Inspire-se nos girassóis, que sempre buscam a luz

· junho 12, 2017

Inspire-se nos girassóis e imite a sua natureza vital, a que os obriga a buscar sempre a luz do sol para se nutrirem, para crescerem em beleza e força. No entanto, lembre-se também de que sua luz autêntica não está em uma estrela distante. Seu verdadeiro sol está em seu interior, por isso procure-o, ouça-o e siga seu instinto.

O folclore construído em muitas de nossas culturas ao redor dos girassóis é formado por componentes muito interessantes e mágicos. Eles são associados, com frequência, à verdade, à honestidade e à lealdade. Diz-se também que se em algum momento temos dúvidas sobre algo, é suficiente pegar um girassol do campo ao entardecer, para depois colocá-lo sob o nosso travesseiro. Assim, quando nos despertarmos pela manhã, teremos certeza do que devemos fazer.

“Todos somos como os girassóis: há dias cinza em que andamos com a cabeça baixa, e dias em que nos erguemos felizes pelos raios de sol”.

No entanto, este tom tão positivo perde um pouco sua intensidade quando nos deslocamos à mitologia grega. Segundo a lenda clássica, uma jovem ninfa da água – chamada Clytie – se apaixonou perdidamente pelo deus Apolo e pela luz que ele desprendia sempre que passava acima dela com seu carro de fogo pelo céu. Ela admirava sua força e sua beleza, mas o deus nunca prestou atenção nela.

Os dias se passaram, deram lugar aos meses, e os meses aos anos… até que Clytie perdeu sua aparência de ninfa para começar a criar raízes, para se encravar no solo e deixar que de seu lindo rosto saíssem pétalas de cor de ouro. O tempo e a lealdade de seu amor infrutífero a converteram em um girassol, em uma bela criatura dedicada somente a seguir com o olhar o objeto de seu amor impossível: Apolo.

Em algumas situações, assim como esta lenda nos dá a entender, focalizamos nossos objetivos e desejos em metas impossíveis. Assim, precisamos ser capazes de atender e acender esta outra luz capaz de nos guiar muito melhor: a que possui suas raízes em nosso interior.

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Ser como os girassóis: a busca pelas melhores oportunidades

A vida dá muitas voltas, as mesmas que dão os girassóis sobre si mesmos seguindo a luz do sol, cumprindo sua natureza mágica baseada no fototropismo. Apesar disso, fica claro que as pessoas não dispõem deste instinto natural inscrito em nosso DNA capaz de nos impulsionar até este positivismo, até o horizonte onde se abrem novas oportunidades, as mudanças que nos farão crescer ou as propostas que é conveniente iniciar para melhorar, para sermos mais felizes.

O ser humano, por assim dizer, deve se mover a cada dia em meio a um campo repleto de sementes de incerteza e ervas daninhas do medo. Nenhum astro externo nos orienta, portanto, somos quase obrigados a acender uma luz interna com a qual possamos nos guiar pelos caminhos em que nada está garantido, em que nada é seguro nem factível. No entanto, com a força dos sonhos e a perseverança, conseguimos arrancar nossas raízes da zona de conforto para dar início a novas trajetórias e projetos cheios de expectativas.

Por outro lado, Richard Wiseman, psicólogo da Universidade de Hertfordshire e autor de livros interessantes como “59 Segundos – Pense um Pouco, Mude Muito” e “O Fator Sorte” explica precisamente neste último livro a importância que o estado emocional interno tem na hora de “atrair” ou de evitar a sorte. Muito além de existir um componente mágico, o que há na realidade é um tipo de atitude e de abertura mental para as oportunidades, para os focos onde a casualidade e inclusive a serendipidade trabalham a nosso favor. Vejamos com mais detalhes a seguir.

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Você é sua própria sorte: acenda a sua luz

Elizabeth Nutt Williams, professora de psicologia e pesquisadora da Universidade de St. Mary, em Maryland, Estados Unidos, conduziu um estudo muito interessante sobre o fator “sorte”. Ela tentava descobrir quais fatores e quais características psicológicas definem as pessoas que demonstram uma tendência maior a experimentar serendipidades: os golpes de sorte inesperados que com frequências vinculamos à força do destino ou até ao pensamento mágico.

“De todos os meios que conduzem à sorte, a perseverança e o trabalho são os mais seguros”.
-Marte R. Keybaud-

Foi possível demonstrar, por exemplo, que estes perfis vinculados à sorte pontuam mais alto em abertura, em resiliência, em resolução de problemas, positivismo, autoconfiança, inovação e criatividade. Além disso, apresentam pontuações mais baixas em neuroticismo ou na tendência a experimentar estados emocionais negativos como a ansiedade, a ira, a culpa ou a raiva.

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Poderíamos concluir com isso que para sermos nossa própria sorte e acendermos esta luz, que como um farol deve nos guiar até um autêntico bem-estar e uma adequada satisfação pessoal, é necessário focar a vida desde uma perspectiva mais relaxada. Dimensões como a flexibilidade cognitiva ou a habilidade para diferenciar o que nos convém em cada momento podem nos ajudar, sem dúvida, a reorientar nossas “antenas pessoais” em busca de horizontes mais férteis.

Evitemos ser como a ninfa Clytie, pois por mais poética que sua história nos pareça em um primeiro momento, é um claro exemplo de alguém que focou toda a sua energia, emoções e vitalidade em algo impossível. Sejamos girassóis que, feitos de luz, de positivismo, alegria e confiança, são capazes de iluminar seu próprio caminho, aquele que nos conduzirá à verdadeira felicidade.

Imagens cortesia de Veronica Minozzi.