Gordon Allport: a biografia do pai da psicologia da personalidade

abril 4, 2019
Além de sua teoria sobre a personalidade, Gordon Allport realizou contribuições muito importantes para a psicologia nos campos da motivação, do preconceito e da religião dos indivíduos.

Gordon Allport foi um psicólogo norte-americano que entrou para a história por estabelecer as bases da psicologia da personalidade. Sua teoria da personalidade foi considerada uma das primeiras teorias humanistas por sua concepção do ser humano como um ente autônomo com livre arbítrio. Allport defendia que as pessoas não são motivadas unicamente por instintos e impulsos, nem são governadas pelo passado.

Sua obra, além disso, é narrada de uma forma muito didática, sendo bastante agradável, interessante e atrativa para o grande público. Sem dúvida, é um autor que merece ser lido não apenas por especialistas em psicologia, mas também por qualquer pessoa que deseje saciar sua sede de conhecimento e preocupações vinculadas ao âmbito da psicologia.

Além de sua teoria sobre a personalidade, Gordon Allport contribuiu com informações muito importantes para a psicologia nos campos da motivação, do preconceito e da religião dos indivíduos. Desse modo, seu legado é muito amplo e ele se transformou em uma figura realmente interessante no campo da psicologia. Ao longo deste artigo, vamos revelar algumas das particularidades e contribuições desse psicólogo.

Início da vida de Gordon Allport

Gordon Allport nasceu em Indiana, em 1897, mas sua família se mudou para Ohio quando Gordon ainda era uma criança. Seu pai era médico, mas trabalhava em casa. Por isso, Gordon Allport e seus irmãos estavam envolvidos no mundo da medicina desde a infância. Essa aproximação da medicina despertou seu interesse pelos estudos e, em especial, pela psicologia.

No entanto, seus primeiros passos na vida acadêmica não estiveram vinculados à medicina, nem à psicologia. Allport se formou em Economia e Filosofia, embora sempre tenha demonstrado um grande interesse pela psicologia social. Allport teve uma vida bastante tranquila, sossegada e sem muitos sobressaltos.

Por fim, ele se formou como psicólogo em Harvard e, após esse período, realizou uma viagem à Europa, mais especificamente a Viena. Essa viagem foi um dos acontecimentos mais significativos de sua vida, pois foi quando se aproximou de Sigmund Freud, embora desse encontro não pareça ter surgido uma grande admiração pelo pai da psicanálise, e sim o contrário. Gordon Allport, como muitos outros psicólogos que formaram a escola humanista, considerava as teorias de Freud bastante limitantes.

Gordon Allport

Seu trabalho

Quando voltou da Europa, começou seu trabalho como professor de psicologia na Universidade de Harvard, onde permaneceu até sua morte. Durante sua permanência na instituição, fez parte de vários comitês e ministrou cursos verdadeiramente inovadores para sua época. Foi editor, membro da faculdade e, em 1939, foi escolhido presidente da Associação Americana de Psicologia.

Publicou vários livros nos quais estão reunidas suas principais pesquisas. Entre eles, destaca-se Considerações básicas para uma psicologia da personalidade, uma das obras mais reconhecidas e aplaudidas de Allport. Em vida, recebeu vários prêmios como reconhecimento por seu trabalho e suas contribuições ao campo da psicologia. A Associação Americana de Psicologia lhe atribuiu o Prêmio de Contribuição Científica de Destaque, uma honra muito disputada na profissão.

Gordon Allport enfatizou fortemente as motivações e os pensamentos conscientes dos indivíduos, provocando um grande interesse pelo desenvolvimento da personalidade. Allport tentou buscar um equilíbrio entre as principais correntes do momento. O behaviorismo parecia incompleto, superficial, enquanto a psicanálise era muito complexa. Como consequência do encontro com Freud, seu interesse por desenvolver uma teoria própria se consolidou.

Contribuição para a psicologia

Gordon Allport é conhecido por ser muito influente em muitas áreas da psicologia, sendo especialmente conhecida sua teoria dos traços de personalidade. Essa teoria determina que cada ser humano possui centenas de traços. Ele classificou 4.500 palavras que definem uma pessoas e as agrupou em três níveis:

  • Traço cardinal: é o traço dominante de uma pessoa e é o que molda a identidade, as emoções e os comportamentos do indivíduo.
  • Traço central: são traços principais, embora não sejam dominantes. São inerentes à maioria das pessoas e estabelecem as bases de sua personalidade e suas ações.
  • Traço secundário: são traços pessoais, particulares de cada indivíduo. Frequentemente, só se revelam de maneira confidencial e em determinadas condições.
Teorias da personalidade

O legado de Gordon Allport

Além de sua Teoria dos Traços de Personalidade, ele identificou genótipos e fenótipos; em outras palavras, as condições internas e externas que motivam o comportamento de uma pessoa. Em sua obra Personalidade: uma interpretação psicológica (1937), define a personalidade como: “a organização dinâmica dentro do indivíduo daqueles sistemas psicofísicos que determinam sua adaptação ao ambiente”.

Além disso, enfatizou que essa personalidade é diferente em cada indivíduo. Allport se interessou também pela natureza da vontade, da motivação e da determinação das pessoas. Deu destaque para a importância da aprendizagem, dos comportamentos e dos pensamentos de um indivíduo, que são produto de toda uma história de vida. Ou seja, o que determinado indivíduo pensa em um momento é fruto de seu passado, mas também de seu presente.

Gordon Allport promoveu o “movimento interdisciplinar” da Universidade de Harvard, do qual surgiu o departamento de ciências sociais dirigido por Talcott Parsons. Além de suas contribuições, também criticou a psicanálise de Freud e o behaviorismo radical. Por sua vez, desenvolveu o conceito de propium, ou seja, a parte da personalidade que parece desempenhar um papel íntimo e central para a pessoa.

Abordou, além disso, outras questões como o preconceito e a religião. Allport realizou uma exaustiva análise sobre a questão do preconceito, exemplificando e aprofundando-se nas discriminações que os judeus e os afro-americanos sofriam.  Tudo isso está reunido em uma de suas obras mais reconhecidas: A natureza do Preconceito.

Por fim, após uma vida dedicada aos estudos, Allport faleceu em 9 de outubro de 1967. Após sua morte, deixou um inconfundível legado no campo da psicologia. Considerado um dos pioneiros da psicologia humanista, Allport é, sem dúvida, uma importante figura do século XX.