Diferenças entre estereótipos e papéis de gênero

Entender as diferenças entre os papéis e os estereótipos de gênero pode nos ajudar a identificá-los e desmontá-los para construir uma sociedade melhor na qual todos possamos nos ver representados.
Diferenças entre estereótipos e papéis de gênero

Última atualização: 06 Novembro, 2021

Ainda temos um longo caminho a percorrer, apesar dos grandes avanços sociais do movimento feminista e dos movimentos de diversidade sexual. Embora tanto os estereótipos quanto os papéis de gênero venham se modificando e se ajustando às demandas sociais do nosso tempo, ainda é necessário torná-los visíveis e compreendê-los para transformá-los.

No entanto, a que nos referimos quando falamos sobre estereótipos e papéis de gênero? Eles são a mesma coisa? Neste artigo iremos explicar as diferenças entre os dois e identificar algumas maneiras de desmontá-los em nosso dia a dia.

O que são os estereótipos?

Podemos entender os estereótipos como construtos cognitivos construídos a partir de atributos característicos associados a um grupo social. Dessa forma, os estereótipos podem ser positivos e negativos e, muitas vezes, servem para construir categorias que organizam informações sobre o mundo social.

A estereotipagem consiste em fazer generalizações que simplificam e agrupam ideias e crenças sobre os outros. Essas simplificações, é claro, são compartilhadas. De fato, para adquirir a sua natureza é necessário que circulem coletivamente e se disseminem, tornando-se códigos compreendidos por um grande grupo de pessoas.

Bonecos de madeira azuis

E os estereótipos de gênero?

Levando em consideração a definição anterior, os estereótipos de gênero podem ser entendidos como crenças sociais, cultural e historicamente construídas, que vivem apegadas ao que grande parte da sociedade entende por ser homem, ser mulher ou fazer parte da comunidade LGBTQIA+. Ou seja, referem-se às características atribuídas a um grupo de pessoas por se identificarem com um gênero específico.

Declarações como “as mulheres são mais emocionais do que os homens” ou “as pessoas LGBTQIA+ são mais extrovertidas do que os cisgênero heterossexuais” são estereótipos de gênero.

O problema dos estereótipos de gênero é que eles são tão naturalizados que muitas vezes não paramos para pensar nas consequências que tiveram, principalmente para as mulheres e as dissidências sexuais, mas também para os homens.

A existência de imaginários hiperestereotipados de masculinidade e feminilidade faz com que a vida de quem não se enquadre nesse quadro normativo acabe sendo alvo de críticas, julgamentos e perseguições.

Além disso, a reprodução desses estereótipos pode nos manter presos aos papéis de gênero e, assim, limitar muito nossas possibilidades de realização e o desejo de explorar plenamente nossos talentos e capacidades.

O que é um papel?

Podemos compreender o conceito de papel a partir de duas grandes concepções.

  • Por um lado, a partir de uma concepção sociológico-antropológica, em que a ideia de papel se refere à forma como uma série de valores, atitudes e comportamentos são atribuídos culturalmente às pessoas, dependendo do lugar que ocupam numa estrutura social..
  • Por outro lado, a partir de uma concepção psicossocial, o papel estaria relacionado à forma como as pessoas agem a partir das expectativas associadas a uma determinada posição.

Em geral, podemos conceber papéis como padrões organizacionais de conduta, carregados de comportamentos esperados e práticas específicas, atribuídos às pessoas a partir da rede de interações em que se inscrevem e da posição que ocupam no mundo social.

Quais seriam, então, os papéis de gênero?

Os papéis de gênero, assumindo o que foi dito anteriormente, são todas as formas pelas quais os estereótipos de gênero se transformam em expectativas comportamentais, em atribuições pré-estabelecidas que acabam se encarnando nas pessoas como prescrições comportamentais.

Em outras palavras, os papéis de gênero são o veículo por meio do qual os estereótipos são colocados em prática. Por exemplo, presumir que as mulheres devem exercer o cuidado, ou que os homens devem ser os provedores, ou que as pessoas LGBTQIA+ são a vida da festa, é uma forma de naturalização de estereótipos associados ao gênero, naturalização expressa por meio da expectativa de que as pessoas se comportam de maneiras previsíveis, dependendo da sua identidade de gênero.

Mulher limpando sua casa

É possível transformar os papéis e estereótipos de gênero?

A relação entre esses dois conceitos pode, agora, ser mais clara para nós. No entanto, o que podemos fazer com essas informações?

Primeiro, reconhecer que todos aderimos às normas de gênero antes mesmo de nascermos. Muitas das ideias que temos sobre o que é ser um homem ou uma mulher parecem naturais e “dados do problema”.

Partindo dessa ideia, o segundo passo é começar a desnaturalizar as normas de gênero. Vale a pena nos questionarmos quanto ao caráter socialmente construído dos padrões estéticos, as formas de nos relacionarmos, o amor e o namoro, a escolha das profissões, os brinquedos infantis, entre tantas outras dimensões da vida que são atravessadas pelo gênero.

Finalmente, após este exercício de desnaturalização, será mais fácil para nós identificarmos os papéis e estereótipos de gênero em nossos comportamentos e nos comportamentos que esperamos dos outros. A transformação desses padrões também depende das nossas práticas.

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  • D’Ovidio, Ana Clara (2020). Roles y estereotipos de género: experiencias de socialización en adolescentes. XII Congreso Internacional de Investigación y Práctica Profesional en Psicología. XXVII Jornadas de Investigación. XVI Encuentro de Investigadores en Psicología del MERCOSUR. II Encuentro de Investigación de Terapia Ocupacional. II Encuentro de Musicoterapia. Facultad de Psicología – Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires. Disponible en: https://www.aacademica.org/000-007/16.pdf
  • Velandia-Morales, A., & Rincón, J. C. (2014). Estereotipos y roles de género utilizados en la publicidad transmitida a través de la televisión. Universitas Psychologica, 13(2), 517-527. doi:10.11144/Javeriana.UPSY13-2.ergu