Esclerose múltipla: causas, sintomas e tratamento

Esclerose múltipla: causas, sintomas e tratamento

dezembro 28, 2017 em Psicologia 327 Compartilhados
Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença de ordem crônica do sistema nervoso central. Ela está presente no mundo todo e constitui a causa mais frequente de alteração neurológica nos jovens e nos adultos de meia-idade, principalmente nas mulheres.

Envolvendo e protegendo as fibras nervosas do sistema nervoso central há um material composto por proteínas e gorduras chamado mielina, que facilita a condução dos impulsos elétricos entre essas fibras. Na esclerose múltipla, a mielina se perde em várias áreas, às vezes deixando cicatrizes (a esclerose). Essas áreas lesionadas também são conhecidas com o nome de placas de desmielinização.

A mielina não apenas protege as fibras nervosas, mas também facilita seu funcionamento. Se a mielina for destruída ou lesionada, a habilidade dos nervos de conduzir impulsos se reduz drasticamente. Felizmente, a lesão da mielina é reversível em muitos casos.

A esclerose múltipla é definida como um transtorno inflamatório da substância branca do sistema nervoso central e se caracteriza por áreas multifocais de desmielinização, perda de oligodendrócitos, astrocitose e relativa imunidade dos axônios.

Conexões neuronais

Qual é a causa da esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é de etiologia desconhecida. Sua causa não está clara e vários mecanismos foram apontados. Entre eles estão incluídos fatores imunitários, hereditários e infecciosos.

O papel exato da infecção viral no início e a manutenção da esclerose múltipla é desconhecido. Mesmo assim, vários vírus foram estudados em relação a essa doença. O vírus Epstein-Barr foi relacionado com a desmielinização (perda das bainhas de mielina). Nas crianças, há evidências da vulnerabilidade com a exposição a esse vírus.

Entre os fatores ambientais, os vírus são os agentes mais estudados como desencadeantes ou determinantes da doença. Suspeita-se que os vírus agem sobre os oligodendrócitos, modificando-os na infância e condicionando posteriormente uma resposta imunológica anômala (alterando a correta mielinização).

Sobre a predisposição genética, a relação parece mais clara. Em estudos sobre gêmeos univitelinos, o risco de sofrer de esclerose múltipla é de 31%, ao passo que em bivitelinos é de aproximadamente 5%.

Em famílias com casos de esclerose múltipla, o risco de contrair a doença é de 2 a 5%, enquanto na população geral é de 0,1%.
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Sintomas da esclerose múltipla

O começo do quadro clínico pode ser tão leve que a pessoa não sente a necessidade de procurar um médico. Os sintomas iniciais mais frequentes são fraqueza de um ou vários membros, visão embaçada, alteração da sensibilidade, visão dupla (diplopia) e dificuldade para coordenar os movimentos (ataxia).

Também é comum a fraqueza das extremidades, fadiga após fazer exercícios, dificuldade para subir escadas, perda da destreza e aumento do tônus muscular. Esses sintomas costumam aparecer gradualmente.

A fadiga, o sintoma mais comum

A fadiga é o sintoma mais comum na esclerose múltipla, atingindo 2/3 dos pacientes. Metade desses pacientes descreve esse sintoma como a sensação mais desagradável, afetando visivelmente a qualidade de vida.

Essa incapacidade se associa frequentemente com a depressão e com outros fatores que contribuem para a fadiga, incluindo disfunção motora, límbica, dos gânglios basais ou de áreas do hipotálamo.
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A fadiga reduz de maneira muito significativa e dramática a qualidade de vida das pessoas que sofrem de esclerose múltipla. Portanto, é um fator que deve ser levado em consideração, mas que, ao mesmo tempo, é de difícil manejo e interpretação, devido à subjetividade da percepção.

A perda de energia afeta tanto as habilidades motoras quanto as cognitivas e deve ser diferenciada da fraqueza, da sensação de perda de energia e da dificuldade de concentração. Por isso, é necessário realizar um diagnóstico diferenciado da fadiga na esclerose múltipla em relação a quadros clínicos como a depressão, os transtornos motores, a patologia da tireoide, os efeitos colaterais de medicamentos como os antiespasmódicos e agentes imunossupressores.

