Formas de luto: a arte de saber dizer adeus

Formas de luto: a arte de saber dizer adeus
Valeria Sabater

Escrito e verificado por a psicóloga Valeria Sabater.

Última atualização: 22 dezembro, 2022

Ninguém jamais nos ensinou quais são as leis do sofrimento e como lidar com a dor. Normalmente, a dor da perda vem inesperadamente para nos desestabilizar, para nos quebrar um pouco por dentro. Aos poucos vamos pegando cada peça para nos reconstruirmos novamente, sem saber que esse processo é , possivelmente, o maior aprendizado que já obtivemos.

Ninguém está imune à perda, o luto é algo que todos nós vamos sofrer em algum momento: perder um familiar, romper um relacionamento afetivo ou o simples fato de amadurecer envolve passar por diferentes níveis de luto.

O complicado de cada uma dessas formas de luto é que nenhum de nós se dá muito bem com o sofrimento, não sabemos como administrá-lo, ele nos sobrecarrega e às vezes até nos destrói. Porque… Como fazer? Haverá talvez uma fórmula mágica que nos torne imunes à separação, ao vazio, ao insondável oco daquela mão que já não nos segura?

Em absoluto. Segundo os especialistas, cada pessoa deve encontrar sua própria maneira de lidar com o luto. Lá onde devemos encontrar alívio, força e a capacidade de se levantar novamente.

A importância de ser vulnerável

A maturidade emocional é aquela que sabe avançar pelas próprias perdas, que aprendeu com o desapego e que, por sua vez, concebe as dificuldades como experiências de aprendizagem.

Mulher elevada por pássaros simbolizando luto

É difícil, nós sabemos. Você pode ler muitas coisas sobre o luto, pode até prestar atenção ao que um terapeuta lhe diz, o que seus amigos ou familiares lhe dizem para transmitir apoio. No entanto, qualquer que seja o nível, qualquer perda é um ato que se deve enfrentar sozinho e com seus próprios mecanismos.

Ninguém vai chorar por nós, ninguém vai reorganizar seus pensamentos e aliviar nossas dores para tirar peso de nós. É uma tarefa própria que exige tempo e que exige, sobretudo, compreender que não somos tão fortes quanto pensávamos. Que, na realidade, somos tão vulneráveis quanto uma pena soprada pelo vento.

Isso é ruim? A vulnerabilidade é uma coisa negativa? De forma alguma, nossa verdadeira força está em nossa própria vulnerabilidade. Pare um momento para pensar sobre isso: se você resistir, se você se recusar a reconhecer que se sente magoado, que sua vida acabou de ser quebrada e que você sente dor, você erguerá o muro da negação diante de você. Como você lida com algo que você não reconhece que existe? Por que se recusar a lamentar a perda? Aceite que você se sente vulnerável.

Reconhecer que somos vulneráveis nos permite ser flexíveis e capazes de nos adaptar porque o luto, afinal, nada mais é do que uma resposta adaptativa que é alcançada através do sofrimento, da dor.

O luto como arte de saber “deixar ir”

Mulher triste no balanço com dor

Falar sobre o luto como uma forma de “arte” pode deixá-lo desconfortável. Talvez seja porque as pessoas preferem focar nossas vidas apenas em coisas agradáveis, reconfortantes e positivas. E isso é bom, sem dúvida, mas o prazer da vida implica, por sua vez, uma cota de sofrimento e ninguém está imune.

No entanto, precisamos esclarecer um ponto importante. Quando o assunto é luto, sempre pensamos em perdas físicas. Na morte. Mas também há lutos afetivos ou emocionais por aquele amor que temos que renunciar ou que nos abandona, e até pelo simples ato de amadurecer como pessoa, de assumir novos valores, de abandonar alguns esquemas de pensamento para desenvolver outros…

Um processo de crescimento interior onde também superamos lutos pessoais e indenitários, por vezes bastante profundos. Algo sem dúvida, tão enriquecedor quanto necessário. Apesar disso, são processos que sempre envolvem certos medos, pois toda mudança envolve uma perda implícita, e até mesmo um sentimento de solidão ou vazio.

“A felicidade é boa para o corpo, mas a dor desenvolve os poderes da mente.”

-Marcel Proust-

Devemos estar cientes de que a vida não é um passeio sereno onde a felicidade é sempre garantida. A vida às vezes dói, e devemos aceitar a frustração, a perda e cada um dos lutos. Porque todos eles são caminhos para uma sabedoria necessária.


Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.