Impotência aprendida: quando a vontade de lutar acaba

A impotência aprendida acaba com a vontade de lutar

15, janeiro 2017 em Emoções 1544 Compartilhados
A impotência aprendida acaba com a vontade de lutar

Os seres humanos aprendem que não podem fazer nada diante de certas situações, e por isso não agem com a pretensão de mudá-las. Esta impotência perante o que acontece pode ter vários pontos de partida ou agentes que contribuem para mantê-la, como o medo, a falta de comprometimento ou a baixa autoestima.

O conceito de impotência aprendida na psicologia está associado principalmente a um nome, o de Martin Seligman. Este popular psicólogo e pesquisador realizou várias experiências com animais, nos quais dava descargas elétricas desagradáveis.

Às vezes lhes dava a possibilidade de evitá-las acionando outra alavanca, e outras vezes elas eram independentes do que fizessem. Pois bem, os animais que aprenderam que não havia ligação entre a alavanca e as descargas deixaram de agir.

A impotência leva ao desespero

Continuando com a experiência de Seligman, podemos afirmar que as alterações dos hábitos dos animais estão relacionadas com a falta de percepção de contingência entre suas atitudes e o resultado. Para estes animais, o dano havia se tornado incontrolável, e portanto eles se acostumaram a sofrê-lo.

Esta mesma pesquisa foi feita com seres humanos para verificar se acontecia algo semelhante. A perda de controle sobre o ambiente ou a expectativa de descontrole aparecem quando a pessoa realizou várias ações para sair de uma situação e não conseguiu. A pessoa sofre um desgaste e chega um momento no qual as forças se esgotam e ela diz para si mesma “se tiver que ser, será”.

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Contudo, isto não acaba aí. Esse sentimento de abandono costuma acontecer em outras situações, já que a percepção de controle fica muito alterada. O pensamento é claro: se não posso mudar nada, para que agir?

Se chegamos à conclusão de que o problema está em nosso próprio interior, automaticamente a autoestima diminui. Mas se a situação é resultado de um fator externo, perdemos o controle e ficamos deprimidos. Agora, a depressão é um fator emocional que se desenvolve somente quando o descontrole se refere a alguma coisa que almejamos ou desejamos muito.

Uma teoria complementar à estabelecida inicialmente por Seligman aponta que o estado depressivo se deve à falta de esperança de melhorar ou mudar essa situação específica. Se temos uma expectativa negativa sobre esse acontecimento importante, e além disso não há nada que se possa fazer a respeito, perdemos as esperanças. Então, torna-se muito difícil poder modificar esse sentimento. E isso provoca muita dor.

A impotência aprendida no dia a dia

Mais além de falar de teorias ou conceitos da psicologia, é bom saber quais são as chances de passar por este problema para poder solucioná-lo. A impotência aprendida é um processo mental e emocional que nos leva a agir de determinada forma baseada nos estímulos ou experiências passadas.

Ela costuma estar muito presente naquelas pessoas que foram criadas sob um regime muito autoritário, com castigos frequentes e poucas recompensas. Quando somos repreendidos constantemente e independentemente do que fizermos, paramos de responder. Isso também acontece quando estas recompensas existem, mas são independentes do que fizermos. Por isso a importância dos prêmios e do momento de oferecê-los quando estamos educando alguém.

“Para que vou procurar melhorar as minhas notas se meu pai vai brigar comigo do mesmo jeito?” Pode ser um exemplo claro deste problema que começa na infância e se mantém na etapa adulta.

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O que acontece quando as circunstâncias mudam e estamos diante de alguém que não bate, castiga ou repreende? Se a impotência já estiver demasiadamente instaurada na mente, será muito difícil agir de outra forma que não seja a aprendida. Para uma ação, existe sempre uma reação. A boa notícia é que mudar este hábito pode levar tempo, mas não é impossível.

A impotência à flor da pele

Ter um chefe que torna a vida impossível, ser incomodado todos os dias na escola, ter uma sogra ou um pai muito autoritário são algumas das situações frequentes nas quais a pessoa pode desenvolver ou reforçar a sua impotência aprendida. O fato de não se defender diante das injustiças, das pancadas ou das palavras não significa ser fraco ou tímido, e sim não poder ou não saber como enfrentá-las.

Se desde pequena a pessoa foi mal tratada em casa ou na escola ou se esteve sob atos de violência física ou psíquica, é mais provável que não se defenda, que esteja deprimida e sem esperanças. Mas isto não acontece apenas em casa ou no âmbito acadêmico e durante a infância: também está presente no mundo profissional e no pessoal, como por exemplo, no casal.

É muito comum que alguém impotente diga “esta é a sorte que eu tirei e não importa o que eu faça, porque nada irá mudar”. Desta forma, a pessoa deixa de lutar pelos direitos, pela integridade e pelo orgulho. Pensar que não temos a possibilidade de melhorar uma situação e que somos vulneráveis sem remédio nos transforma em seres passivos e conformistas.

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Se você sente que tem uma certa predisposição a ter esta impotência aprendida, o melhor é consultar um especialista. Pouco a pouco e trabalhando aspectos como a autoestima ou a resiliência, você poderá educar novamente o seu pensamento para resistir e encontrar soluções para aquelas situações mais complexas ou que demandam muita paciência.

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