Ciência descobre o gene para os relacionamentos felizes

De acordo com os estudos mais recentes, existe um gene que permitiria que uma pessoa fosse mais apta do que outra ao cuidar de um relacionamento. Em que consiste esta descoberta e que implicações ela tem? Descubra a seguir!
Ciência descobre o gene para os relacionamentos felizes

Última atualização: 15 Maio, 2021

O amor. Por que às vezes é tão fácil se apaixonar e tão difícil construir um vínculo satisfatório, estável e enriquecedor? Talvez a origem esteja na biologia ou especificamente na genética. Pelo menos é isso que a ciência afirma depois de descobrir que existe um gene para os relacionamentos felizes. Ou seja, parece que existem aqueles que possuem um genótipo que facilitaria o desenvolvimento de habilidades melhores para cuidar desse amor.

Agora, isso significa que aqueles que têm a “sorte” de vir ao mundo com essa particularidade estão destinados a serem felizes em seus relacionamentos? A resposta, obviamente, é não. Como bem sabemos, os relacionamentos são complexos e a felicidade entre duas pessoas depende de infinitos fatores. Estas são variáveis ​​que, afinal, nem sempre estão sob o nosso controle.

Porém, não podemos deixar de admitir que a ciência sempre nos surpreende. Saber que o DNA pode conter uma fórmula que aumenta a possibilidade de chegar a um elo mais significativo é, no mínimo, interessante. Vamos nos aprofundar nesse assunto.

DNA humano

Nova descoberta: o gene para os relacionamentos felizes

O fato de os cientistas nos dizerem que existe um gene para os relacionamentos felizes pode soar como um roteiro de uma série de ficção científica. Algo assim pode até nos fazer pensar que existe um certo determinismo biológico. Além disso, poderíamos até pedir a alguém uma análise genética antes de iniciar um relacionamento com essa pessoa para garantir o sucesso desse vínculo.

No entanto, o que a ciência descobriu é algo muito mais simples. Não podemos fazer essa série de especulações. O trabalho, publicado recentemente, foi realizado por uma colaboração entre a Universidade de Arkansas, Universidade Estadual da Florida e a Universidade McGill.

O objetivo era encontrar marcadores genéticos que pudessem explicar a estabilidade e a satisfação no relacionamento do casal, e o que foi descoberto não poderia ser mais interessante. Vamos analisar. 

O gene CD38 e seu papel na liberação de oxitocina

Aparentemente, o gene CD38 tem uma função específica: a de liberar uma maior quantidade de oxitocina quando a pessoa está em um relacionamento. O que isso significa? Essa pessoa experimenta um nível superior de pensamentos, emoções e comportamentos voltados para o fortalecimento dos laços do casal.

Como sabemos, a oxitocina é o hormônio do carinho, do apego saudável e também do amor. Esta molécula multifuncional estimula muitos dos nossos comportamentos de cuidado.

O gene para os relacionamentos felizes é expresso através de três tipos de cognições

A referida investigação durou três anos. Nela, 73 casais foram acompanhados ao longo desse tempo para dois propósitos específicos. O primeiro era analisar a evolução dessas relações. Segundo, analisar amostras genéticas (saliva) para detectar possíveis marcadores que explicassem a estabilidade e a felicidade do vínculo.

O que se viu, como já dissemos, é que os casais mais estáveis ​​e felizes tinham o gene CD38. Além de promover uma maior liberação de ocitocina, também foi observado que ele estava ligado a três tipos de cognições (ideias) que essas pessoas tinham sobre as relações afetivas.

São as seguintes:

  • As relações, segundo este grupo populacional, baseiam-se num princípio fundamental: a confiança. É importante atender a essa dimensão e cuidar dela no dia a dia.
  • Outra ideia que as pessoas que se esforçam para cuidar do vínculo emocional consideram fundamental é saber perdoar. Conflitos, discussões e pequenos erros sempre merecem compreensão – um esforço empático.
  • Finalmente, o gene para os relacionamentos felizes está ligado ao senso de gratidão. Os casais desta amostra que permaneceram juntos após três anos disseram que se sentiam gratos diariamente pelo seu relacionamento, pela sua vida compartilhada.

O genótipo CC nos homens

Houve algo interessante que cabe destacar neste estudo. Uma pequena diferença foi descoberta na variável gênero, mostrando que os homens com o genótipo CC tinham uma identidade e senso de parceria mais fortes. O que isso significa? Isso implica que os homens com esse genótipo específico eram mais comprometidos com suas parceiras.

Ou seja, é menos provável que sejam infiéis ou que demostrem comportamentos despreocupados ou desatentos.

Casal apaixonado

Qual é a implicação da descoberta desse gene?

Podemos pensar que a descoberta do gene para os relacionamentos felizes é pouco mais do que uma pedra de Roseta. Basta ter esse genótipo para que o vínculo de um casal seja satisfatório e bem-sucedido. No entanto, essa regra biológica de três nem sempre é verdadeira. Portanto, algo que os responsáveis ​​por esta pesquisa dizem é que os genes não marcam o nosso destino.

Um gene eleva o aparecimento ou a manifestação de um traço particular, mas não é determinante. Além disso, qualquer um de nós pode apresentar o gene CD38 em nosso DNA, mas nosso parceiro pode não tê-lo. Algo assim nos mostra que o fato de um relacionamento dar certo não depende exclusivamente de fatores genéticos.

Pilares como personalidade, maturidade emocional e empatia são sempre determinantes. Da mesma forma, um relacionamento sempre apresenta muitos desafios que nem sempre podemos controlar. Portanto, saber que existe um gene para os relacionamentos felizes é interessante e significativo. No entanto, isso não determinará o sucesso ou fracasso de uma relação amorosa.

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  • Makhanova, A., McNulty, J.K., Eckel, L.A., Nikonova, L., Bartz, J. A., & Hammock, E. (2021). CD38 is associated with bonding-relevant cognitions and relationship satisfaction over the first 3 years of marriage. Scientific Reports, 11, 2965. https://doi.org/10.1038/s41598-021-82307-z