Felicidade: um limite que tende ao infinito - A Mente é Maravilhosa

Felicidade: um limite que tende ao infinito

29, julho 2017 em Emoções 260 Compartilhados
A felicidade tem um limite que tende ao infinito

Quando meus alunos de matemática me perguntam o que é um limite, eu lhes digo que um limite é movimento. Um movimento que às vezes termina em um precipício, e em outras não termina nunca. No entanto, em qualquer caso, os limites e a felicidade só podem ser entendidos se nos deslocarmos na função e nos fizermos sombra deste mesmo movimento.

Pode ser um movimento até o “ter”. A maioria dos pais vendem a seus filhos a necessidade de ser a formiga e depreciam a cigarra (culpada, é claro, pelo que lhe acontece no final). O futuro é imprevisível e nunca se sabe quantos serão os recursos de que podemos precisar. As crianças são, a princípio, incapazes de compreender a complexidade desta filosofia, e veem o conhecimento como uma forma de passar nas provas e deixar seus pais felizes.

Um conhecimento que verão de outra forma quando se apaixonarem. Chegado este momento, irão querer conhecer tudo. Observarão fascinados a possibilidade de descobrir, como a criança pequena olha assombrada para a pessoa que mostra e esconde seu rosto em uma brincadeira.

Então será como se a função começasse a se aproximar do seu limite por vontade instintiva e a deixar entrever a assíntota pela qual anseia e que nunca alcançará. Assim, o amor se converte no motor do conhecimento. Um movimento que reforça a si mesmo com a idealização que ocorre de maneira inevitável desde idades tão precoces (e não tão precoces também).

“Milhares de velas podem ser acesas a partir de uma vela, e a vida desta chama não se encurtará. A felicidade nunca diminui ao ser compartilhada”.
-Buddha-

A chave da felicidade

A felicidade e a necessidade de ter

Uma das motivações mais frequentes é a que responde à “necessidade de ter”. Esta da qual falamos antes e que se transmite às crianças pelo eco que a mensagem faz ao rebater contra a própria sociedade. Uma sociedade que estimula o consumo como uma solução perfeitamente válida para que o nível de qualidade de vida se mantenha ou aumente.

Assim, a cada certo tempo o modelo se renova e o passado fica obsoleto, deixando de passear pela rua e começando a ver os rostos nas vitrines dos museus, os mesmos que nos permitem testemunhar que este movimento existe.
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O dinheiro aproveita este querer ter para prostituir. Prostituir dignidades, corpos e motivações desinteressadas. Assim, o dinheiro adquire um atrativo ao qual poucos resistem, pois muitos o trocam com o diabo por uma parte da sua alma.

Então… o dinheiro se converte na cenoura. De maneira que iremos aonde vão as pessoas, mas as pessoas vão aonde está o dinheiro. Assim, muitos consideram que esta atividade se converteu, por si só, em uma justificativa sólida para que os outros os sigam.

É o que pensavam muitas das pessoas que participaram de casos de corrupção política ou esportiva, com o uso de substâncias ilegais. É o que pensava uma grande parte da Alemanha nazista quando seguia os caprichos de um genocida. Se os demais vão por este caminho, a felicidade deve estar lá. Então, por que não segui-los?

A felicidade e o prazer

Outro dos motores, e ao mesmo tempo fonte de insatisfação da felicidade, é o prazer. As satisfações sensíveis são a anestesia perfeita para abaixar o olhar. Faz com que mudemos o verbo ser pelo verbo estar, a priori muito mais fácil de conjugar e uma peça que se encaixa muito melhor em qualquer frase que aluda à fugacidade da vida. Assim, o prazer seduz despindo nossa fragilidade: desfrute hoje porque talvez você não tenha um amanhã.

Quem pode enfrentar esta mensagem quando os noticiários ou jornais mostram muito mais desgraças do que motivos para ter esperança? Quando falamos do que nos preocupa, e não do que nos acalma? Assim, de alguma maneira, assumimos que a frequência com a qual ouvimos a notícia é a frequência com a qual algo acontece.

A felicidade: um limite que tende ao infinito

É assim que chegamos ao “posso morrer agora e quero aproveitar”. Mas então, que mal carrega a mensagem com a atitude da formiga. Com aquilo de acumular “para lidar com as incertezas”. Desta maneira aparece o neuroticismo, o comportamento anárquico e que termina por decompor a outra pessoa; que neste empenho por seguir, se esqueceu de ser e do sentido, não sabendo optar pela responsabilidade ou pelo desfrute.

Sim, deste mesmo sentido que nos dá razões para seguir adiante quando tudo se torna complicado e que pouco ou nada tem a ver com o dinheiro, e sim com o valor que pensamos que temos. Recordemos a importância deste sentido aludindo à famosa obra de Viktor Frankl, na qual descrevia como este sentido, independentemente de ser certo ou errado, fez com que muitas pessoas sobrevivessem a algumas condições nos campos de concentração, enquanto outras se renderam.

A felicidade como virtude

Uma interpretação mais interessante da felicidade é aquela que tem a ver com a virtude. A que nos devolve o protagonismo de nossa história e o arrebata aos objetivos ou aos fins. Trata-se de atividades que têm a ver conosco de uma maneira íntima como o agradecer, o perdoar ou o amar. Atividades que unem o passo, o presente e o futuro em um mesmo ser, o nosso. Que nos asseguram uma boa interpretação de nossa história, a possibilidade de compartilhar no presente e nos dão esperança para o futuro.

Neste caminho também existe uma ânsia por conhecer. Por conhecer os demais, mas também a nós mesmos. Um segundo conhecimento que nunca termina, assim como o primeiro, mas que transmite calma e segurança. Andando desta maneira aparecerão perguntas e uma ou outra resposta, mas a que passará a ser nossa sombra será a felicidade, essa que precisamente abandona os que não subordinam a necessidade de ter ou de desfrutar à necessidade de ser.

Esses para os quais a busca da felicidade se torna um limite infinito. Porque sim, a felicidade é movimento e tem algo de infinito, mas em nenhum caso é um limite vital ou um componente assintótico pelo qual vão passando todo tipo de torturas.

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