Hibristofilia, a atração por criminosos

O amor e o respeito devem ser a base de qualquer relacionamento. No entanto, algumas pessoas se sentem atraídas por pessoas com tendências criminosas. Isso é conhecido como hibristofilia. Neste artigo, falamos sobre seus principais fatores e as variáveis ​​que podem desencadeá-la.
Hibristofilia, a atração por criminosos

Última atualização: 03 Julho, 2021

Você provavelmente já ouvir falar que alguns assassinos em série e outros criminosos recebem cartas de fãs com conotações sexuais ou românticas. Em alguns casos, essas pessoas acabam estabelecendo relacionamentos e até se casando com esses criminosos. Essa tendência de sentir atração por criminosos é conhecida como hibristofilia, e a descrevemos com mais detalhes a seguir.

A partir de uma perspectiva lógica, escolher estes indivíduos como parceiros em potencial ou sentir o desejo de se relacionar com eles em um nível íntimo não é fácil de entender. Afinal, respeito, confiança, cuidado mútuo e outros aspectos essenciais de um vínculo amoroso parecem não ser uma realidade para essas pessoas. Então, a que se deve essa atração? A seguir, tentaremos responder a essa pergunta.

O que é a hibristofilia?
O assassino em série Ted Bundy, condenado à morte por cerca de 30 homicídios na década de 1970, recebeu centenas de cartas de amor enquanto estava na prisão.

O que é a hibristofilia?

A hibristofilia é a atração por pessoas perigosas ou que demonstraram tendência a causar mal a outras pessoas. O termo foi cunhado na década de 1950 pelo psicólogo neozelandês John Money, que indicou que essa tendência afeta particularmente as mulheres heterossexuais, embora outros tipos de relações e orientações sexuais também possam apresentá-la.

A hibristofilia não é classificada como um transtorno mental em nenhum dos manuais diagnósticos atuais. No entanto, ela pode ser considerada uma parafilia, já que algumas pessoas sentem excitação sexual por criminosos perigosos.

É possível encontrar manifestações mais brandas desta tendência. Por exemplo, algumas pessoas sentem atração romântica ou sexual por quem mente, agride ou é infiel. Em suma, por quem provou ser potencialmente perigoso.

Por que a hibristofilia ocorre?

Pode ser difícil entender por que alguém deseja se associar com alguém que pode prejudicá-lo. No entanto, existem várias explicações possíveis para a hibristofilia:

  • Em primeiro lugar, pode haver uma preferência por parceiros fortes em um nível evolutivo devido à sua capacidade de proteger a mulher e seus filhos. Pessoas perigosas exibem uma imagem de poder e capacidade de dominar os outros, então a genética pode desempenhar um papel nisso.
  • Por outro lado, homens perigosos ou criminosos geralmente apresentam traços da tríade sombria da personalidade, que é caracterizada pelo narcisismo, pelo maquiavelismo e pela psicopatia. Estudos revelam que esses homens são atraentes para algumas mulheres por diversos motivos.
  • As experiências na infância e os vínculos iniciais também influenciam a escolha dos parceiros sexuais e românticos. Estudos demonstram que mulheres que sofreram abuso durante a infância são mais propensas a serem vítimas desse tipo de violência em etapas posteriores de suas vidas.
  • Por fim, a própria sociedade e a cultura em que a pessoa está inserida podem determinar, em parte, a atratividade por homens perigosos. Isso porque, nessas sociedades e culturas, está incutido nos papéis tradicionais de gênero que a mulher deve ser submissa e o homem dominante, influenciando as preferências das mulheres.
Por que a hibristofilia ocorre?
De acordo com a psicóloga forense Katherine Ramsland, algumas mulheres acreditam que podem mudar homens maus com o seu amor.

Existe tratamento?

É necessário enfatizar que a hibristofilia não é um transtorno mental, mas uma parafilia. Em outras palavras, um desvio da atração sexual convencional. Assim, pode ser necessário tratamento se isso implicar repercussões negativas (por exemplo, escolher pessoas perigosas como parceiros) ou no caso de a pessoa só conseguir alcançar a excitação sexual sob esses parâmetros.

Em qualquer caso, não existe um tratamento único e bem estabelecido para a hibristofilia. Apesar disso, algumas técnicas podem ser eficazes.

As técnicas cognitivas podem ajudar a identificar e alterar os pensamentos relacionados à origem. Por exemplo, algumas pessoas acreditam que conseguirão mudar e transformar o criminoso, ou sentem afeto, ternura ou necessidade de proteção. Outras se sentem mais seguras com uma pessoa forte e poderosa. Detectar essas crenças e trabalhá-las pode ser útil.

Da mesma forma, algumas técnicas de programação de masturbação podem ajudar a enfraquecer a associação criada entre pessoas perigosas e prazer sexual. Seja qual for o caso, será necessária uma intervenção individualizada com base nas circunstâncias específicas de cada pessoa.

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