Esse é o meu limite (reivindicando meus direitos)

16 Março, 2021
Quando necessário, dizer "esse é o meu limite" em voz alta purifica os relacionamentos. Não devemos nos sentir culpados por isso, muito pelo contrário; porque ao deixarmos claros os nossos limites, colocamos barreiras adequadas para garantir o nosso equilíbrio e bem-estar.

Esse é o meu limite. Você já disse essa frase? Reivindicar direitos, estabelecer limites e deixar claro que não vamos mais tolerar determinados comportamentos ou atitudes higieniza espaços e oferece oxigênio.

Porém, embora nem sempre seja fácil fazer uso da assertividade adequada, ela deve ser aplicada diariamente. Ninguém merece viver no território amargo das necessidades silenciadas.

O medo tem muitas faces. É sutil, multifacetado, complexo e sempre devastador. Porque o medo não é apenas a sombra de uma ameaça ou perigo. Há também o medo da decepção, a preocupação em não ser como os outros esperam. Há o medo de falhar, de recusar quando os outros se acostumaram a escutar o “sim” em cada uma das nossas frases.

Quando isso acontece, quando ficamos presos em uma vida desprovida de limites emocionais e limites para nos proteger, surgem o caos e a desordem. Podemos oferecer aos outros aquela imagem de uma pessoa sempre organizada, eficiente e atenciosa, mas dentro de nós todas as nossas partes estão soltas, confusas e sem ligação entre si. A identidade fica turva e a autoestima se desgasta.

Albert Ellis, conhecido psicoterapeuta e criador da terapia emocional racional, dedicou uma atenção especial a essa questão. Ele acreditava que um dos “monstros psicológicos” mais comuns que nos impedem de seguir em frente é a necessidade de fazer tudo certo para que os outros reconheçam e, então, nos tratem como merecemos. Essa ideia, esse costume, é uma fonte absoluta de sofrimento.

“Os limites da minha linguagem são os limites da minha mente.”
-Ludwig Wittgenstein-

Cerca de madeira

Esse é o meu limite: como treinar o uso dos seus direitos e limites pessoais?

Geralmente, quando falamos “esse é o meu limite”, nem sempre o fazemos da melhor maneira. Esta frase surge de repente, como o som de uma cafeteira que está segurando a pressão por muito tempo.

Quando isso acontece, surgem emoções negativas, frustração e raiva… Não é bom chegar a esses limites. Não é bom negligenciar a boa higiene dos nossos limites pessoais.

Encontre o seu “ponto ideal”

Todos nós temos um ponto ideal ou uma zona de conforto onde nos sentimos bem e seguros. Agora, o que exatamente esse termo significa quando aplicado ao campo dos limites pessoais?

  • É encontrar aquele estado em que não sentimos nem frio nem calor. É aquele momento equilibrado e sereno em que nos encontramos “bem”, em que nada dói ou incomoda. Por vezes, será muito útil permanecer nessa zona de conforto onde não apenas nos sentimos seguros, mas também podemos identificar melhor onde estão as zonas vermelhas que ninguém deve cruzar.
  • Quando você diz em voz alta “esse é o meu limite”, você reivindica uma área para si mesmo. É um ponto de virada onde não permitimos mais certas coisas para garantir o nosso equilíbrio e bem-estar, o nosso “ponto ideal”.
  • Para chegar a este meridiano pessoal, é necessário esclarecermos os nossos limites. Este é um exercício de autoconhecimento corajoso que leva tempo e exige uma franqueza sincera consigo mesmo.
  • Dizemos isso por um motivo simples: geralmente, as pessoas não questionam muitas das coisas que fazemos. Cedemos, aceitamos, continuamos, perdoamos e dizemos a nós mesmos que nada está errado, que podemos dar conta de tudo… Quando obviamente isso não é verdade.
Criança cruzando fronteiras

Reivindicando direitos sem o fardo da culpa

Poucas coisas são tão importantes para o bem-estar psicológico quanto a falta de dissonância, a fidelidade aos próprios princípios. Portanto, dizer “esse é o meu limite” sempre que for necessário não deve doer. O fardo da culpa ou do remorso não deve recair sobre nós. Porque, além do que podemos pensar, o que estamos realmente fazendo com isso é higienizar os relacionamentos.

Da mesma forma, não podemos esquecer que, cuidando de nós mesmos, colocando-nos naquele ponto doce ou espaço de conforto onde nos sentimos seguros e protegidos, garantimos o nosso bem-estar. E quando estamos bem, somos capazes de dar o nosso melhor aos outros, de criar laços mais autênticos e sinceros.

Estudos como o realizado pela Dra. Rita Ellen Numerof, da Universidade de Manchester (Reino Unido), nos mostram que se pudéssemos treinar a cada dia o exercício da assertividade, ganharíamos até em qualidade da vida, tanto na saúde física quanto mental. Porque reivindicar direitos e estabelecer limites é necessário em qualquer área: familiar, emocional, trabalho…

Vamos fazer isso: vamos estabelecer limites sem medo ou culpa, porque isso não só vai melhorar os nossos relacionamentos, mas também estaremos investindo na nossa felicidade.

Ser solvente nessas questões requer tempo, mas acima de tudo requer muito trabalho interior. Precisamos parar de reforçar aqueles medos do que certas pessoas vão dizer ou de como vão reagir quando dissermos em voz alta “esse é o meu limite”. Vamos, portanto, iniciar aquelas mudanças que tanto melhoram o nosso equilíbrio e a nossa inteligência emocional.

  • Numerof, RE (2006). Entrenamiento sobre asertividad. The American Journal of Nursing , 80(10), 1796. https://doi.org/10.2307/3462457