As 4 etapas de uma crise emocional

20 Dezembro, 2020
As etapas de uma crise emocional representam momentos diferentes dentro do processo de superar uma situação tida como confusa ou ameaçadora. Estes tipos de situações são melhor abordadas e resolvidas com ajuda profissional.

As etapas de uma crise emocional são fases normais dentro do processo de reequilíbrio. Uma situação crítica não é resolvida da noite para o dia, uma vez que implica transitar por uma série de estágios antes de chegar a uma resolução completa.

Cada uma das etapas de uma crise emocional engloba um conjunto de respostas que, a princípio, apesar de não serem as mais adequadas, correspondem a uma forma normal de reagir. Dessa maneira, evitamos forçar situações ou reações, permitindo fluidez e naturalidade quando nossa intervenção não for necessária.

Neste tipo de crise, surge uma grande afetação que envolve não apenas as emoções, mas também a cognição e o comportamento. Nessas condições, é complicado para uma pessoa pensar com clareza, encontrar soluções ou ajudar os demais. A seguir, veremos quais são as etapas de uma crise emocional.

“As crises refinam sua vida. Nelas, você descobre quem realmente é.”
-Allan K. Chalmers-

Homem enfrentando crise

1. Paralisia, a primeira etapa de uma crise emocional

A principal característica de uma crise é que ela representa uma situação na qual ocorre uma mudança inesperada que torna o futuro instável ou incerto. No caso das crises emocionais, existe uma ou várias realidades que causam uma comoção subjetiva e sobrecarregam momentaneamente a capacidade de reagir.

A primeira etapa de uma crise emocional é a paralisia. Quando ocorre, essa reação se caracteriza como um mecanismo de defesa sadio. Na natureza, todos os animais ficam quietos quando sentem que estão em perigo, principalmente se estiverem diante de algo desconhecido. A paralisia é uma forma de desorientação, causada principalmente pelo caráter repentino de uma situação.

2. Incerteza

Após um primeiro momento de choque, o que se segue é um estado de incerteza no qual se fazem presentes a angústia e a ansiedade. A pessoa começa a compreender o que está acontecendo, mas acaba se atentando mais ao tamanho da ameaça do que às ferramentas para abordá-la e processá-la.

Neste ponto, surge a ansiedade confusional. Esse tipo de ansiedade está diretamente ligado a sentimentos de desorientação, dificuldade para expressar as emoções, desordem nas ideias e limitação da consciência. A sensação de estarmos perdidos e, ao mesmo tempo, ameaçados pela realidade, prevalece.

3. Intrusão

Dentre as etapas de uma crise emocional, a fase de intrusão nem sempre ocorre, embora seja observada em muitos casos. Esta experiência ocorre principalmente nos casos de crises mais graves ou fatais e diz respeito ao surgimento de medos irracionais e à exacerbação do sentimento de angústia.

O que ocorre nesta etapa é que a pessoa se retrai e não age, pensando excessivamente na crise que está vivenciando. A partir daí, surgem ideias que distorcem as dimensões de perigos futuros, carregam imagens trágicas e causam fortes sentimentos depreciativos.

Surgem os chamados pensamentos intrusivos. São imagens ou ideias que aparecem de forma espontânea ou involuntária em nossas mentes. São pensamentos desagradáveis e aterrorizantes que tentamos afastar, sem sucesso. Esta é a fase mais grave dentro do processo de gestão da crise emocional.

Mulher tendo crise emocional

4. Elaboração e resolução

É muito difícil sair de uma crise emocional sem o auxílio de algum fato externo. Este fator, que marca a transição do estado de choque para um estado em que seja possível lidar com o ocorrido, às vezes pode ser encontrado na forma de um amigo, um livro, um conselho, um terapeuta, etc.

É preciso que haja uma forma de exteriorizar o mal-estar vivenciado, e isso pode ocorrer através da palavra. A palavra pode ser falada ou escrita, e constitui um mecanismo para começar a por ordem nas ideias, nas emoções e nas percepções. Elaborar uma narrativa a partir da situação vivenciada é fundamental para tomar o controle e atingir a compreensão.

É preciso dar espaço para a dor no intuito de restabelecer a consciência. Quando isso acontece, é possível desenvolver uma ideia mais realista da situação, bem como identificar as ferramentas pessoais que podem ajudar na abordagem. Depois dessa elaboração, vem a resolução, que nada mais é do que a recuperação de um estado emocional saudável.

Em muitos casos, sem ajuda especializada, uma pessoa pode ficar estagnada por um longo tempo em alguma das etapas da crise emocional. Recorrer a um psicólogo neste tipo de situação é mais que pertinente, pois representa um apoio valioso para conduzir o processo mais rapidamente ou de forma mais saudável.

González de Rivera y Revuelta, J. L. (2001). Psicoterapia de la crisis. Revista de la Asociación Española de Neuropsiquiatría, (79), 35-53.