Estresse agudo episódico: um sofrimento recorrente

05 Janeiro, 2021
Dores de cabeça, hipertensão, problemas cardiovasculares... O estresse agudo episódico costuma afetar um tipo específico de personalidade. Ele pode ser perigoso. Vamos analisar a seguir.

O estresse agudo episódico costuma ter sérios efeitos sobre a saúde. Ele define um estado psicológico de alto desgaste que vem e vai, que chega com intensidade em uma época e depois desaparece por um curto período de tempo. Também é importante observar que geralmente está associado a um perfil de personalidade muito específico.

Trata-se daquele perfil que os cardiologistas americanos Meyer Friedman e Raymond Rosenman definiram nos anos 1950 como “personalidade tipo A“. São pessoas competitivas, muito exigentes consigo mesmas e que vivem com um sentido permanente de urgência.

São padrões um tanto problemáticos de comportamento e processamento emocional. São definidos pela impaciência, impulsividade, má gestão das emoções e às vezes até hostilidade. No entanto, o mais perigoso é que esse perfil de personalidade sofre de um índice maior de problemas cardiovasculares.

Analisaremos mais detalhes abaixo.

Homem preocupado

Estresse agudo episódico: tipologia, sintomas, gatilhos e tratamento

O estresse agudo episódico é uma das três tipologias mais comuns dessa condição psicológica. Algo essencial do ponto de vista terapêutico é conhecer o gatilho que está mediando o desgaste físico e mental da pessoa. Por isso, é importante recordar estas três distinções:

  • Transtorno do estresse crônico: fatores como o trabalho ou situações familiares e pessoais complicadas podem influenciar esta realidade. O estresse é contínuo na vida do paciente.
  • Transtorno do estresse agudo: define um estado de estresse que aparece, geralmente, após um evento ou trauma repentino e inesperado. A situação de sofrimento, hiperativação e desgaste pode durar um mês.
  • Transtorno do estresse agudo episódico. Este tipo de transtorno aparece, como mencionamos, em personalidades “tipo A”. Sua obsessão pelo perfeccionismo e a falta de controle sobre as emoções são fatores de risco. Além disso, é um estado que aparece e desaparece de tempos em tempos, mas que tem um sério impacto sobre a saúde.

Há também outro elemento que devemos considerar. Muitas das pessoas que sofrem com esse tipo de estresse não procuram ajuda profissional. A pessoa que sofre desse problema acredita que estar sempre estressado faz parte da sua personalidade. No entanto, é necessário oferecer medidas psicológicas adequadas para mediar a situação em direção a uma mudança mais saudável na qual a sua saúde física e psicológica não fique em risco.

Quais são os sintomas do estresse agudo episódico?

Como já observamos, há um aspecto problemático do transtorno de estresse agudo episódico: o sofredor não percebe que precisa de ajuda. Ele não percebe que sua forma de reagir é desproporcional ou que administra mal as suas emoções. Ele entende que a vida é complexa por si só e que, portanto, é preciso se adaptar a ela como puder.

Os sintomas mais característicos são os seguintes:

  • Estados de irritabilidade e mau humor contantes.
  • Fazer dos pequenos problemas cotidianos grandes montanhas intransponíveis. Supervalorizar qualquer coisa, o que cria na pessoa uma sensação de que tudo a supera e intensifica o seu mau humor.
  • Rigidez muscular, tensão, sensação de peso em todo o corpo.
  • Cefaleias tensionais.
  • Problemas digestivos, náuseas e taquicardia constante.
  • Em geral, são pessoas que acabam sofrendo de hipertensão e problemas cardiovasculares.

É importante observar que, diante do estresse agudo episódico agudo, os ataques de pânico também são comuns.

O que causa o estresse agudo episódico?

O estresse agudo episódico é o resultado claro de um estilo de personalidade hipersensível, exigente, que vive orientado no imediatismo, na sensação de alarme constante, de não estar cumprindo seus objetivos…

A chamada personalidade tipo A, definida pelos cardiologistas americanos Meyer Friedman e Raymond Rosenman, é , acima de tudo, uma má administradora da própria frustração, raiva e ira. A pessoa tende a ser competitiva, tem necessidade de provar a si mesma que pode alcançar o que se propõe a fazer, mas quando isso não acontece, surgem a desolação e o pânico.

Estudos como os realizados pelo Dr. Mark P. Petticrew indicam que o padrão de comportamento associado à personalidade A é pouco mais do que “a joia da coroa” para as doenças coronárias.

Tratamentos para o estresse

Existem muitos tratamentos eficazes contra o estressePorém, nem todas as técnicas são válidas para cada pessoa e por isso precisamos, acima de tudo, individualizar e conhecer as necessidades de cada um.

Em geral, as pessoas com estresse agudo episódico podem se beneficiar das seguintes estratégias terapêuticas.

Técnicas de controle emocional

Pessoas que têm dificuldade em controlar emoções e impulsos se beneficiam muito das técnicas de controle emocional. Entre as mais adequadas nesses casos, temos as seguintes:

  • Técnicas de controle da irritabilidade e da ira.
  • Raciocínio lógico.
  • Regulação do pensamento.
  • Autorregulação emocional.
  • Assertividade.
  • Respiração profunda.
  • Relaxamento muscular.
  • Mindfulness.
Homem na terapia

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a pessoa a entender como ela pensa e como esses processos mentais afetam seus estados emocionais e comportamento. Os objetivos desta terapia são os seguintes:

  • Mudar o estilo de pensamento que alimenta o estresse, a impulsividade e a autoexigência.
  • Favorecer que a pessoa se centre com calma no momento presente, identificando as causas da sua angústia e trabalhando-as para melhorar o seu humor.

Para concluir, vamos destacar um aspecto importante. Às vezes ficamos presos a padrões de comportamento que classificamos como normais ou atribuímos a traços da nossa personalidade quando, na realidade, são estados patológicos evidentes. Fazer do estresse nosso estilo de vida dilui o nosso bem-estar e tem um sério impacto na saúde. Não devemos nos esquecer disso.

  • Petticrew, M. Lee, K. & McKee, M. (2012). Type A Behavior Pattern and Coronary Heart Disease: Philip Morris’s “Crown Jewel”. Am J Public Health, 102(11): 2018-2025.
  • Friedman, H. & Booth-Kewley, S. (1987). Personality, Type A Behavior, and Coronary Heart Disease: The Role of Emotional Expression. Journal of Personality and Social Psychology. 53(4): 783-792.