Famílias monoparentais: pontos fortes e vulnerabilidades

· dezembro 2, 2018

Atualmente existe um grande número e diversidade de formas familiares que pouco ou nada têm a ver com o conceito mais tradicional. Uma das novas formas que vem surgindo é a das famílias monoparentais. Elas são caracterizadas pela ausência de um dos adultos que formaram a base dessa tipologia tradicional (pai, mãe e filhos).

Como todos os tipos familiares, ela tem as suas peculiaridades que a diferenciam de outros formatos. Entre elas, destaca-se o fato de que muitas crianças, antes de se conformarem, tiveram que viver uma situação de conflito criada e sustentada por seus pais. No entanto, há muitas outras diferenças que revelam o processo de adaptação que tiveram que realizar nas últimas décadas para se integrarem completamente na sociedade (e o que a sociedade também teve que fazer, com mais ou menos resistência, para acolhê-las).

Subtipos de famílias monoparentais

Este tipo de unidade familiar é composto por uma pessoa adulta que assumiu a responsabilidade por um ou mais filhos. No entanto, o conceito é muito amplo, pois engloba um grande número de casos. Podem ser:

  • Um pai ou uma mãe que se separou e vive na mesma casa com um ou mais filhos.
  • Um homem de idade avançada, viúvo, que vive com um filho em plena adolescência.
  • Uma mulher ou homem solteiro que decidiu adotar uma criança.
  • Uma adolescente que teve um bebê e decide ficar na casa da família criando seu filho.

“Os indivíduos divorciados são pessoas que não conseguiram encontrar um bom casamento; mas também são pessoas que não aceitaram um casamento ruim”.
– Paul Bohannan –

Pai lendo para filha pequena

Os pontos fortes das famílias monoparentais

Em muitos casos, a ausência de uma das figuras parentais fortalece o vínculo afetivo entre a mãe/pai e os filhos. Além disso, com a falta de uma das figuras de referência, a independência na tomada de decisões sobre a educação e a vida das crianças é muito maior. Isso também se estende à ausência de discussões sobre os critérios educacionais utilizados na educação das crianças. Este ambiente mais descontraído e flexível pode gerar um ambiente familiar mais agradável.

Em geral, nestes tipos de famílias monoparentais, os indivíduos que não possuem uma das figuras de referência são mais independentes. Muitos adotam o papel daquele pai ou mãe ausentes e adquirem responsabilidades maiores do que as exigidas na sua idade. Às vezes, essas demandas ou adaptações forçadas os ajudam a amadurecer, mas também podem se tornar um ponto fraco, como veremos abaixo.

Vulnerabilidades das famílias monoparentais

Uma das principais dificuldades enfrentadas por esse tipo de família é a exposição das crianças pequenas ao conflito entre os seus pais. Nas consultas, somos testemunhas diretas de como os problemas que surgem no casal afetam diretamente as crianças. Um impacto que, em muitos casos, deixa uma marca profunda que ecoa além da infância. A tudo isso podemos acrescentar uma rejeição que as crianças podem sofrer porque não pertencem a uma família tradicional.

A dificuldade em manter um diálogo e chegar a acordos facilita o unilateralismo na tomada de decisões importantes. Essa solidão na hora de realizar as tarefas de educação aumenta a carga de trabalho diário do cuidador, que passa a ter menos tempo e relega as suas necessidades na sua escala de prioridades.

Além disso, o pai/mãe não tem oportunidade de emitir opiniões, discutir soluções para possíveis problemas ou simplesmente delegar a responsabilidade de certas decisões para outro. Nas famílias monoparentais pode não existir cooperação e espaço compartilhado na educação das crianças.

Filha deitada no colo da mãe

Menor privacidade e mais permissividade

De fato, nas famílias monoparentais as crianças geralmente não respeitam a privacidade dos adultos porque não sabem na prática como é a intimidade de um casal. Por esse motivo, em alguns casos, interrompem conversas telefônicas ou interferem em decisões que não lhes dizem respeito, devido à sua imaturidade.

Também pode haver o aumento da permissividade das crianças que, de certa forma, tendem a se aproveitar desse duplo papel de pai e mãe. No entanto, como mencionamos anteriormente, às vezes a criança pode assumir o papel da figura ausente. Por exemplo, não quer que a mãe saia com os amigos, desafia as ordens do pai ou exige compartilhar a cama.

O mais negativo nessa situação é que o adulto aceita essa permissividade inconscientemente. Não há um companheiro (ou outra pessoa, na sua ausência) tão envolvida na educação da criança que possa ser um espelho para que o pai ou a mãe entenda que não está favorecendo o seu filho.

No entanto, as famílias monoparentais estão unidas pela mesma “cola” que une qualquer outro tipo familiar: o amor, a proteção, a segurança e o cuidado contínuo. O fato de terem pontos fortes e vulnerabilidades simplesmente adiciona um toque de particularidade à sua situação.