Enxergar os outros como instrumentos é fácil, vê-los como pessoas é mais complicado

Enxergar os outros como instrumentos é fácil, vê-los como pessoas é mais complicado

Abril 3, 2017 em Psicologia 509 Compartilhados
Enxergar os outros como instrumentos é fácil, vê-los como pessoas é mais complicado

Desejar o mal alheio ou prejudicar os outros é uma realidade que nos causa repulsa. Contudo, alguma vez você já se viu tentado ou seduzido por esse lado obscuro? Tratar as pessoas como instrumentos para conseguir nossos propósitos é muito mais fácil. Se você deseja ser o melhor da empresa, basta boicotar o trabalho dos seus colegas. É um caminho muito mais curto para conseguir o que você deseja e também o que lhe dará uma satisfação com menos demora. Em parte não é isso que sempre cobiçamos?

O ser humano sempre procura a satisfação imediata do que deseja. Recuperando o exemplo anterior, não nos serve dar tudo de nós, nos esforçarmos e esperar meses até conseguir, de forma honesta, alcançar a nossa meta. Se pudermos encurtar este tempo, por que não? É assim que pensam os que se deixam levar pelo que consideramos que está errado. Deixam de tratar os outros como pessoas para começar a usá-los como instrumentos: obstáculos ou meios para os seus fins.

“Todos temos um lado obscuro, portanto é necessário uma luta contínua para fazer o correto. O lado luminoso é compaixão e preocupação pelos outros. O lado obscuro é cobiça e egoísmo.”
-George Lucas-

Os mecanismos de sedução do mal

Todos conhecemos pessoas boas que acabaram se tornando ruins. Indivíduos manipuladores, de caráter muito ruim, que começaram a fazer o que antes sofriam em suas próprias peles. Este é o primeiro mecanismo de sedução do mal. Sentir-nos machucados pelo que nos fizeram,  perceber-nos como vítimas das circunstâncias, não merecedores de todo o dano gratuito recebido. Cansados de todas as adversidades, uma após outra, o rancor se apodera de nós e nos transformamos em quem não queremos ser.

Uma pessoa maltratada pode se transformar em um agressor. Alguém objeto de críticas pode adotar o papel de crítico. Depois de tanta dor a gente decide parar de “ser bobo” e agir como os outros fizeram conosco. Não somos conscientes de que o alvo de nossos atos são pessoas inocentes. Um grupo ao qual pertencemos algum dia.

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Contudo, também existe outro mecanismo de sedução do mal que nos leva a tratar os outros como instrumentos, e não como pessoas: ver como os que se encontram ao nosso redor alcançam o poder com as suas ações ruins. Nós os odiamos, pois têm tanta sorte e são tão ruins! Todas essas emoções negativas nos levam a querer reproduzir seus atos, porque a nossa própria honestidade não nos proporciona a sorte que eles estão tendo.

“Tenha cuidado com a pedra que você lança hoje, esta pode ser a mesma na qual você pode tropeçar amanhã.”
-Anônimo-

Se abrirmos os olhos, poderemos perceber que nos deixamos envenenar. É como se estivéssemos em uma fruteira rodeada de maçãs podres. Quando não nos afastamos dessa situação, dessas pessoas, acabamos também infectados. Contaminados por esse mal tão sedutor que nos faz tratar os outros como instrumentos para satisfazer nossas necessidades ou, simplesmente, provocar a dor que uma vez recebemos.

As pessoas se sentem atraídas pelo poder

Em tudo que foi mencionado até agora estivemos em contato com o rancor e com essa sensação de “se sentir bobo” vendo os outros se comportarem mal e obterem os resultados que nós gostaríamos de alcançar. Mas, sob tudo isto há uma poderosa razão pela qual o lado obscuro nos absorve e pela qual deixamos de ver as pessoas como tais e começamos a observá-las como objetos: o poder.

Assumir o controle nos dá poder, dominar também, manipular, mentir, prejudicar… Tudo isto é feito intencionalmente e, às vezes, sem querer destruir por completo a outra pessoa se com isto saímos beneficiados. Agora temos o controle da situação e isso alimenta a nossa própria vontade ainda mais. Nos deixamos levar. Até onde seremos capazes de chegar?

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Ainda que tratar os outros ignorando seus sentimentos possa nos fazer sentir bem por um momento, o fato é que a longo prazo isso irá nos amargar e entristecer. Como seres humanos procuramos o bom porque isso nos faz sentir em paz. Embora o mal de alguma forma nos beneficie ou nos permita obter “justiça“, o resultado não será o mesmo.

“A sedução do lado obscuro começa com um diabólico jogo de flerte. Com uma mistura de emoção e sentimento de culpa. Até que a gente acaba por se entregar e deixa de lado o arrependimento.”
-Antonio Crego-

O poder que o mal nos proporciona nos seduz. Esse flerte inocente que podemos manter a princípio irá se transformar em uma coisa que não terá volta atrás se não tivermos cuidado. Tratar os outros como objetos pode nos permitir conseguir o que desejamos, mas nos afastará do equilíbrio, da paz, da felicidade. Não esqueçamos que ao nos comportarmos assim existe um preço a pagar: o de sacrificar o nosso ser para ter. Vale a pena?

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Imagens cortesia de Catrin Welz Stein.

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