Entendendo melhor os amores impossíveis

Entendendo melhor os amores impossíveis

junho 17, 2016 em Psicologia 6 Compartilhados
Entendendo melhor os amores impossíveis

Já aconteceu alguma vez com você? Se apaixonar por alguém que não deveria? Viver amores impossíveis? Seja porque já estava comprometido com outra pessoa, por uma grande diferença de idade, por não ser correspondido, etc. Pela razão que for, era uma pessoa classificada como impossível?

Se já aconteceu alguma vez, saiba que isso é normal, porque o inalcançável costuma ser atrativo, sobretudo na adolescência: o(a) típico(a) aluno(a) que se apaixona pelo(a) professor(a). O problema é quando sempre nos apaixonamos por pessoas impossíveis. Aí já não estaríamos falando de má sorte, mas sim que, inconscientemente, estamos buscando isso.

3 tipos de amores impossíveis

1. O amor fantasma: trata-se de idealizar uma pessoa, atribuindo a ela as características com as quais sempre sonhamos. É chamado de fantasma porque, na realidade, esta pessoa não é como pensamos. Nos enganamos e acreditamos que é exatamente como gostaríamos que fosse e dessa forma nos apaixonamos por algo que não existe.

Em termos de psicologia psicanalítica é chamado também de “amor anaclítico”, o que significa que escolhemos amar alguém concreto porque tem características de alguém muito influente na infância, que satisfazia nossas necessidades.

Neste caso, quando a pessoa se dá conta de que, na verdade, o ser amado não era como pensava, vai se desencantar e decepcionar, então voltará a colocar os pés no chão, deixará de idealizar e verá os defeitos da pessoa que, a princípio, não via por conta da cegueira idealizadora.

2. O amor narcisista: quando se procura alguém parecido conosco ou com as características que gostaríamos de alcançar. É como uma espécie de egoísmo exagerado, em que acreditamos que somos o melhor e queremos encontrar alguém igual.

Essas pessoas estão sempre buscando a pessoa ideal e nunca ninguém parece ser suficientemente bom para elas. Encontrar alguém igual é muito complicado, já que somos seres únicos. Por isso, quem procura este tipo de amor costuma não encontrá-lo.

3. O amor difícil: é aquele que é muito difícil de ser concretizado. Exemplos: um professor e um aluno, uma diferença de idade significativa, um gay e um heterossexual, um paciente e um médico, pessoas casadas ou comprometidas, etc.

Geralmente esse tipo de amor é atraente porque é difícil, mas se for possível concretizá-lo, pode ser que se perca o interesse, já que costuma se tratar de uma atração física passageira. Digamos que costuma se tratar mais de algo passional do que emocional.

Esses três tipos de amor estariam classificados como “impossíveis’ porque costumam gerar conflitos. O primeiro porque, ao idealizar a outra pessoa, cedo ou tarde vamos nos decepcionar quando percebermos que ela não é como imaginávamos; o segundo porque jamais encontraremos alguém igual a nós; e o terceiro porque é muito difícil consegui-lo e, se for possível, raramente daria certo a longo prazo.

Segundo a psicologia psicanalítica, quando nos apaixonamos pelos impossíveis é devido a um complexo de Édipo não resolvido. Nos primeiros anos da infância, apaixonamo-nos por nosso pai ou nossa mãe, mesmo sabendo que não é correto e, dependendo de como isso foi resolvido e o tratamento que nossos pais nos deram diante dessa situação, podemos ficar, para sempre, na situação de nos apaixonarmos por pessoas que não devemos.

O que podemos fazer para escolher melhor e fugir dos amores impossíveis?

Primeiro devemos nos perguntar: por que as pessoas inalcançáveis nos atraem? Tenho medo de me comprometer e, se me fixar nos amores impossíveis, não tenho que passar por isso? Para algumas pessoas, entrar na intimidade amorosa pressupõe estresse, medo e perigo; então, elas se fixam nos impossíveis, desfrutam do amor idílico e, por estes não poderem ser concretizados, sentem-se seguras em sua zona de conforto.

Outra pergunta para a busca da raiz do problema poderia ser: “Estou buscando suprir uma carência da infância?” Por exemplo, se tivemos um mãe autoritária, que pouco nos valorizou, inconscientemente voltamos a nos fixar em alguém inalcançável para reviver essa etapa da infância e conseguir, desta vez, a atenção ou algo emocional que nos faltou.

O essencial é encontrar a resposta para o motivo pelo qual não nos focamos em pessoas mais alcançáveis. O maior motivo costuma ser o fato de não estarmos preparados para embarcar numa relação amorosa, por inseguranças e medos, já que os relacionamentos a dois não são um mar de rosas, mas têm um grau alto de compromisso e responsabilidade. Apaixonando-nos, então, por pessoas impossíveis, desfrutamos dos sentimentos, liberamos adrenalina, sonhamos, somos felizes nos enganando por um tempo, mas, bem lá no fundo, seria aterrorizante que fôssemos correspondidos, porque o amor idílico é muito bonito, mas enfrentar a realidade assusta.

Primeiro trabalhar em si mesmo para depois encontrar um par

Se alguém não se sente bem consigo mesmo, não está preparado para estar com outra pessoa. Esses conflitos internos costumam ser o motivo pelo qual muitas pessoas, inconscientemente, sempre se perdem em laços amorosos que não podem ser concretizados.

Quem não conhece alguém que nunca teve um par estável e vive de ilusões impossíveis e idealizações? Se pensarmos bem e analisarmos, com certeza descobriremos que essa pessoa tem problemas pessoais.

O ideal seria trabalhar a autoestima e a aceitação própria. Uma vez que nos sentirmos bem com nós mesmos, nos amarmos e nos aceitarmos, inclusive com nossos defeitos, estaremos preparados para embarcar numa relação a dois e, seguramente, escolheríamos melhor os possíveis candidatos com quem compartilhar nossa vida.

Imagem cortesia de Pink Sherbet Photograph.

Recomendados para você