Habilidades não cognitivas: o que são?

As habilidades não cognitivas serão fundamentais para o futuro. Criatividade, inteligência emocional, autoconsciência ou competências comunicativas serão essenciais.
Habilidades não cognitivas: o que são?

Última atualização: 01 julho, 2022

As habilidades não cognitivas definem uma ampla variedade de habilidades, tais como resolução de problemas, conscientização, motivação, perseverança, trabalho em equipe, etc. De acordo com especialistas em psicologia organizacional, essas são habilidades que serão cruciais para o mercado de trabalho e para as transformações sociais que ocorrerão em breve.

Estamos falando do que se conhece como a “quarta revolução industrial”, uma era que já começou e que tem foco na inovação tecnológica. Assim, em alguns anos, precisaremos de trabalhadores altamente qualificados. E não estamos nos referindo apenas a pessoas com diploma universitário e pós-graduação. O futuro pertencerá àqueles que dominarem um bom número de estratégias psicoemocionais, éticas e comportamentais.

Dessa forma, e embora muitos vejam uma linha um pouco difusa entre as habilidades cognitivas e não cognitivas, a verdade é que, em alguns pontos dessa fronteira, existem diferenças muito claras. Compreendê-las e introduzi-las nos currículos educacionais nos permitirá formar gerações mais preparadas para os desafios futuros.

A educação atual deveria colocar muito mais ênfase no desenvolvimento precoce das habilidades não cognitivas.

Mente iluminada por habilidades não cognitivas

Quais são as habilidades não cognitivas?

Quando pensamos em uma pessoa com uma formação, visualizamos instantaneamente alguém com um bom currículo. Durante muito tempo, educação foi sinônimo de consolidação das hard skills (conhecimentos teóricos e procedimentais básicos para o desempenho de uma série de áreas específicas).

Entretanto, nos últimos anos, esse enfoque vem mudando porque começamos a precisar de outro perfil. Em uma sociedade cada vez mais robotizada, mecanizada e digitalizada, não bastará ter boas habilidades cognitivas para realizar um trabalho específico.

Pode até mesmo haver robôs que nos superem nessa esfera. Assim, será necessária uma outra classe de recursos mais transversais, que estejam de acordo com esta próxima revolução industrial. As habilidades não cognitivas são o futuro e consistem em padrões de pensamentos, sentimentos e comportamentos não vinculados apenas ao ambiente de trabalho. São ferramentas de vida (Borghans et al. 2008).

Estamos nos referindo basicamente a características socioemocionais ou comportamentais que não são traços fixos de personalidade, mas que podemos aprender e desenvolver ao longo do tempo.

Dessa forma, trabalhos de pesquisa, como os realizados na Universidade de Pádua, destacam algo importante. As habilidades não cognitivas têm efeitos relevantes tanto no desempenho escolar quanto no mercado de trabalho. Assim, é decisivo promovê-las porque elas permitem alcançar um bom desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

Vamos descobrir em que consistem as habilidades não cognitivas. Nas seções a seguir, você poderá ver cada uma delas separadamente. Por isso, continue lendo.

Autocontrole

Autocontrole é a capacidade de controlar a si mesmo. Portanto, trata-se da habilidade de administrar os próprios pensamentos, emoções e comportamentos em geral. Adicionalmente, isso é feito a partir de uma perspectiva global e não apenas levando em consideração o momento presente.

Pensamento critico

Diante de um mundo cheio de fake news, pós-verdades e meias-verdades, o pensamento crítico funciona como uma tábua de salvação em uma sociedade cada vez mais complexa. Essa abordagem consiste, conforme bem apontou o filósofo Francis Bacon, em ter o desejo de pesquisar, a paciência de duvidar e a disposição para meditar.

O senso crítico é uma das melhores habilidades não cognitivas. Afinal, define a disposição para discernir entre argumentos grosseiros e brilhantes, entre os dados que têm valor e os que não contribuem em nada. Graças a ele, deixamos de lado preconceitos e estereótipos, assim como falsidades.

Habilidades para a resolução de problemas

Se tivéssemos melhores estratégias para a resolução de problemas, ganharíamos em saúde mental e potencial humano. Afinal, agir de forma proativa, ser criativo na hora de gerar soluções, saber manter a mente aberta e administrar o estresse significa ter uma grande ferramenta de vida à mão.

Perseverança

Perseverança é a capacidade de se manter firme ao trabalhar para alcançar as metas. Essa capacidade, juntamente com a anterior, é o que gera bons resultados quando se trata de perseguir os objetivos do indivíduo.

