Fofocas: o que são e que perigos trazem consigo?

· junho 20, 2018

Todos escutamos fofocas e também já espalhamos alguma. Em tempos mais conservadores elas abalaram famílias inteiras, enquanto hoje circulam de outra forma porque a maneira que temos de compartilhar informação também mudou, e muito.

A fofoca se destaca por seu enorme potencial para provocar desequilíbrios, sejam sociais ou pessoais. Não costumamos gostar quando somos parte de uma, já que elas normalmente não vêm carregadas de boas intenções: por isso são, de alguma forma, mensagens veladas.

Caminho mágico em floresta

O que são as fofocas?

Normalmente, são mensagens que seguem a tradição do jogral e são transmitidas no boca a boca. O paradoxo da fofoca é que ela não se sustenta em provas, mas ganha velocidade à medida que mais pessoas a compartilham. Este tipo de mensagem segue com perfeição a lei de que “uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”.

A fonte ou o foco inicial das fofocas não costuma ser fácil de identificar, especialmente porque a mensagem é transformada com a repetição, de forma que o comentário que chega à pessoa se assemelha pouco à história original. Por outro lado, a princípio costuma ser uma mensagem breve sobre a qual se reconhece uma certa suspeita de incerteza. “Escutei que haverá demissões”, “Ana está de licença e na semana passada estava muito triste, pode ser que esteja deprimida”.

Porém, nossos cérebros preferem as certezas do que as hipóteses. Assim, o que a princípio começou sendo uma hipótese acaba se transformando quase em um dogma. Para completar a definição de fofoca, poderíamos dizer que obedece algumas leis muito claras:

  • A lei da clandestinidade: a fonte é desconhecida. Por outro lado, existe um fenômeno comprovado: os seres humanos costumam esquecer antes a fonte de uma mensagem do que o conteúdo dela.
  • A lei do inquestionável: um rumor dificilmente se questiona, simplesmente pelo esforço cognitivo que suporia fazê-lo. Por outro lado, ninguém gosta de duvidar de uma pessoa que nos assegura que a informação transmitida é verdadeira.
  • A lei da curiosidade: a fofoca potencializa a curiosidade, seja porque nos implica de alguma maneira ou porque o tema ao qual alude tem um ponto cabuloso.
  • A lei da rapidez: sua capacidade de propagação e de reprodução faz com que seja impossível freá-la.
  • A lei da proximidade: transmitida por meio das relações sociais.
  • Lei do mutável: age como uma árvore, dela costumam surgir novas fofocas criadas para preencher os vazios que o rumor inicial deixa.

Outra propriedade dos rumores é que sua forma de propagação costuma ser viral. Ou seja, cada receptor é, ao mesmo tempo, um emissor em potencial da informação. A pessoa, em muitas ocasiões, adicionará sua opinião sobre o que ouviu, não sendo estranho que a maneira e o tom com o qual compartilha a fofoca seja mediado por esta.

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Como acabar com as fofocas?

A resposta é tão simples quanto impossível: evitando que as pessoas se comuniquem. Uma resposta mais realista é igualmente difícil, embora um pouco menos. Trata de fazer uma análise crítica da informação que recebemos. Devemos nos perguntar se a fonte é confiável, devemos perguntar (se possível) à própria fonte até que ponto ela confia na informação que nos deu. Seria bom saber também se a circulação dessa informação beneficia alguém, e até que ponto esse alguém está envolvido na difusão da fofoca.

Por outro lado, se há fofocas com as quais temos que ter cuidado é com aquelas que aludem a minorias ou grupos com pouca capacidade para se defender. Há uma frase que diz: “A história sempre é contada pelos vencedores, e o primeiro pagamento pela derrota, por parte dos vencidos, é precisamente aceitar o relato”. Um exemplo disso pode ser encontrado em qualquer uma das ditaduras que assolaram a Europa na primeira metade do século XX.

Sem ter que fazer tal viagem no tempo, e ficando na atualidade observando as minorias que nos rodeiam, nos daremos conta de que muitos dos estereótipos que primam no imaginário coletivo são alimentados de forma sistemática por rumores, que por sua vez também nutrem prejuízos e causam, em última instância, discriminação.