7 frases maravilhosas de Emil Ciorán

22 Junho, 2020
O que se vê nas frases de Emil Ciorán é uma postura de desilusão que, no entanto, não renuncia a um senso de humor refinado. Esse pensador foi um dos poucos que nos convidaram a refletir.

São muitas as frases de Emil Ciorán que nos surpreendem.  Seu realismo bruto e seu pessimismo nada dissimulado são um balde de água fria para a consciência. Esse filósofo romeno não gostava de rodeios e encarava de maneira decidida todos os aspectos que considerava que mereciam uma reflexão.

Está claro que o propósito desse pensador não era exatamente levantar o humor de ninguém. Nas frases de Emil Ciorán vemos claramente que ele gostava de provocar. Adorava ir contra a corrente, porque essa também era uma forma de denunciar as banalidades e inconsistências do mundo em que tinha que viver.

O que se encontra nas frases de Emil Ciorán é um profundo desencanto, que acaba sendo um desafio para os modelos de vida light ou excessivamente românticos. O encontro com esse pensador causa um certo choque em muitas pessoas. Confira, a seguir, algumas de suas frases mais lembradas.

“Não são os males violentos que nos marcam, mas os males surdos, os insistentes, os toleráveis, aqueles que fazem parte da nossa rotina e nos minam meticulosamente com o tempo”.
-Emil Ciorán-

1. Algumas infidelidades não são perdoadas

Essa é uma das tantas frases de Emil Ciorán cheias de uma ironia inteligente e de bom senso. É a seguinte: Os últimos que perdoamos por sua infidelidade são aqueles a quem decepcionamos”.

Esta é uma afirmação afiada e profunda. Quando alguém não está à altura das expectativas do parceiro, sabe que quem está falhando é ele próprio, e não o outro. A infidelidade seria uma maneira de ratificar essa deficiência. Por isso, é difícil perdoar essa infidelidade: é uma forma de aceitar essa decepção inicial. Uma ferida narcisista que dói profundamente.

Jovem triste

2. Uma das frases de Emil Ciorán sobre a idade

O senso de humor está presente em muitas das frases de Emil Ciorán. É um humor negro, cáustico. É o que se pode ver na seguinte afirmação: “O que sei aos sessenta anos, já sabia aos vinte. Quarenta anos de um longo e supérfluo trabalho de comprovação”.

Pode ser que ele tenha razão. Existem muitas verdades da vida que são intuídas bem cedo. No entanto, a juventude não tem certeza absoluta sobre o que percebe. É necessária uma cadeira sucessiva de comprovações, que em muitos casos não fornecem mais que uma reiteração infinita.

3. Correspondência nas missões

Emil Ciorán não tinha nenhum problema em contrariar o que era considerada uma vida produtiva ou bem-sucedida. Também não tinha interesse em esconder a profunda decepção que a existência inspirava nele. Muito pelo contrário: remexia profundamente na ferida.

A seguinte frase diz tudo sobre ele: “Minha missão é matar o tempo, e a do tempo, por sua vez, é me matar. Como é confortável estar entre assassinos”. A morte e o suicídio estiveram presentes em muitas de suas obras. Ele insistia que a existência só teria sentido ao ser gasta, como algo que não serve.

4. Fazer e não fazer

Uma boa parte da sociedade está convencida de que o mais importante é fazer, fazer e fazer mais ainda. Ficar parado e ser improdutivo são verdadeiras blasfêmias. No entanto, de tanto fazer nos tornamos tão inquietos que a ansiedade passou a nos invadir.

Diante disso, Emil Ciorán disse: “Podemos ter orgulho do que fizemos, mas deveríamos ter muito mais orgulho do que não fizemos. Esse orgulho está para ser inventado”. Sua visão faz sentido, mas o ‘não fazer’ também gera consequências. Em um mundo tão compulsivo e automatizado, elas podem ser positivas.

5. Os rebeldes

Ciorán sentia um certo desprezo pelas figuras de poder. Como iconoclasta que era, nunca dava muito crédito aos heroísmos, nem às grandes façanhas daqueles que lutam em nome de alguma causa ideológica.

Sua posição a esse respeito fica perfeitamente clara na seguinte frase: “Quem se rebela? Quem pega em armas? O escravo raramente, mas quase sempre o opressor transformado em escravo”. Desse modo, ele equipara o rebelde ao opressor, indicando que ambos têm a mesma essência. O escravo, como tal, sempre obedece.

6. O escondido

Emil Ciorán não via o ser humano como uma espécie superior ou dotada de algo memorável. Pelo contrário, em várias oportunidades ele enfatizou a maneira vil como o ser humano vive e povoa a terra.

Parte dessa perspectiva aparece refletida aqui: “Somente o que está escondido é profundo e verdadeiro. Daí a força dos sentimentos vis”. Em outras palavras, o ser humano esconde seus sentimentos vis e, exatamente por fazer isso, eles emergem com maior força quando aparecem.

Homem preocupado

7. O sofrimento

Embora Ciorán não fosse feliz e tenha expressado esse fato em inúmeras oportunidades, ele também não era um “sofredor”. Mais do que sentir dor pela vida, ou pelas experiências que acumulou, o que ele fez foi revelar a inconsistência utilizando a ironia, adotando um estilo apreciado pelo singular.

Por isso, não é estranho que tenha sido crítico, mesmo em relação ao tema do sofrimento. Sobre esse assunto, afirmou: “Sofrer é a maneira de estar ativo sem fazer nada”. Ou seja, quem sofre vive em meio a uma tempestade, inativo, sem colocar em prática nenhuma estratégia de enfrentamento que a diminua.

Existem muitas outras frases de Emil Ciorán que são bastante interessantes e que ficaram de fora dessa seleção. Ler Emil Ciorán, apesar desse tom sombrio do qual ele se utiliza para desconstruir a realidade, é uma delícia como estímulo para a reflexão.

  • Cioran, E. M., & Panizo, R. (1986). Silogismos de la amargura. Laia.