Teoria das etapas da vida de Erikson - A Mente é Maravilhosa

A teoria das etapas da vida de Erikson

Janeiro 21, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
A teoria das etapas da vida

Às vezes vemos como a psicologia do desenvolvimento se concentra no estudo de aspectos muito específicos do mesmo, como o surgimento da capacidade simbólica ou os estilos de criação. No entanto, o estudo de uma visão do desenvolvimento a partir de uma perspectiva global nos fornece informações muito úteis. Conhecer as etapas da vida de um indivíduo, desde que nasce até quando morre, nos ajuda a entender a vida das pessoas. É aqui que entra a teoria das etapas da vida de Erikson.

Erikson, através da sua teoria, se transformou em um dos precursores do estudo do ciclo da vida. E, apesar de sua obra ser extensa, a sua teoria das etapas da vida é um de seus modelos que mais recebeu reconhecimento. Nesta teoria, ele estabelece 8 estágios que representam uma mudança ou evolução na identidade pessoal ao longo do ciclo da vida. A seguir, ao longo desse artigo, vamos explicar brevemente cada uma das diferentes etapas dessa teoria.

A teoria das etapas da vida de Erikson estabelece 8 estágios que representam uma mudança na identidade pessoal ao longo do ciclo da vida.
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Erik Erikson

A teoria das etapas da vida de Erikson

A principal característica que apresentam os diferentes estágios que esse autor expõe é a bipolaridade. Cada uma das etapas seria formada por dois polos: um positivo e outro negativo. O indivíduo deve enfrentar esses polos socialmente criados para poder se adaptar ao contexto e desenvolver sua identidade da maneira esperada. Cada etapa será uma crise que o indivíduo vai tentar superar para progredir ao longo do seu ciclo de vida.

Confiança vs. Desconfiança básica

Essa seria a primeira etapa do ciclo de vida, desde 0 a 1 ano de idade. Nesse estágio, o bebê deve desenvolver uma atitude de confiança em relação aos seus progenitores. Portanto, se houver estabilidade nos cuidados que recebe, a criança vai criar a expectativa de que, mesmo que as coisas possam ir mal durante um tempo, logo vão melhorar. Superar essa etapa significa conseguir confiar nos outros frente à “incerteza” que o desconhecido possa inspirar.

Autonomia vs. Vergonha e dúvida

É a segunda etapa do ciclo da vida e aparece por volta dos 2 ou 3 anos de idade. Nessa idade, a criança se vê forçada a dar passos na direção da sua autonomia.  Ela deve comer sozinha, se vestir sozinha, se opor aos pais, etc. Ela deve, contudo, conciliar seu desejo de autonomia com as normas sociais que seus pais representam ou impõem.

Começar a realizar atividades autônomas pode fazer aparecer as dúvidas em relação a se possui ou não a capacidade de levar adiante tarefas dessa maneira. Mas o sucesso adaptativo consiste em transformar essa incerteza em um desafio que alimenta a motivação da criança para crescer, dentro dos limites impostos pela sociedade.

Criança diante de vidro com desenhos

Iniciativa vs. Culpa

Representa a terceira das etapas da vida de Erikson e acontece entre os 3 e 6 anos de idade. É o momento em que a criança toma a iniciativa para tentar conquistar objetivos pessoais. Mas ela nem sempre será capaz de conquistá-los, pois em inúmeras ocasiões vai se chocar com os desejos dos outros. A criança, então, deverá aprender a procurar metas realizáveis e, assim, conseguir um propósito que lhe permita perseguir objetivos significativos.

Construtividade vs. Inferioridade

Esse é o quarto estágio do ciclo vital, essa crise aparece por volta dos 7 até os 12 anos. A criança deve aprender a lidar com as ferramentas culturais, enquanto se compara com seus iguais. É essencial para começar a trabalhar ou brincar com os colegas.

A sociedade nos oferece métodos e cultura de cooperação que o indivíduo deve entender para obter competência e desempenho. No entanto, se não for assim, vai ser conduzida a uma sensação de inferioridade em relação aos outros.

Identidade vs. Confusão de papéis

Essa etapa é a quinta do ciclo vital e aparece na adolescência. O adolescente passa por uma série de mudanças físicas junto com o aparecimento de novas demandas sociais. Isso vai provocar nele uma sensação de confusão sobre seus papéis e o seu autoconceito.

Por isso, o indivíduo deverá se empenhar nos âmbitos ideológico, profissional e pessoal para conquistar o desenvolvimento da identidade. 

Mãe conversando com seu filho adolescente

Intimidade vs. Isolamento

O sexto estágio das etapas da vida de Erikson aparece ao longo do começo da fase adulta ou juventude. A pessoa deve enraizar sua identidade para concretizar um vínculo com outras pessoas. Ela deve encontrar elos de união “com os outros indivíduos” para, assim, obter uma fusão de identidades, mas mantendo sua identidade pessoal. Superar essa etapa significa ter adquirido a capacidade de ter relações de afeto de diferentes tipos, frente a um isolamento social.

Produtividade vs. Estagnação

Sétima e penúltima etapa do ciclo vital, abarca grande parte da vida adulta. Muito além da identidade e da intimidade, a pessoa deve se comprometer com os outros, com seu trabalho, com seus filhos, conseguindo assim uma vida produtiva. A necessidade do adulto de conquistar uma vida produtiva o protege da estagnação e o ajuda a seguir em frente com suas metas e seus propósitos.

Integridade do Eu vs. Desesperança

A última fase do desenvolvimento global do ser humano acontece ao longo do final da vida adulta ou da velhice. Para conseguir ter satisfação com a própria vida, o indivíduo deve olhar para trás e estar de acordo com as decisões de vida que tomou. Assim, uma avaliação positiva dos objetivos e das decisões tomadas constituem uma integridade do eu, que dá forma a uma imagem completa e significativa de si mesmo. Em contrapartida, uma visão negativa da própria vida pode supor sentimentos de desesperança e impotência.

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