Encontro minha coragem quando me permito sentir

· dezembro 11, 2016

A nossa natureza nos permite sentir e, por isso, nós nos esforçamos para construir paredes ao nosso redor para esconder o nosso ‘eu’ mais profundo: elas não nos permitem sentir as emoções, os sentimentos e cada experiência como ela é. Quando nos sentimos frágeis e vulneráveis nos voltamos para a razão e nos afastamos do nosso ser.

Estamos construindo esses muros desde crianças, quando em muitas situações não nos sentíamos merecedores de afeto. Diante dos medos e da dor emocional nos fechamos, tentando nos adaptar a um mundo que nos aterroriza, considerando que ele está cheio de perigos.

Nós aprendemos que, quando demonstramos as nossas fraquezas e dificuldades, acabamos sofrendo muito. Acreditamos que “se abrir” às novas experiências pode nos trazer tristeza, angústia, fracassos, desilusões amorosas e decepções. No entanto, se fechar para “não sentir” não é a solução.

“Costumamos separar a mente das emoções. Estamos tão acostumados a deixar a mente nos dominar que nos esquecemos dos nossos sentimentos e do nosso corpo. Perceba quantas vezes você começa uma frase com a palavra Penso, em vez de Sinto”.
-Elisabeth Kubler Ross-

O que significa “se fechar” diante do que sentimos

Através das paredes que construímos ao nosso redor aprendemos um repertório de desculpas para esconder quem somos. Aprendemos os automatismos, nos adaptando aos preconceitos e estereótipos existentes, buscando uma adequação ao nosso meio ambiente. Nós acreditamos que existe uma maneira de ser e de agir que é normal, e temos que nos aproximar dela o quanto pudermos.

A crença de que há uma maneira apropriada de se comportar é o que nos impede de ser quem realmente somos. Por isso, lutamos constantemente com os nossos sentimentos, com o que queremos, com o que nos motiva e o que nos excita. Gastamos muita energia para não reconhecer os nossos sentimentos.

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Nos fechamos de tal forma que nos tornamos insensíveis à injustiça e às pessoas que amamos. Agimos automaticamente e perdemos totalmente a essência do nosso ser, o carinho e a bondade.

“Fechar-se” aos sentimentos significa a deixar a vida seguir em frente sem nós, porque perdemos a ilusão, a esperança e até mesmo o amor.

Permita-se sentir

Como já vimos, existe uma razão para não se permitir sentir. Você já tentou em muitas situações, não é verdade? Lutou contra si mesmo para se tornar insensível a algo que você não queria experimentar. Tentar evitar a dor é o que nos leva a permanecer no sofrimento.

A maior força que reside dentro de nós é, sem dúvida, a de nos deixarmos sentir e experimentar. Não queremos sentir, temos medo e ficamos presos ou perdidos diante desse estado, lutamos contra os nossos próprios sentimentos.

É necessário vivenciar as situações desagradáveis, uma vez que elas fazem parte do nosso crescimento. A maturidade e a felicidade se desenvolvem através da dor, da angústia e da tristeza. Aprendemos com as experiências, sejam elas agradáveis ou não. Dessa forma, valorizamos o que acontece de bom e benéfico em nossas vidas.

Não existe sorte ou azar no mundo, mas a comparação entre um estado e outro, isso é tudo. Só aquele que experimentou o infortúnio pode sentir a felicidade suprema. É necessário ter desejado morrer, meu amigo, para saber o quanto a vida é boa e bela”
-Alejandro Dumas-

A força reside na vulnerabilidade

Normalmente confundimos vulnerabilidade com fraqueza. A vulnerabilidade faz parte de nos deixarmos sentir do que precisamos, de sermos honestos e aceitarmos que existem muitas coisas que nos afetam, e que nem por isso somos frágeis.

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Quando aceitamos a nossa vulnerabilidade “nos abrimos” para experimentar os sentimentos e as emoções que provocam as interações com os demais. É um estado natural, então por que nos escondemos sob uma máscara que não nos representa e nos faz infeliz? Saia desse esconderijo, decida enfrentar o mundo e mostre-se como você realmente é.

“O que eu sou bastaria, se fosse abertamente”.
-Carl Rogers-

A única forma de autoconhecimento e crescimento pessoal está em nos mostrarmos com as nossas vulnerabilidades. Para isto, é preciso muita coragem, autenticidade, maturidade e grande força interior. Quando você se mostra desta forma natural, consegue obter a mesma resposta do seu meio ambiente: laços sinceros baseados no amor, não em aparências.