Hiperosmia: definição e causas - A Mente é Maravilhosa

Hiperosmia: definição e causas

Maio 4, 2018 em Curiosidades 0 Compartilhados
Hiperosmia

Você consegue imaginar como seria sentir o cheiro de suor ou esterco com muito mais intensidade? Um verdadeiro suplício, não é mesmo? Isso é o que acontece diariamente com as pessoas que sofrem de hiperosmia.

Trata-se de um transtorno que se caracteriza por uma exagerada capacidade de sentir cheiros que outras pessoas sequer percebem.

Estas pessoas podem, por exemplo, sentir o cheiro de um lírio ou de um jasmim entre um monte de lixo, ou reconhecer o cheiro de uma pessoa que está muito distante. Mas isso não quer dizer que elas se transformam em cães de caça ou que tenham habilidades sobrehumanas, mas sim que desenvolveram uma hipersensibilidade e singular habilidade olfativa.

Hiperosmia: qualidade ou transtorno

Esta habilidade olfativa tem tantas vantagens quanto consequências desagradáveis para aqueles que a desfrutam e sofrem. Para alguns, em termos gerais, é considerada uma benção, enquanto para outros acaba sendo um forte sofrimento.

Mulher cheirando flor

Vejamos alguns exemplos:

Se estivermos na porta de casa e sentirmos um apetitoso cheiro de comida ou bolo que está sendo preparado por algum de nossos vizinhos, o mais normal é que fiquemos com um apetite voraz. “Que fome! Nossa! Que vontade de comer isso!”

Por um lado, se tivermos comida em casa ou o vizinho for nosso amigo, é uma vantagem. Mas por outro lado, se o item que provoca o cheiro de uma forma tão intensa e contínua não for tão apetitoso ou não pudermos satisfazer o desejo despertado (fome), as coisas mudam.

Neste momento, parados à porta de casa tranquilamente relaxados após um longo dia de trabalho, chegam até nós aromas de todo tipo sem que possamos fazer nada para evitá-lo: a graxa que você usa em seus sapatos (e que está no andar de cima), um aromatizador de banheiro, o cachorro do andar de baixo ou o óleo de uma panela queimada.

E isso acontece diariamente, a qualquer momento. A única coisa que sentiríamos vontade de fazer é viver com um pregador tampando o nariz.

Quando a hiperosmia aparece?

Esta patologia se encontra na mesma dimensão, mesmo que em outro extremo, de outros dois tipos de transtornos perceptivos relacionados ao olfato: a hiposmia, a diminuição da sensibilidade olfativa para sentir cheiros, e a anosmia, a total ausência da capacidade de sentir cheiros.

Das três, a hiperosmia é a mais rara, o que a torna uma doença pouco pesquisada. É precisamente sua pouca incidência na população o que não permitiu que as causas que a produzem fossem conhecidas com maior segurança.

Por exemplo, sabe-se que existem certos diagnósticos ou fatores de risco com os quais ela está associada, como a menopausa, a doença de Addison, o hipertireoidismo ou alterações neuronais por consumo de anfetaminas ou síndrome de abstinência.

Em alguns casos, esta condição acaba desaparecendo por conta própria: aparece apenas durante um certo período de tempo. Somente em casos extremos ela se mantém durante toda a vida.

Ela joga a favor ou contra?

Para um perfumista ou sommelier, ter hiperosmia é uma verdadeira vantagem. É o caso do protagonista do romance e filme de mesmo nome, ‘Perfume: a História de um Assassino’, para quem sua hiper percepção olfativa lhe permitia ser um dos melhores em sua profissão. No entanto, para o resto das pessoas, pode se transformar em uma verdadeira agonia.

Homem cheirando vinho

Esse transtorno causa problemas muito graves em contextos sociais, pelo grau de rejeição e desagrado que certos cheiros causam. Por exemplo, passar a considerar sua comida preferida como algo repugnante ou seu perfume favorito como algo insuportável.

A pessoa também pode chegar a desmaiar se estiver em espaços muito tumultuados ou com grandes aglomerações de pessoas, como num ônibus ou metrô.

Como a hiperosmia desaparece?

Por não poder ter sua origem determinada com segurança, os tratamentos ou formas de melhorar a hiperosmia também oferecem resultados contraditórios.

Por exemplo, foram empregas algumas substâncias antipsicóticas antagonistas da dopamina para tratar este transtorno. Ao inibir estes neurotransmissores, limita-se a quantidade de cheiros que chegam ao bulbo olfatório.

Por testemunhos de pessoas que sofrem com isso, sabemos que fumar também diminui sua capacidade olfativa. Mas, cuidado! É preciso lidar com essa afirmação com muita cautela, porque se há algo que já possui suficientes evidências científicas é que fumar não melhora a saúde de ninguém. Muito pelo contrário.

Por isso, sem dúvidas, a primeira coisa a ser feita, tanto para as pessoas que sofrem desse transtorno quanto para as que estão a sua volta, é evitar ou retirar os odores fortes, que podem se tornar verdadeiramente insuportáveis. Estes podem ser alimentos como peixes, carnes, alguns molhos ou até mesmo o café. A falta de um tratamento farmacológico não dá outra opção que não a não-exposição.

A hiperosmia nas grávidas

Curiosamente, várias mulheres que sofrem desse tipo de transtorno “passageiro” estão grávidas. Por isso, durante o início e o final da gestação, apresentam uma hipersensibilidade olfativa devida, principalmente, ao aumento da concentração de estrogênio e progesterona em seu sangue.

Isso faz com que a mulher tenha um olfato mais aguçado, que possa sentir rejeição a determinados cheiros que antes lhe eram agradáveis, ou ao contrário; e pode fazê-la vomitar com mais frequência ao perceber cheiros que são verdadeiramente repulsivos.

Grávida com aversão a certos cheiros

Em algumas grávidas, esta alteração diminui ou desaparece depois do primeiro trimestre. Em outras, se mantém durante todo o período de gestação e desaparece de forma mais gradual após o parto.

É possível que esta alteração fisiológica tenha sido herdada dos nossos antepassados, para que a mãe pudesse reconhecer o cheiro de seu próprio bebê ao nascer.

Outros curiosos transtornos perceptivos relacionados com o olfato

A disosmia é um transtorno neurológico que causa uma alteração no sentido do olfato. Pode se manifestar em anosmia (como falamos anteriormente), parosmia ou fantosmia.

  • A parosmia remete a uma deterioração da função olfativa, que conduz à incapacidade do cérebro de identificar corretamente o cheiro natural ou intrínseco de algo particular. Por exemplo, uma pessoa acha o cheiro de uma rosa desagradável, enquanto costuma ser um cheiro agradável para o resto das pessoas.
  • A fantosmia é uma espécie de alucinação olfativa na qual as pessoas detectam cheiros que não existem ou que não estão próximos a elas. Este cheiro fantasma faz as pessoas pensarem sentir o cheiro de gás, acreditarem que há um vazamento e, portanto, encontram-se em uma situação de risco. Falamos de uma sugestão muito potente do cheiro.

O cheiro de fritura, por mais calórica que esta seja, não sacia o apetite. É necessária uma maior investigação científica sobre esse tipo de transtorno e, em particular, sobre a hiperosmia. Para poder diminuir seu impacto na vida das pessoas que a padecem, é fundamental determinar por que e como ela aparece.

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