Escrupulosidade: quando a autodisciplina nos aproxima do sucesso

31 Dezembro, 2020
Além da inteligência ou do talento, existem traços da personalidade que nos permitem alcançar o sucesso. A escrupulosidade é um deles porque implica uma elevada autodisciplina e uma orientação notável para a realização.

O que sabemos sobre o traço psicológico da escrupulosidade? No âmbito dos recursos humanos e das teorias da personalidade, é comum associar essa característica ao sucesso e também a aspectos interessantes que nos aproximam da realização de grandes objetivos.

Isso é verdade? Homens e mulheres escrupulosos são figuras de irrefutável competência e solvência pessoal? Parece que sim. Pesquisadores como Paul Tough, autor do conhecido livro Como as crianças aprendem: o papel da garra, da curiosidade e da personalidade no desenvolvimento infantil, destaca que essa característica está presente nas figuras que alcançam seus objetivos vitais.

Agora, também há quem veja esse tipo de característica com algum desconforto, desconfiando dessas pessoas porque elas são particularmente perfeccionistas e exigentes consigo mesmas. A escrupulosidade não deixa espaço para o descuido, o erro, e muito menos para a procrastinação. Essas pessoas exibem aos olhos dos outros um certo vício pelo trabalho e uma orientação à realização que pode, às vezes, parecer excessiva.

É verdade que a cultura popular filtra essa tipologia de personalidade com uma certa negatividade. No entanto, podemos ficar agradavelmente surpresos se a analisarmos em detalhes.

Homem concentrado

Escrupulosidade: em que consiste esse traço da personalidade?

À medida que as pesquisas sobre a escrupulosidade como traço de personalidade avançam, tomamos consciência de um aspecto: estamos diante de uma dimensão que é tão desejável quanto benéfica em todos os sentidos. Estudos como o realizado pelo psicólogo Brent Walter Roberts, da Universidade de Illinois, dizem que estamos diante de uma construção relacionada à qualidade de vida.

Além disso, em muitos cenários relacionados ao desenvolvimento humano, o âmbito corporativo ou o crescimento pessoal, a consciência é vista como uma das principais dimensões do sucesso ao longo da vida. Estamos exagerando? Se analisarmos um pouco mais detalhadamente, descobriremos que há pouco de excessivo e muito de interessante.

A perseverança

A psicóloga Angela Duckworth, da Universidade da Pensilvânia, é autora do livro Garra: o poder da paixão e da perseverança, um trabalho sobre como as pessoas alcançam o sucesso. Ela conta algo interessante nessa obra. O talento e a inteligência não são duas variáveis ​​que orientam o ser humano rumo à felicidade ou ao sucesso de forma inevitável.

Na verdade, um dos traços que mais podem nos ajudar a atingir o topo do bem-estar e da satisfação é a escrupulosidade. Nela, a perseverança, a orientação à realização e o esforço diário estão integrados ao que se deseja.

Da mesma forma, a pessoa escrupulosa demonstra um elevado autocontrole, dedicação e responsabilidade consigo mesma e com seus objetivos. Todas essas áreas são o que constroem o verdadeiro caminho para o sucesso.

Planejamento e responsabilidade

A escrupulosidade é o oposto da impulsividade. A pessoa com esse traço de personalidade nunca age sem pensar nem deixa nada ao acaso. Elas são planejadoras, autoexigentes, perfeccionistas, e definem metas diárias viáveis ​​que podem assumir de forma simples.

Ao mesmo tempo, elas assumem a responsabilidade por si mesmas em todas as áreas de suas vidas, sempre tentando dar o melhor das suas capacidades.

Constância e competência

As pessoas definidas pela escrupulosidade são diligentes e minuciosas. Quando surge algum problema, elas não perdem a calma e concentram todos os seus recursos na solução desse incidente.

Além disso, se cometem algum erro, raramente desmoronam. Elas são constantes e têm uma grande resistência à frustração, o que lhes permite aprender com os erros e experimentar novas formas de fazer até atingir o sucesso.

O que você mostra aos outros importa

A imagem que mostramos aos outros também define parte de quem somos, e isso é relevante para a figura definida pela escrupulosidade.

As pessoas que apresentam essa característica se veem como homens e mulheres competentes, e essa essência é o que também procuram mostrar aos outros.

A arte da deliberação

A boa arte da deliberação é o recurso que otimiza as decisões mais eficazes e bem-sucedidas. Algo assim é alcançado a partir da escrupulosidade que foca na capacidade de deliberar corretamente. O que isso significa? Significa que antes de tirar uma conclusão, cada aspecto e cada variável devem ser considerados.

A pressa nunca é uma boa companhia, então o ideal é ir com calma e refletir antes de agir.

A escrupulosidade e a autodisciplina

Podemos afirmar com segurança que a escrupulosidade sempre anda de mãos dadas com uma elevada autodisciplina. Seguir horários, traçar metas diárias, superar um pouco mais a cada dia, ser exigente consigo mesmo e assumir as rédeas do autocontrole são, sem dúvida, os pilares em que essa personalidade se baseia.

Observar o horizonte

O autocuidado é importante

Se há algo que define uma mulher ou um homem escrupuloso, é a coerência. Sua autodisciplina não se restringe apenas ao campo profissional, ao seu desejo de atingir metas e objetivos. Para essas pessoas, também é importante o autocuidado, preocupar-se com sua qualidade de vida, cuidar dos relacionamentos… Uma vida plena também exige disciplina e saber o que é mais decisivo em todos os momentos.

Para concluir, a escrupulosidade se define, antes de tudo, por ter um locus de controle interno. Assim, quando a pessoa tenta garantir que cada situação esteja sob o controle de suas próprias competências, esforços e determinações, há uma maior satisfação existencial.

Estamos diante de uma série de traços de personalidade que todos podemos treinar em nossas vidas. Nunca é tarde para começar.

  • Javaras, K. N., Williams, M., & Baskin-Sommers, A. R. (2019). Psychological interventions potentially useful for increasing conscientiousness. Personality Disorders: Theory, Research, and Treatment10(1), 13–24. https://doi.org/10.1037/per0000267
  • Roberts, B. W., Lejuez, C., Krueger, R. F., Richards, J. M., & Hill, P. L. (2014). What is conscientiousness and how can it be assessed? Developmental Psychology50(5), 1315–1330. https://doi.org/10.1037/a0031109