O que é a psicologia experimental?

· fevereiro 25, 2019
A psicologia experimental examina as relações entre o comportamento humano e a mente, centrando-se na investigação e experimentação específica baseada em fatos.

Para chegar a uma conclusão precisa e segura, os pesquisadores costumam usar diferentes métodos científicos. Esta é a principal área de enfoque da psicologia experimental. A psicologia experimental explora conceitos básicos, como a memória e a motivação, em áreas como a psicologia infantil, social e educativa.

Quase todo o trabalho da psicologia experimental é realizado em entornos controlados, como os laboratórios de pesquisa. Os psicólogos experimentais manipulam as variáveis de investigação para descobrir as relações entre a cognição e o comportamento.

Enquanto cada ramo da psicologia se esforça para compreender o comportamento e o pensamento humano, a psicologia experimental se centra na realização de experimentos controlados com variáveis designadas e resultados estatísticos.

Origem da psicologia experimental

Para alguns foi Charles Darwin, com A Origem das Espécies, que iniciou o campo da psicologia experimental. Por um lado, não há dúvida de que a teoria revolucionária de Darwin despertou interesse na relação entre a biologia e a psicologia. No início da década de 1900, os psicólogos começaram a usar as ciências naturais para analisar e explicar a mente humana.

No entanto, esta compreensão inexata da mente humana como uma máquina foi substituída por teorias funcionalistas. Por exemplo, William James, o pai da psicologia norte-americana, foi fortemente influenciado pela biologia evolutiva e promoveu a ideia de que a mente é naturalmente adaptativa, sensível e inteligente.

No fim, foram o behaviorismo e outros ramos da psicologia moderna que contribuíram para a formação do que conhecemos hoje como psicologia experimental.

Desenho de cérebro humano

O que os psicólogos experimentais fazem?

Os psicólogos experimentais desejam estudar os comportamentos, bem como os diferentes processos e funções que apoiam estes comportamentos. Os testes são realizados com cobaias para compreender e aprender sobre diferentes temas, entre os quais se incluem a percepção, a memória, a sensação, a aprendizagem, a motivação e as emoções.

Para compreender melhor o enfoque da psicologia experimental, existem quatro princípios fundamentais sobre os quais os pesquisadores costumam estar de acordo para que os estudos psicológicos sejam considerados confiáveis. Estes princípios são:

  • Determinismo: Os psicólogos experimentais, como a maioria dos cientistas, aceitam a noção do determinismo. Trata-se da suposição de que qualquer estado de um objeto ou evento é determinado por estados anteriores. Em outras palavras, os fenômenos comportamentais ou mentais se expressam tipicamente em termos de causa e efeito. Se um fenômeno é suficientemente geral e amplamente confirmado, pode ser chamado de “lei”. As teorias psicológicas servem para organizar e integrar leis.
  • Empirismo: O conhecimento se deriva principalmente de experiências relacionadas aos sentidos. Portanto, só podemos estudar as coisas que são observáveis. A noção de empirismo requer que as hipóteses e as teorias sejam contrastadas com as observações do mundo natural, e não com um raciocínio, intuição ou revelação a priori.
  • Parcimônia: É a busca pela simplicidade. Segundo este princípio, as pesquisas devem ser realizadas sobre a mais simples das teorias. Se tivermos duas teorias diferentes e contrastantes, devemos preferir a mais básica.
  • Probabilidade: Segundo este princípio, as hipóteses e teorias deveriam ser comprováveis com o tempo. Se uma teoria não pode ser provada de nenhuma maneira, então muito cientistas consideram que ela não faz sentido. A probabilidade implica “falsabilidade”, que é a ideia de que algum conjunto de observações poderia provar que a teoria está incorreta.

A estes princípios é possível acrescentar o de definição operacional ou operacionismo. A definição operativa implica que um conceito se defina em termos de procedimentos específicos e observáveis. Os psicólogos experimentais tentam definir fenômenos atualmente não observáveis, como os eventos mentais, conectando-os às observações por cadeias de raciocínio.

Psicólogos analisando dados

Confiabilidade e validade

A confiabilidade mede a consistência, verificabilidade ou repetibilidade de um estudo. Se a pesquisa pode ser repetida e produz os mesmos resultados (seja em um conjunto diferente de participantes ou durante um período de tempo diferente), então ela é considerada confiável.

Por outro lado, a validade mede a precisão relativa ou exatidão das conclusões extraídas de um estudo. Para determinar a validade de uma medida quantitativamente, deve-se compará-la com um critério.

Foram distinguidos vários tipos de validade. São os seguintes:

  • Validade interna: O estudo proporciona uma forte evidência de causalidade entre dois fatores. Um estudo que tem uma alta validade interna chega à conclusão de que, de fato, é a manipulação da variável independente a responsável pelas mudanças da variável dependente.
  • Validade externa: O estudo pode ser replicado em diferentes populações e, ainda assim, produz os mesmos resultados.
  • Validade de construto: As variáveis independentes e dependentes são representações precisas dos conceitos abstratos que estão sendo estudados.
  • Validade conceitual: A hipótese que estava sendo testada apoia a teoria mais ampla que também está sendo estudada.

Comentários finais

Embora a psicologia experimental às vezes seja considerada um ramo da psicologia, os métodos experimentais são usados amplamente em todas as áreas da psicologia.

Por exemplo, os psicólogos do desenvolvimento utilizam métodos experimentais para estudar como as pessoas crescem durante a infância e o transcurso da vida.

Os psicólogos sociais, por outro lado, utilizam técnicas experimentais para estudar como as pessoas são influenciadas pelos grupos. Enquanto isso, os psicólogos da saúde também utilizam a experimentação para compreender melhor os fatores que contribuem para o bem-estar e as doenças.

  • Boring, Edwin G. (1950). A History of Experimental Psychology Prentice-Hall.
  • García Vega, L. (1985). Lecciones de historia de la psicología. Madrid: Editorial de la Universidad Complutense.
  • Leahey, T. (1998). Historia de la psicología. Madrid: Prenti Hall.
  • Solso, Robert L. & MacLin, M. Kimberly (2001). Experimental Psychology: A Case Approach. Boston: Allyn & Bacon.