Às vezes temos que fechar os olhos para poder ver

Às vezes temos que fechar os olhos para poder ver

25, setembro 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
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Às vezes, para poder ver, temos que fechar os olhos e ver com o coração. Só assim seremos capazes de descobrir o que é realmente importante, o que realmente é verdadeiro e o que vale a pena. Porque só quando nossa visão interior está olhando e nossa alma fica satisfeita o horizonte se mostra claro e surgem novas possibilidades.

Segundo as explicações dadas por neurologistas, chegamos a ter 50.000 pensamentos por dia. No entanto, a maioria desses pensamentos são mecânicos e repetitivos. Outra coisa a ter em conta é que devido a uma grande quantidade de informação que as novas tecnologias e as exigências do nosso entorno nos impõem, sofremos cada vez mais de cansaço mental. Estamos tão voltados para o exterior que nos últimos tempos tornou-se quase regra descuidar totalmente do nosso interior.

“Esse é meu segredo, o qual não poderia ser mais simples: só se pode ver bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos.”
-O pequeno príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)-

Em algumas ocasiões nos deixamos levar por esse fluxo de pensamentos obsessivos e limitantes até o ponto de nos desvincularmos de nossas prioridades. Chegamos a um ponto em que já não sabemos nem mesmo nos escutar. Focamos nossos olhos no exterior de forma tão intensa que acabamos quase como míopes emocionais tateando em busca dos óculos da felicidade.

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Quando os olhos se cansam de olhar e o ruído mental surge

Nossa mente, acreditemos ou não, é muito tendenciosa a criar conflitos internos. A razão disso é que o cérebro tem como necessidade vital se adaptar continuamente aos contextos que surgem e aos estímulos que recebemos. A pressão do trabalho, os problemas familiares, nossas aspirações, nossas relações sociais… Em todos esses contextos sempre despontam dúvidas a serem resolvidas, ansiedades a serem acalmadas, vazios que temos que preencher e incêndios que temos que apagar.
O ruído mental pode ser incessante e não ter a menor piedade. É aí que a aparecem os sintomas do estresse no nosso cérebro e no nosso corpo, fazendo com que a pessoa facilmente perca o caminho e o norte. Esquecemos de descansar e das nossas necessidades mais importantes, com os pensamentos da nossa consciência e da introspecção sendo deixados de lado ou até ignorados.
Algo curioso que demonstra que estamos experimentando longos períodos dominados por estresse e ansiedade é o que ocorre com a amígdala, uma zona do cérebro associada ao medo e à emoção, que se encolhe nesses períodos. Essa mudança de estrutura afeta diretamente a parte pré-frontal do cérebro, associada por sua vez a funções cerebrais superiores como a consciência, a concentração e a tomada de decisões.

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Isso explica por que quando atravessamos momentos mais complexos de nossa vida, em que somos dominados por preocupações, por estresse e ruído mental, fica tão difícil nos conectarmos com nosso interior. Acabamos rompendo o laço invisível com nossa consciência devido a uma pequena mudança em nossa estrutura cerebral.
Agora, não podemos no esquecer do poder da neuroplasticidade e de nossa sutil capacidade para reestruturar a arquitetura interna de nossa consciência. Graças a exercícios como a meditação, o mindfulness ou outras estratégias que revelaremos a seguir, podemos fechar os olhos e reorientá-los para o nosso interior.

Uma mente agradecida, uma mente descansada

Uma mente agradecida é uma mente descansada que nos permitirá ver o que é verdadeiramente importante. É possível que essa frase seja um pouco poética ou fora de contexto, porque como poderíamos agradecer por algo se em todos esses momentos nos sentimos tão insatisfeitos, desolados ou tristes? O primeiro passo será, evidentemente, libertar-nos de todo o conflito interno.
Uma vez que nos livrarmos de todas as batalhas emocionais, emergirá uma energia serena que nos deixará livres de condicionamentos externos. Vamos explicar como alcançar isso.
Todos querem felicidade quando há dor, calma quando há tormenta, e bem-estar quando só sentimos rancores. Temos que entender algo essencial: jamais poderemos ter um arco-íris sem um pouco de chuva.
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Fechar os olhos para poder ver

O primeiro passo que deveríamos dar é aprender a controlar o nosso pensamento. Não podemos esquecer que um pensamento é um facilitador direto de uma emoção, e essa é por sua vez responsável por nos fazer perceber a realidade de outro modo. Assim, tenha em conta sempre o seguinte:

  • Feche seus olhos e tome consciência de que a partir de agora não vão aparecer mais em seus pensamentos as suposições sobre o passado ou condições sobre o futuro: “se eu estivesse lá…”, “se eu tivesse feito aquilo…” ou “se ele um dia me amar então serei feliz” e “quando eu tiver aquilo me sentirei melhor”.
  • Com os olhos ainda fechados, prometa a si mesmo que vai começar a se comunicar com seu interior sempre no tempo presente: “Eu quero”, “Eu posso”, “Eu vou agora…”
  • Para fechar os olhos e poder ver o que é mais importante na vida, não se deve deixar a mente em branco. Além de impossível, não seria útil. Temos que fertilizar nossa mente com pensamentos positivos, inspiradores e benéficos.
  • Delibere e reflita com um viés positivo. Não acredite que por pensar desse modo estamos ignorando a realidade ou a verdade; trata-se apenas de revitalizar a mente e nossa alma para permitir uma autoconfiança que rompe com os rumores dos pensamentos negativos e limitantes.

Atreva-se a fazê-lo! Atreva-se a fechar os olhos para poder ver, para acender a luz do seu coração e atender às suas necessidades, das quais por vezes descuidamos como se fossem velhas quinquilharias.

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