Estigmatofilia: a atração sexual por piercings e tatuagens

Estigmatofilia: a atração sexual por piercings e tatuagens

Janeiro 1, 2018 em Psicologia 498 Compartilhados
Estigmatofilia: a atração sexual por piercings e tatuagens

Existem piercings e tatuagens de todos os tipos: com várias formas, tamanhos, desenhos, cores… E podem ser colocados em qualquer parte do corpo. Falamos sobre a paixão por piercings e tatuagens, uma moda que, se produzir uma atração sexual, é chamada de estigmatofilia.

Estes tipos de pessoas sentem uma atração sexual pelas perfurações, tatuagens ou cicatrizes corporais. Por isso, elas precisam contemplar, acariciar ou tocar uma pele tatuada ou um corpo cheio de aros.

A criptonita da estigmatofilia

Atualmente, colocar piercings ou fazer tatuagens pelo o corpo é uma moda que atravessa fronteiras e tem um significado especial entre os jovens e adolescentes. Graças a isso, conhecemos casos curiosos deste fetiche, desconhecidos para a grande maioria de nós.

Para as pessoas com estigmatofilia, é suficiente encontrar alguém na rua que tenha um desenho ou uma perfuração na pele para sentir desejo de abordá-lo automaticamente.

Isso não significa que sintam desejo de tocar em tudo o que tem tinta ou queiram beijar orelhas furadas, mas simplesmente que são atraídas pelas pessoas que as usam. Há também alguns casos em que essas pessoas sentem predileção por tatuagens ou por piercings, não por ambos. Desta forma, sentem indiferença e nenhum sinal de excitação sexual pelas pessoas que não são tatuadas, perfuradas ou sem marcas na pele.

Mulher com tatuagens e flor no cabelo

Para alguns, esta é considerada uma parafilia…

Muitos especialistas consideram esse comportamento como um tipo de parafilia. Ou seja, um padrão de comportamento sexual em que a fonte do prazer vem de objetos, situações, atividades ou indivíduos peculiares ou incomuns. Para sentirem excitação sexual, essas pessoas precisam de um contexto e elementos muito particulares.

Dentro desta parafilia, alguns especialistas em psicologia defendem que essas pessoas são atraídas pelo sofrimento causado pela tatuagem ou pela perfuração. Ou seja, é a dor alheia que, de alguma forma, provoca a empatia e a simpatia.

…para outros, puro fetichismo

Outros profissionais acreditam que esse comportamento pode ser semelhante à excitação que algumas pessoas sentem por pés, sapatos, lingerie, fantasia, quadris proeminentes, cheiros ou lábios carnudos. Por isso, preferem falar da estigmatofilia como um comportamento fetichista.

Esta perspectiva acredita que piercings ou tatuagens não são necessários para que esses indivíduos sintam atração sexual. Mas, se esses elementos estão presentes, o seu prazer é radicalmente maximizado. No entanto, se não estiverem, eles terão relações satisfatórias da mesma forma.

É um desvio sexual?

Embora possa causar rejeição social, a estigmatofilia não é considerada uma perversão ou doença mental, porque não envolve nenhum dano à outra pessoa ou modifica o seu comportamento. Para considerá-lo como um transtorno psicológico, duas condições devem ser atendidas. A primeira é que uma pessoa machuque a outra. O segundo, que esse comportamento cause angústia ou desconforto persistente na pessoa com estigmatofilia.

Neste caso, a estigmatofilia não causa sofrimento, nem para a pessoa que sente atração e nem para aqueles que são o objeto desse desejo. Portanto, e embora cada caso seja único, não se trata de um desejo irreprimível e pervertido que precisa ser satisfeito com a realização do ato sexual.

Por que atração por piercings e tatuagens?

A explicação pode ser antropológica, uma vez que tanto as tatuagens quanto os piercings são práticas ancestrais. Desde a Roma clássica, os soldados e guardas de César usavam aros nos seus mamilos. Além de acessórios das suas roupas, eles eram um símbolo da sua virilidade e coragem.

Em outras culturas e civilizações antigas, as pinturas tribais ou perfurações nas orelhas ou em outras partes do corpo estão ou estavam intimamente relacionadas com o conceito de beleza. Na verdade, muitas delas foram identificadas em muitos ritos, especialmente relacionados à adolescência.

Pessoas descalças na terra

Mostram a nossa personalidade

Além de ser uma questão de estética, uma tatuagem pode traduzir múltiplas circunstâncias e experiências: desde as emoções, momentos cruciais na vida dessa pessoa, crenças, ideais religiosos e eventos ou pessoas importantes que marcaram o seu desenvolvimento.

Não são meramente decorativos, mas transmitem a nossa identidade. Por esta razão, podemos entender que os estigmatofílicos se sentem atraídos não pelo desenho da tatuagem, mas pelo seu conteúdo e significado; pelo que representam e expressam sobre a pessoa que os carrega.

Às vezes, podem acontecer casos curiosos. Por exemplo, muitas pessoas que são atraídas por esses elementos não os carregam em seus próprios corpos. Por outro lado, algumas das áreas do corpo preferidas são a língua, os lábios, os mamilos e os órgãos genitais. Então, se você sentir o seu coração acelerar quando conhecer alguém com piercings ou tatuagens… considere-se um estigmatofílico!

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