Médico explicando exame a paciente

Ocorrência de surtos

Os surtos (recaídas, reincidências, agravamento) são muito típicos da esclerose múltipla. Eles se caracterizam por sintomas de disfunção neurológica de mais de 24 horas de duração.

Para reconhecer a existência dos surtos, eles devem afetar diferentes partes do sistema nervoso central e estarem separados por um período de tempo de pelo menos um mês. Esse desaparecimento dos sintomas é definido como remissão, sendo característica uma melhoria ou o desaparecimento dos sintomas e dos sinais que duram pelo menos 24 horas.

Sintomas auxiliares

Existe um grupo de sintomas auxiliares que, quando expressados clinicamente, respaldam o diagnóstico da esclerose múltipla. São os seguintes:

  • Sintoma de Lhermitte: caracteriza-se por uma sensação de descarga elétrica que percorre toda a coluna vertebral. Às vezes chega até os braços ou as pernas. Essa sensação aparece quando a pessoa inclina o pescoço para frente.
  • Sensibilidade ao calor.
  • Sintoma de Uhthoff: piora clínica em relação ao aumento da temperatura corporal, seja ela provocada por fatores externos (meses do verão, imersão em água quente, tabaco) ou fatores internos (febre, exercício intenso, menstruação).
  • Ataques paroxísticos: os transtornos do movimento paroxístico são aqueles que se apresentam brusca e intermitentemente, com normalidade ou pelo menos ausência de movimentos anormais intercorrentes. São pouco frequentes e com uma elevada incidência familiar. A forma mais frequente é a distonia paroxística.
A evolução da esclerose múltipla é incerta, contudo a tendência é para o agravamento com grandes dificuldades físicas, comprometimento psíquico e cognitivo.
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Tratamento da esclerose múltipla

Infelizmente não existe, nesse momento, um tratamento capaz de curar a doença ou alterar positivamente seu curso clínico natural. A longo prazo, o objetivo é tentar diminuir o número de surtos, as sequelas e a progressão da incapacidade física. Para isso, basicamente, são usados imunossupressores (azatioprina, ciclofosfamida, metrotrexato) e interferons (alfa).

Por outro lado, para o tratamento do surto, são utilizados corticoides em doses altas durante curtos períodos de tempo (de 3 a 5 dias). Identificar corretamente o surto é essencial para poder estabelecer o diagnóstico e formular uma abordagem terapêutica correta.

A sintomatologia do surto é a expressão de uma ou de várias lesões fruto de um processo inflamatório localizado no sistema nervoso central e, por isso, seu tratamento está voltado para controlar o processo inflamatório, especialmente com corticosteroides.

Tratamento dos sintomas

O tratamento sintomático pode ser resumido da seguinte maneira:

  • Epasticidade: baclofeno, diazepam, dantrolene sódico…
  • Fadiga: amantadina, modafinil, metilfenidato…
  • Dores: carbamazepina, fenitoína, gabapentina, pregabalina…
  • Hiperreflexia vesical: oxibutinina, betanecol…
  • Déficit cognitivo: donepezil, interferon beta, memantina…

Esclerose múltipla

Tratamento reabilitador

É extremamente importante o tratamento reabilitador com o objetivo fundamental de prevenir a deficiência e a invalidez do paciente ou, pelo menos, reduzi-las na medida do possível.

O paciente precisa treinar novas habilidades, reforçando os sistemas saudáveis. Dessa maneira, a pessoa será capaz de manter uma certa independência. Para isso, é imprescindível adaptar ou modificar o ambiente social e profissional do paciente. Além disso, são essenciais o apoio psicológico de educação e suporte ao paciente, à família e aos cuidadores.

Recomenda-se realizar tratamento reabilitador multidisciplinar adequado ao momento evolutivo da pessoa com esclerose múltipla, pois pode melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde e ao funcionamento das atividades da vida diária. Muitas das organizações de pessoas com esclerose múltipla costumam contar com esse tipo de tratamento voltado a uma reabilitação integral.

Bibliografia

Poser CM, Brinar VV. Criterios diagnósticos para la esclerosis múltiple; FEDEM, Rev 14, 1–19.

Harrison: Principios de Medicina Interna, Vol. 2; Editorial Interamericana, 13ª edición.

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