreita com algo que se popularizou na linguagem popular nos últimos tempos, nos quais a política se transformou em um espetáculo televisivo. Falamos daquelas pessoas que desenvolvem teorias com base em um conhecimento muito pobre ou tendencioso.

Esta ideia está muito associada à figura do parente, identificado como aquela pessoa no âmbito familiar que sempre tenta dar lições nos demais, defendendo suas crenças como universais.

Em sua relação com os efeitos que comentamos aqui, o estereótipo do parente incluiria a atitude que descrevemos. Assim, seu comportamento poderia derivar, em parte, do efeito Dunning-Kruger.

Homem narcisista

No entanto, já que esta ideia se baseia – pelo menos em parte – no comportamento de afirmar o que não se sabe, também se relaciona com o efeito Atir-Rosenzweig-Dunning.

Em todo caso, é um comportamento muito irritante, especialmente quando estas pessoas tentam impor suas ideias em assuntos que, por mais comprometidos e polêmicos, podem levantar os ânimos, como a política ou o feminismo.

Diante disso, pensemos que reconhecer nossa falta de conhecimento pode ser um comportamento muito mais inteligente para demonstrar, de acordo com o nosso limitado ponto de vista, o conhecimento com o qual contamos.

Isso vai nos permitir aprender e manter debates muito mais interessantes, além de não nos metermos em assuntos que, por mais lógicos que possam parecer, não se sustentam.

  • Atir, S., Rosenzweig, E., & Dunning, D. (2015). When knowledge knows no bounds: Self-perceived expertise predicts claims of impossible knowledge. Psychological Science26(8), 1295-1303.
  • Kruger, J., & Dunning, D. (1999). Unskilled and unaware of it: how difficulties in recognizing one’s own incompetence lead to inflated self-assessments. Journal of personality and social psychology77(6), 1121.