Qual é a relação entre hiperventilação e ansiedade?

15 Outubro, 2020
Não é asma. Você se sente sufocado, os seus pulmões não respondem e o mundo inteiro está girando ao seu redor... Se você também já hiperventilou por causa da ansiedade, sabe como é. A seguir, apresentaremos algumas estratégias que você pode adotar nessas circunstâncias.

Falta de ar, coração acelerado, tontura, dormência, pressão no peito, medo… Hiperventilação e ansiedade estão diretamente relacionadas e, muitas vezes, causam muito medo. A falta de ar e o fato de não conseguir oxigênio para os pulmões é uma sensação aterrorizante e, por sua vez, um efeito direto desses distúrbios psicológicos. No entanto, nem sempre estamos cientes deste último.

Nem todo mundo associa essa sensação repentina de asfixia a um problema de ansiedade. O mais comum é pensar que se trata de um quadro de asma ou qualquer outro problema cardiorrespiratório. Porém, quando vai ao pronto-socorro e qualquer fator físico ou orgânico é descartado, a pessoa fica confusa. Como a ansiedade pode se manifestar de maneira tão dolorosa?

Esquecemos, talvez, que esse mecanismo de antecipação diante dos estímulos externos e internos está diretamente relacionado à respiração. A prioridade, diante de uma situação de ansiedade, é reagir a ela; para facilitar isso, o coração acelera e a quantidade de oxigênio recebida pelos músculos aumenta. O objetivo é simples: agir ou escapar do “leão”.

A hiperventilação não é uma doença. Também não é grave e não vamos perder a vida por isso. É um efeito da própria ansiedade e geralmente se manifesta nos transtornos de pânico. Vamos analisá-los a seguir.

Homem nervoso no trabalho

Hiperventilação e ansiedade: sintomas, características e como lidar

A ansiedade é uma das condições clínicas com mais sintomas físicos. Estudos como os realizados na University of Health Sciences, da Chicago Medical School, indicam que, em média, a alta sensibilidade à ansiedade é um fator de risco para ataques de pânico e, com eles, a hiperventilação.

Agora, é importante observar que a falta de ar também pode estar relacionada a outros distúrbios que vão além dos fatores emocionais. A asma, enfisema ou outras doenças pulmonares podem explicar essa súbita dificuldade para respirar normalmente. Em qualquer caso, é melhor ter sempre um diagnóstico médico.

Por que podemos hiperventilar quando sofremos de ansiedade?

A hiperventilação se desencadeia quando a respiração está acima das necessidades do corpo. Isso acontece, como bem podemos imaginar, quando nos deparamos com situações estressantes ou quando a ansiedade atinge um nível alto e incontrolável. Não percebemos que estamos respirando muito rápido e então ocorre uma descompensação. É um desequilíbrio que altera tudo.

  • Quando respiramos muito rápido, o equilíbrio entre O2 e CO2 é alterado.
  • Essa diminuição repentina de CO2 no sangue é vista pelo cérebro como uma ameaça.
  • O seu objetivo é estabilizar a situação reduzindo o mais rápido possível os níveis de O2 inspirado e CO2 expirado.
  • E como você consegue isso? Reduzindo a vontade de respirar. Ou seja, o cérebro envia uma ordem para que a respiração seja reduzida. Daí a sensação de sufocamento.
  • Enquanto estamos desesperados para respirar, o corpo reduz esse mecanismo, o que intensifica ainda mais o pânico e o desespero.

Embora seja verdade que a hiperventilação não é grave e que, até hoje, ninguém tenha perdido a vida por causa dela, são situações vividas com extremo pavor.

Hiperventilação e ansiedade: quais são os sintomas?

A hiperventilação e a ansiedade estão intimamente relacionadas. Quando nossa carga emocional está elevada, o corpo reage por meio de uma resposta fisiológica intensa.

No entanto, o mais complicado nessas situações é que a experiência de um ataque de pânico ou hiperventilação aumentam ainda mais o medo e a ansiedade. Geralmente, os sintomas associados a essas situações são os seguintes:

  • A hiperventilação causada pela ansiedade costuma durar 20 minutos.
  • Elevada tensão física e angústia emocional.
  • Sentimos que não conseguimos respirar, ficamos com falta de ar. Aos poucos, experimenta-se uma sensação maior de sufocamento.
  • O coração bate forte e acelerado.
  • Formigamento nas mãos, pernas e ao redor da boca.
  • Sensação de irrealidade, tontura, visão de túnel.
  • Suor excessivo.
  • Dor de cabeça e possibilidade de desmaios e perda de consciência.
Mulher hiperventilando

O que podemos fazer diante de um ataque de hiperventilação?

Quando falamos sobre hiperventilação e ansiedade, é comum imaginar quase que instantaneamente uma pessoa respirando em um saco de papel. Embora seja verdade que essa técnica atua como uma boa estratégia, é importante considerar outros aspectos antes.

  • A hiperventilação não é uma doença, é um sintoma, e devemos saber a origem. O primeiro passo é descartar fatores orgânicos.
  • Caso seja a ansiedade que gere essas crises, é importante esclarecer qual é o gatilho para esse estado de humor.
  • Nesses casos, tanto a terapia cognitivo-comportamental quanto a terapia racional emotiva, a terapia cognitiva orientada para soluções de hiperventilação e a EMDR (dessensibilização e reprocessamento pelos movimentos oculares) podem trazer bons resultados.
  • Por outro lado, durante os ataques de hiperventilação, é importante focar na respiração.
  • Se o fizermos de forma acelerada, a sensação de asfixia será maior. É preciso evitar que os pulmões absorvam oxigênio de forma acelerada.
  • Respirar com os lábios franzidos como se tivéssemos que apagar uma vela nos ajudará.
  • Também podemos tentar outra estratégia: cobrir uma narina e respirar com a outra. É uma maneira eficaz de respirar mais devagar.

Finalmente, sempre podemos recorrer ao saco de papel clássico. Consiste apenas em colocar a boca e o nariz dentro dele para conseguir uma respiração mais compassada e, com ela, equilibrar os níveis de CO2. Em todo caso, o mais importante é descobrir o que desencadeia essa ansiedade e tratá-la.

  • Donnell, C. D., & McNally, R. J. (1989). Anxiety sensitivity and history of panic as predictors of response to hyperventilation. Behaviour Research and Therapy27(4), 325–332. https://doi.org/10.1016/0005-7967(89)90002-8
  • Bass, C., Chambers, J. B., Kiff, P., Cooper, D., & Gardner, W. N. (1988). Panic anxiety and hyperventilation in patients with chest pain: a controlled study. QJM: An International Journal of Medicine69(3), 949-959.