Erik Erikson, um psicanalista diferente - A Mente é Maravilhosa

Erik Erikson, um psicanalista diferente

Maio 24, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Erik Erikson, um psicanalista diferente

Erik Erikson foi um psiquiatra alemão que realizou grandes contribuições para a compreensão da mente humana. Nasceu em Frankfurt em 1902. Morreu quase um século depois, em 1994, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Seu nome é um dos mais conhecidos no campo das ciências da mente.

A principal contribuição de Erik Erikson deu-se em termos da psicologia evolutiva. Postulou a existência de oito idades do homem, cada uma tendo suas próprias características, conquistas e perdas. Embora tenha se formado e trabalhado como psicanalista, suas abordagens foram retomadas pela chama psicologia humanista.

“Na selva social da existência humana, não existe sensação de estar vivo sem um senso de identidade”.
– Erik Erikson-

Como acontece com frequência na vida dos grandes psicólogos e psicanalistas, a infância de Erik Erikson não foi isenta de problemas. Seu pai abandonou sua mãe assim que ele nasceu. A mãe de Erikson era uma jovem dinamarquesa que assumiu a criança sozinha durante seus primeiros anos de vida. Mais tarde, casou-se com um pediatra de origem judia.

A juventude de Erik Erikson

A mãe de Erik Erikson ocultou dele que seu pai os havia abandonado. Talvez por isso tenha crescido sendo uma espécie de rebelde sem causa. Era desalinhado e não tinha objetivos claros para a sua vida. Apesar de ser um bom aluno, não se destacava muito e todos os achavam distraído e também inquieto.

Menino olhando por janela em chão

Quando terminou a escola, decidiu que queria ser artista. Assim, começou uma etapa marcada pela instabilidade. Ia às aulas e alternava essa atividade com viagens a diferentes lugares da Europa, para conhecer as manifestações artísticas do continente. Às vezes andava como um mendigo e dormia debaixo das pontes.

Muito tempo depois, Erik Erikson escreveu uma obra que recebeu o nome de “Notas autobiográficas sobre a crise de identidade”. Nela, fala sobre aqueles anos nos quais não sabia exatamente que rumo tomar.

A formação inicial

Quando Erikson completou 25 anos, tinha vontade de mudar o rumo de sua vida. Um amigo o aconselhou a pegar uma vaga disponível em uma escola experimental. Esta era dirigida por Dorothy Burlingham, que, por sua vez, era muito amiga de Anna Freud. Foi aí que começou a se encontrar consigo mesmo e a formular um projeto de vida.

Ele se interessou pela pedagogia e, assim, obteve um certificado em “Educação Montessoriana”. Logo, e graças à influência de Anna Freud, realizou estudos de psicanálise infantil no Instituto Psicanalítico de Viena. Mais adiante, decidiu se tornar analista e foi a própria Anna Freud quem lhe fez uma psicanálise – condição exigida para iniciar sua prática como terapeuta.

Erik Erikson

Mais tarde, Erik Erikson se casou com uma bailarina e, anos depois, teve que enfrentar os problemas da Segunda Guerra Mundial. Isso fez com que ele migrasse para os Estados Unidos, onde se tornou professor na Universidade de Harvard. Lá, ele fez algumas amizades que o nutriram significativamente. Depois, trabalhou na Universidade de Yale e na da California.

A teoria evolutiva de Erik Erikson

Embora ele tenha trabalhado com uma ampla gama de temas, foi a sua teoria do desenvolvimento psicossocial que o levou a ter um lugar próprio no mundo da psicologia. Nela, integrou conhecimentos de pedagogia, psicanálise e antropologia cultural. O que ele fez foi uma reinterpretação das fases do desenvolvimento psicossexual sugeridas por Sigmund Freud.

Crescimento de uma pessoa

Erikson criou a psicologia do Eu, a qual considera a força essencial da vida humana. Esta teoria concedeu-lhe uma grande importância no aspecto social e no desenvolvimento biológico como elementos determinantes na vida do indivíduo.

Defendeu que em cada uma das etapas da vida são adquiridas certas competências específicas, que determinam a evolução seguinte. Tais competências são de ordem basicamente psicossocial e implicam um conflito entre o estado anterior e o novo.

As oito idades do homem, segundo Erik Erikson, são, em ordem:

  • Confiança vs. Desconfiança
  • Autonomia vs. Vergonha e dúvida
  • Iniciativa vs. Culpa
  • Habilidade vs. Inferioridade
  • Busca de identidade vs. Confusão de papéis
  • Intimidade vs. Isolamento
  • Generatividade vs. Estagnação
  • Integridade vs. Desespero

A teoria de Erik Erikson teve um importante impacto na psicologia norte-americana, e depois em todo o mundo. Hoje em dia ele continua exercendo uma forte influência na pesquisa e no campo terapêutico. Trata-se de um enfoque interessante e profundamente humano.

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