Flexibilidade emocional: a chave para se sentir melhor

18 Janeiro, 2021
A flexibilidade emocional é uma grande habilidade quando se trata de nos relacionarmos tanto com os outros quanto com nós mesmos. Falamos de uma fonte inesgotável de riqueza se soubermos fazer um bom uso dela.

Às vezes, tentando fazer com que tudo tenha um sentido e esteja perfeitamente organizado, nos tornamos um pouco rígidos. E se também fizermos isso com as nossas emoções? Não permitiremos que a vida flua; portanto, é importante ter flexibilidade emocional.

Isso consiste em aceitar a perfeição, e inclusive descartá-la como forma de não carregar tanto estresse. Dessa forma, damos asas à autoconfiança, promovendo um ambiente mais saudável e alcançando uma maior qualidade de vida.

Nós o convidamos a fazer um passeio pelo mundo da flexibilidade emocional. Falaremos do que se trata, como contar com ela e quais são os benefícios de fazê-lo.

“Ser flexível é ser capaz de ser você mesmo, e fazer com que a sua autoestima morra de rir”.
– Walter Riso –

O que significa flexibilidade emocional?

É a capacidade que temos de nos adaptarmos às circunstâncias emocionais. Portanto, consiste na capacidade de deixar as nossas emoções fluírem e ser tolerante às mudanças; isso deve ocorrer em diferentes contextos.

Em outras palavras, é a arte de se ajustar emocionalmente aos eventos que surgem. Além disso, é uma habilidade difícil de praticar e alcançar, uma vez que constantes mudanças estão sendo geradas na vida, e pode ser opressor descartar sistematicamente uma boa solução para buscar a melhor.

Porém, é possível; o importante é tentarmos ser assertivos para que as nossas emoções tenham sempre um espaço para respirar.

Flexibilidade emocional

Como ser flexível a nível emocional?

Existem várias maneiras de aumentar a tolerância emocional. Se esse é o caminho que você deseja seguir, forneceremos algumas estratégias para ajudá-lo:

  • Soltar para tornar o caminho mais leve. Por que nos apegamos ao que nos machuca? Deixar de lado o que é tóxico liberta e nos permite nos ajustar melhor às mudanças que chegam.
  • Estar ciente de que cada emoção tem o seu valor. Ignorá-las não é saudável, pois cada uma cumpre uma função; cada uma tem uma energia da qual podemos nos nutrir e uma mensagem com a qual podemos aprender.
  • Cultivar a resiliência. Trata-se da habilidade de lidar com os problemas. Por mais frustrados que estejamos, podemos transformar esses sentimentos em coragem e esforço, que mais tarde serão recompensados ​​com grandes momentos.
  • Aprender com o passado. Há momentos em que é fácil perder o controle; se aprendermos com eles, poderemos usar esse aprendizado preventivo para nos alertar sobre o que pode acontecer se continuarmos agindo da mesma forma.
  • Adeus remorso. O sentimento de culpa esgota e nos faz ficar no passado. Embora seja importante aprender, não é saudável nos agarrarmos a algo que já aconteceu e não podemos mais mudar.
  • Abraçar os medos. Dificilmente o medo não aparece, pois constitui a parte mais poderosa do nosso sistema de alarme. Então, em vez de fechar os olhos, ou seja, fingir que eles não existem, vamos abraçá-los, entrar em contato profundo com eles. Conhecer as suas origens também fará com que nos conheçamos melhor.
  • Dê permissão. Deixe as suas emoções fluírem, permita que estejam presentes e aprenda a conviver com elas.
  • Cultivar relacionamentos saudáveis. Para isso, é necessário utilizar o nosso autoconhecimento e autoestima. Se nos valorizamos e sabemos como somos, podemos ser mais flexíveis e construir relações que se baseiem nesta capacidade. Além disso, é essencial que nos cerquemos de pessoas que não sejam tóxicas, pois isso enfraquece a nossa flexibilidade emocional.
  • Fazer atividades. Por exemplo, o esporte nos ajuda a estar mais focados e a nos sentirmos melhor graças aos neurotransmissores e endorfinas que libera. A arte nos permite transformar a nossa angústia em algo agradável.

Conectar pensamentos e ações

Devemos lembrar que não temos todas as respostas. Portanto, é fundamental conceder um espaço ao subjetivo, ouvindo as opiniões alheias. A sua verdade, neste sentido, sempre melhorará a nossa.

Também não devemos esquecer que, às vezes, é preciso liberar o controle emocional. Não tem problema chorar, gritar ou rir. Ser irracional e contraditório de vez em quando nos faz bem. Ao nos assumirmos dessa forma, a dissonância deixará de nos ameaçar, reivindicando o direito de atualizar no presente o que fazemos ou pensamos sem que ninguém tenha o direito de nos julgar.

Para ter flexibilidade emocional, também é preciso estar conectado com os pensamentos e ações. Para fazer isso, podemos contar com diversas práticas, como por exemplo o mindfulness e a autocompaixão.

Na verdade, Shadi Beshai, Jennifer L. Prentice e Vivian Huang, em um artigo chamado Building blocks of emotional flexibility: Trait Mindfulness and Self-Compassion Are Associated with Positive and Negative Mood Shifts, publicado na revista Mindfulness, mostram um estudo no qual descobriram que o mindfulness e a autocompaixão atuam como agentes protetores contra mudanças e oscilações de humor.

Flexibilidade emocional

Quais são os benefícios de ter flexibilidade emocional?

As vantagens que podemos obter quando fazemos da flexibilidade emocional uma habilidade presente em nossas vidas são as seguintes, entre outras:

  • Maior autoconhecimento.
  • Aumenta a nossa autoestima.
  • Maior gerenciamento emocional.
  • Aumenta a nossa tolerância.
  • Maior capacidade de atenção plena.
  • Aumenta a nossa compaixão.
  • Melhora a relação com os demais, com nós mesmos e com o meio ambiente.
  • Melhora a capacidade de tomar decisões.
  • Aprendizagem constante.
  • Há liberação das tensões.
  • Maior capacidade de resiliência.
  • Diminuem os relacionamentos e ambientes tóxicos.

Em suma, a flexibilidade emocional pode ser resumida como a capacidade de assumir que o leque de emoções que podem nos invadir é amplo, do qual quase sempre emana uma mistura emocional e não uma emoção pura.

Portanto, tem muito a ver com aceitação sem julgamento, com honestidade consigo mesmo, com uma inteligência emocional que nos une ao mais primitivo, e talvez ao mais bonito, da nossa natureza.

Cultivá-la nos ajudará a ver cada emoção como única e valiosa, a saber quando é melhor ou não expressá-la e transformar momentos de caos em momentos de harmonia. Dessa forma, caminharemos em direção a uma melhor qualidade de vida.

  • Beshai, S., Prentice, J.L., & Huang, v. (2018). Buildinf blocks of emotional flexibility: Trait mindfulness and self-compassion are associated with positive and negative mood shifts. Mindfulnees, 9 (3), 939-948.