Escrevo porque não tenho outra maneira de beijá-lo

Escrevo porque não tenho outra maneira de beijá-lo

10, outubro 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Eu escrevo porque não tenho outra maneira de beijá-lo

Eu escrevo porque sinto a sua falta, porque você se foi e só deixou uma mensagem como despedida. Eu escrevo porque já não sei se alguma vez você me amou, porque preciso que as palavras no papel me digam como eu me sinto. Eu escrevo porque neste momento, não tenho outra maneira de beijá-lo.

Escrever sobre o que pensamos é o mesmo que falar sobre o que sentimos. Isto nos ajuda a refletir sobre muitos fatos que nos causam sofrimento e a encontrar a cura. O amor é um desses fatos que nos traz muitas tristezas e alegrias.

Dizem que é preciso um tempo de seis meses a um ano para superar um rompimento, o final de um romance. Mas na verdade, eu ainda quero beijá-lo, porque existem pessoas que são difíceis de esquecer. Nesses casos, o que devemos fazer é utilizar todas as nossas armas emocionais para superar a tristeza, e uma delas é a escrita.

A escrita como uma forma de curar as feridas

Como Walter Riso diz em seu “Guia prático para não sofrer de amor”, “Nem todo desamor é ruim e nem todo amor é sustentável”. Isto porque muitas vezes, um rompimento é libertador. A incerteza sobre o amor do outro é muito pior que a certeza de um desamor.

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À medida que crescemos e nos tornamos adultos, aprendemos o que queremos e o que não queremos do amor. No entanto, um rompimento é um rompimento e muitas vezes deixa marcas invisíveis. Nestes casos, é hora de utilizar a nossa inteligência emocional.

A inteligência emocional, um conceito criado por Daniel Goleman nos anos 90, é a nossa capacidade de identificar, compreender, expressar e regular as nossas emoções e as dos outros de forma eficaz e produtiva.

Uma das formas de realizar essa identificação e compreensão é através da escrita. Escrever à mão, deixando que ela se mova e mostre através das palavras cada um dos nossos sentimentos, sabendo que ninguém vai nos julgar, pode nos ajudar a curar as feridas.

As palavras escritas que curam as feridas físicas

Na revista “Psychosomatic Medice” foi publicado há alguns anos um estudo realizado pela psicóloga Elisabeth Broadbent, intitulado “A escrita expressiva e a cicatrização de feridas em pessoas mais velhas”. Neste estudo, ela afirma que a escrita funciona como um cicatrizante para histórias tristes ou sentimentos profundos da pessoa.

O experimento foi realizado com 49 participantes entre 64 e 97 anos, que foram submetidos à uma biópsia que deixou uma ferida nos braços. Eles foram convidados a escrever vinte minutos por dia e a cada quatro ou cinco dias a sua ferida era fotografada até a cura total.

Metade das pessoas escrevia sobre as suas experiências traumáticas e emoções e a outra metade escrevia sobre o seu dia a dia sem mencionar os sentimentos. Após onze dias, 76% do primeiro grupo tinham a ferida cicatrizada contra 42% do segundo grupo.

A razão para este resultado, segundo esse estudo, é que “o estresse e a depressão estão associados a uma cicatrização mais lenta das feridas”. (…) “Até agora somente havia sido investigado como reduzir o estresse em pessoas mais velhas através do exercício físico”. (…) “Uma alternativa viável pode ser a escrita expressiva, que é curta, fácil de administrar e barata”.

Quando se trata de amor, há uma ferida invisível que machuca o coração, e essa dor pode ser aliviada pela escrita. Portanto, recomenda-se deixar ir, escrever sem pensar e deixar que as palavras fluam do seu cérebro para o papel, liberando pouco a pouco a sua tristeza.

Eu escrevo porque não posso beijá-lo

Escrevo para dizer que amo você e que nunca o esquecerei, para beijá-lo porque já não posso chegar perto dos seus lábios. Escrevo porque há dois pratos e dois copos sobre a mesa e o seu cheiro está impregnado nos meus lençóis. Eu escrevo porque ao escrever cada palavra derramo uma lágrima que dilui a tinta, mas também a sua lembrança.

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