Você sabe o que a escuta ativa implica nas nossas relações?

Você sabe o que a escuta ativa implica nas nossas relações?

agosto 21, 2017 em Psicologia 372 Compartilhados
Você sabe o que a escuta ativa implica nas nossas relações?

Sabemos escutar as pessoas ou somente nos limitamos a ouvir o que elas dizem sem levar em consideração o significado emocional das suas palavras? Para uma boa comunicação interpessoal, é preciso fazer uso da escuta ativa.

São muitas as definições propostas para a habilidade da escuta ativa, mas todas concordam que se trata de uma habilidade que tem dois ingredientes essenciais: a compreensão e o cuidado. Essas duas características compõem a base da escuta ativa.

No contexto da escuta ativa, empreendemos grande parte dos nossos recursos em tentar entender a mensagem da pessoa que escutamos falar.  Além disso, damos informações ao nosso interlocutor de que estamos ou não entendendo aquilo que está sendo transmitido.  Significa, portanto, estar psicologicamente disponível e atento às mensagens de quem está falando.

O contrário da escuta ativa seria a escuta distraída. Na escuta distraída, estamos presentes no lugar em que acontece o diálogo, mas nossa mente está priorizando outros discursos em detrimento daquele que está sendo compartilhado conosco no momento. Com essas ações, estamos desvalorizando aquilo que está sendo transmitido no momento do diálogo. Isso afetaria negativamente a nossa capacidade de captar o conteúdo da mensagem emitida pelo nosso interlocutor. Nesse sentido, a escuta ativa serve, entre outras coisas, para ter empatia e compreender as emoções das outras pessoas.

Praticar a escuta ativa

A falta de comunicação da qual sofremos hoje em dia se deve, em grande parte, àquelas pessoas que não sabem escutar.  Passamos mais tempo preocupados com os nossos próprios discursos e em deixar claro o nosso ponto de vista que com o que a outra pessoa quer compartilhar e, assim, se perde a essência da comunicação. Existe a crença errônea de que se escuta de forma automática, mas não é assim. Escutar requer, em muitas situações, um esforço superior ao que fazemos quando falamos.

 “Se quiser ser sábio, aprenda a questionar racionalmente, a escutar com atenção, a responder serenamente e a ficar em silêncio quando não tiver nada a dizer.”
-Johann Kaspar Lavater-

Se queremos escutar as pessoas de verdade, devemos transcender as palavras

Apesar da importância que costumamos atribuir à comunicação verbal, entre 65 e 80% do total da nossa comunicação com as pessoas é realizado por meio de canais não verbais. Para que uma comunicação seja eficaz, o mais adequado é que haja coerência entre o discurso e a expressão não verbal. Nesse sentido, na escuta ativa encontramos um paralelismo: é tão importante escutar quanto fazer a outra pessoa sentir que estamos escutando.

A escuta ativa significa escutar e entender a comunicação a partir do ponto de vista da pessoa que fala.  Nos referimos à habilidade de escutar não apenas o que a pessoa está expressando diretamente, mas também os sentimentos, as ideias ou os pensamentos que estão por trás daquilo que ela está dizendo. Para conseguir entender alguém é preciso certa empatia, ou seja, saber se colocar no lugar da outra pessoa e tentar entender como ela se sente nesse lugar.

Praticar a escuta ativa

A linguagem não verbal afeta a forma como agimos e reagimos, seja em relação às pessoas ou a nós mesmos. Escutar mais além das palavras é entender, compreender ou dar sentido a aquilo que se ouve e aquilo que se vê.  Compreender a pessoa com a qual estamos conversando, em todas as dimensões daquilo que ela quer nos dizer, não significa concordar com tudo o que ela está dizendo, mas escutar com interesse manifesto o que nos diz.

 “Quando alguém nos escuta, ocorre um ilimitado prazer no cérebro, semelhante ao da comida e do dinheiro.”
-Adelina Ruano-

Praticar a escuta ativa é o melhor remédio contra a solidão

A maioria das pessoas gosta mais de falar que de escutar. Ao falar de nós mesmos, ativamos áreas cerebrais relacionadas ao prazer. Por esse motivo é normal, até certo ponto, preferir ouvir a nós mesmos que às outras pessoas.

Dale Carnegie escreveu um livro que nos Estados Unidos chegou a ser mais lido que a Bíblia. Seu título era “Como fazer amigos?” e na realidade foi um tratado para um país que utilizou sua filosofia e seu método para melhorar as relações humanas. Darnegie se concentrou em como a confiança que se cria com a escuta ativa influenciava positivamente as relações pessoais, criando novas e fortalecendo as já estabelecidas.

Praticar a escuta ativa

Escutar de forma ativa nos dá a oportunidade de criar uma rede social na qual prevaleça a cumplicidade. Escutar o outro deixando de lado o que estamos fazendo, estando atentos mesmo que o que a pessoa nos conta pareça errado ou irrelevante, faz com que a pessoa que fala consiga se expressar como realmente é.

Quando escutamos com atenção e sem interromper, conseguimos fazer com que a pessoa que está falando se sinta relaxada e consiga desabafar conosco, revelando seus sentimentos mais reais.  Na maioria das vezes não precisamos que as outras pessoas nos deem a opinião delas, apenas que sentem ao nosso lado e nos escutem.

Às vezes temos o poder de ajudar as pessoas sem mover um dedo, e na maioria das vezes não temos consciência disso. O dom de saber escutar faz com que entendamos melhor as pessoas, com que elas se sintam mais ligadas a nós e com que tenhamos mais chances de conseguir uma relação positiva. Nesse sentido, o que damos vai trazer consequências para nós mesmos. Assim, mesmo que seja apenas com base em um interesse egoísta, a escuta ativa vale a pena.

 “Quando um amigo pede um conselho, na verdade não quer ouvir você, mas desabafar contando sua mágoa. Escutá-lo é como se você estivesse dando o melhor conselho.”
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Bibliografia

Contreras, M. M., & San Rafael, C. Aprender a escuchar.

Gómez, Á. H., Gómez, J. I. A., & Rodríguez, M. A. P. (2011). Técnicas de comunicación creativas en el aula: escucha activa, el arte de la pregunta, la gestión de los silencios.  Educación y Futuro: Revista de investigación aplicada y experiencias educativas, (24), 153-180.

Martín-Barbero, J. (1978). Comunicación masiva: discurso y poder (No. 04; HM258, M37.). Quito: Ciespal.

Subiela García, J. A., Abellón Ruiz, J., Celdrán Baños, A. I., Manzanares Lázaro, J. Á., & Satorres Ramis, B. (2014). La importancia de la Escucha Activa en la intervención Enfermera.  Enfermería Global13(34), 276-292.

Torres, M. E. (2005). Asertividad y escucha activa en el ámbito académico.

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