Está diretamente relacionada à autoeficácia: a convicção de que uma tarefa pode ser realizada com sucesso.

Empatia

A empatia é a habilidade de nos colocarmos no lugar do outro, de identificar e sentir as emoções da outra pessoa. É, talvez, a habilidade não cognitiva mais básica para desenvolver uma sociabilidade saudável orientada para o bem comum.

Entretanto, também é preciso trabalhar para desenvolvê-la. As pessoas que não administram bem a sua empatia acabam sofrendo de fadiga por compaixão ou tomando decisões egoístas para evitar a dor emocional, por exemplo.

Saúde emocional e inteligência emocional

Dentre as habilidades não cognitivas, a saúde e a inteligência emocional são decisivas. Implicam, nem mais nem menos, saber entender as nossas emoções e as dos outros para agir de acordo.

Ter as habilidades para regular o que sentimos a cada momento e colocar esses estados psicofísicos a nosso favor media completamente o nosso sucesso e bem-estar.

Habilidades sociais

Do que adianta ter 5 doutorados e um currículo deslumbrante se não soubermos, por exemplo, como nos comunicar com os outros? De fato, as habilidades sociais são comportamentos que têm como objetivo nos integrar socialmente, alcançar objetivos, defender nossos direitos, etc. Estes seriam alguns exemplos das habilidades sociais mais importantes:

  • Assertividade.
  • Habilidades comunicativas
  • Escuta ativa.
  • Lidar com a hostilidade.
  • Autoafirmação, defesa dos próprios direitos.
  • Expressar e receber críticas.
  • Saber se desculpar.
  • Saber expressar emoções positivas e negativas.

Motivação para aprender e descobrir

As habilidades não cognitivas não teriam sentido sem a motivação. Esta dimensão psicológica é o que move o ser humano e inclui áreas como, por exemplo, a curiosidade, a paixão, o estabelecimento de hábitos, o desejo de aprender e descobrir, a capacidade de superação pessoal e muito mais.

Resiliência

O futuro nos reserva grandes desafios e, às vezes, esses desafios nos trarão mais de um fracasso, bem como múltiplas frustrações e decepções. Em meio a toda essa complexidade, nada será tão decisivo quanto ser resiliente e se levantar a cada vez, aprendendo com os erros e as experiências adversas.

Resiliência é ver a oportunidade em meio à dificuldade, uma habilidade não cognitiva que todos nós precisamos desenvolver.

Colegas de trabalho falando sobre habilidades não cognitivas

Autoestima

A autoestima se refere à avaliação subjetiva da autoimagem. Esse processo muda ao longo da vida e tanto fatores externos (situações de sucesso ou fracasso) quanto fatores internos (autopercepção, por exemplo) interagem para modular o nível de autoestima.

Ética do trabalho e responsabilidade comunitária

Entendemos a ética do trabalho como um valor essencial que melhora a convivência nos ambientes profissionais. Trata-se de aprender a respeitar os colegas, ser responsável, comprometido e honesto. Da mesma forma, essas habilidades não cognitivas podem subir a um nível mais alto quando o ser humano adquire um compromisso com a sua sociedade.

Este compromisso implica o desejo autêntico de melhorá-la, contribuir para o seu progresso, buscar a harmonia na comunidade ou a justiça.

Como desenvolver as habilidades não cognitivas?

Conforme você deve ter deduzido, as habilidades não cognitivas também se treinam ao longo da vida, e isso não é tudo: esta é uma corrida de longa distância, na qual as qualidades devem ser lapidadas ao longo de toda a vida consciente. Portanto, veremos algumas estratégias úteis para essa finalidade:

  • No campo educacional, organizar assembleias de alunos onde eles possam opinar e propor melhorias para as suas aulas.
  • Role playing: convida-se cada pessoa a representar um papel dentro de uma situação imaginária. Dessa forma, é possível praticar os comportamentos mais adequados para cada cenário.
  • Praticar o relaxamento: para o controle emocional e a concentração.

Em essência, dentre as habilidades profissionais e para a vida que deveríamos promover nas novas gerações, encontramos essas habilidades tão necessárias e enriquecedoras. De fato, acabamos desenvolvendo e aperfeiçoando muitas delas ao longo do tempo, mas, quanto antes plantarmos essas sementes na mente das crianças, mais cedo formaremos uma sociedade mais hábil, comprometida e brilhante.

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