Gregorio Marañón e sua teoria da personalidade

· outubro 31, 2018

Gregorio Marañón foi um dos mais importantes pensadores espanhóis do século XX. Apesar de ser médico de profissão, ele se aventurou em vários campos da cultura e do pensamento.

Os seus conhecimentos eram tão vastos que ele fez parte de cinco das oito Academias Reais da Espanha: a de Medicina, Ciências Exatas, Físicas e Naturais; Línguas; Belas Artes; e História.

Como médico, ele se especializou na área de endocrinologia. Foi, sem dúvida alguma, um especialista neste campo, tendo sido reconhecido internacionalmente.

Precisamente por ter formação nesta área, Gregorio Marañón desenvolveu uma teoria da personalidade que não é muito conhecida, mas que não deixa de ser bastante interessante.

“A ação anafrodisíaca do hábito é uma lei inexorável na vida dos sexos”.
-Gregorio Marañón-

Segundo Gregorio Marañón, a glândula endócrina é a que define o temperamento e a personalidade de uma pessoa. Apesar desta teoria ter ficado obsoleta com o passar dos anos, o certo é que trouxe elementos valiosos para o desenvolvimento da ciência psicológica.

Algumas informações sobre Gregorio Marañón

Gregorio Marañón nasceu em Madrid, Espanha, em 1887. Tornou-se médico em 1910 e dedicou-se com grande paixão à endocrinologia, tanto do ponto de vista da pesquisa quanto da clínica. Ele foi um dos pioneiros desta especialidade, tanto na Espanha quanto no mundo.

Gregorio Marañón

Marañón publicou várias obras sobre endocrinologia que o lançaram para a fama. Também expôs o seu pensamento ético e a sua visão sobre a Espanha em vários artigos e discursos, tornando-se assim uma referência do pensamento humanista.

Além disso, ele também fez contribuições valiosas na área de gerontologia. Este intelectual conheceu Sigmund Freud pessoalmente e validou alguns conceitos da psicanálise sem se associar a esta corrente.

Ele também foi um ativista político bastante determinado e ficou caracterizado por essa combinação tão peculiar entre espírito estritamente científico e radicalmente humanista. Ele faleceu em 1960.

A tipologia masculina

Gregorio Marañón construiu uma complexa teoria da personalidade, baseada na influência do sistema endócrino. Ele disse que, embora os hormônios estejam diretamente relacionadas com o sistema nervoso, também determinam o temperamento e a personalidade. 

No seu entender, eles exercem uma grande influência sobre o ritmo psíquico, sobre a afetividade e sobre a excitabilidade neuromuscular.

Os diferentes tipos de personalidade

A partir dessas considerações, Marañón criou uma tipologia do homem e da mulher. Ou seja, uma classificação segundo a qual há tipos específicos em ambos os sexos. Estes se manifestam na sua aparência física e determinam uma personalidade específica.

Na opinião dele, existem alguns tipos de portes entre os homens que podem ser chamados de “normais”. São eles:

  • Hipoplásico. Caracteriza-se pelo seu porte ser pequeno e infantil.
  • Astênico. De tórax plano e estreito, esqueleto frágil, ombros estreitos e musculatura flácida.
  • Pícnico. É o oposto de astênico.

Por outro lado, os portes anormais seriam: 

  • Gigantoide. Aqueles que têm uma estrutura desmesuradamente grande.
  • Enanoide. Aqueles que têm uma estrutura particularmente pequena.
  • Eunucoide. De desenvolvimento genital deficiente e de características sexuais secundárias.
  • Hipergenital. O oposto do anterior.

A tipologia feminina

Para Gregorio Marañón, os homens têm um físico estável, que se mantém mais ou menos constante ao longo da vida. Por outro lado, as mulheres têm um físico instável. Ele identifica três tipos de mulheres:

Perfil de mulher em várias cores
  • Tipo I ou infantil. Características infantis, escassez de erotismo, fragilidade e sugestionabilidade.
  • Tipo II ou astênico. Estrutura média, erotismo tardio, grande instinto materno, menstruação regular, sensitiva, emocional e narcisista.
  • Tipo III ou pícnico. Mulheres grandes e robustas, com características um pouco masculinas, muita libido, decididas e independentes.

Como é possível observar, Marañón restringe a vida sexual da mulher à sua constituição biológica. Esta abordagem se tornou bastante polêmica. Em particular a questão de colocar a anorgasmia feminina como um fato fisiológico.

A evolução das constituições

Segundo Gregorio Marañón, a constituição biológica evoluía ao longo do tempo e isso fazia com que o temperamento também sofresse alterações. Tal desenvolvimento ia desde o tipo hipoplásico ao astênico e do antênico ao pícnico. Ele chamou este conceito de “curva da felicidade”.

Para ele, o tipo pícnico era o tipicamente masculino. O normal era a mulher não “evoluir” até esse ponto, já que é um ponto intermédio entre um menino e um homem.

Ele também afirmou que quando as características de cada tipo estavam bastante marcadas, não iriam acontecer grandes mudanças ao longo da vida do indivíduo. No entanto, existe evolução na maior parte das pessoas, ainda que apenas se evidencie de forma tênue.

Por outro lado, Gregorio Marañón afirma que tanto homens quanto mulheres passam por uma idade crítica ao longo do seu desenvolvimento. Para os homens é na puberdade, enquanto para as mulheres é na menopausa.

Embora as suas teorias sejam interessantes, foram completamente refutadas e atualmente não são uma referência aplicável.