Inteligência colaborativa: saber pensar com pessoas que pensam diferente

fevereiro 22, 2020
Em um mundo cada vez mais competitivo e individualista, saber aplicar uma mentalidade de colaboração nos ajudaria muito mais como sociedade. Diante dos desafios que nos aguardam, é essencial aprender a pensar junto para dar forma a um futuro melhor.

A inteligência colaborativa oferece um poder transformador ao ser humano. Este tipo de competência ocorre quando as pessoas são capazes de compartilhar ideias, pensamentos e focos com um fim específico: o bem comum. Muitos consideram que este tipo de investimento mental é o que as empresas, as instituições ou qualquer cenário social da nossa atualidade mais precisam.

Trabalhar e pensar em metas em comum de forma conjunta é algo inspirador. No entanto, temos que admitir: nem sempre é algo fácil de ser alcançado.

Trabalhar em equipe, por exemplo, traz dificuldades e desavenças. Isso porque ninguém nos ensinou como desenvolver uma mentalidade de colaboração, como mobilizar recursos internos como a criatividade, a motivação e o entusiasmo com os outros, alcançando uma harmonia conjunta na qual todos saem ganhando.

Entretanto, querendo ou não, este é o segredo do futuro. Precisamos não apenas de empresas e companhias mais inteligentes, mas é essencial contar com grupos de pessoas capazes de trabalhar juntas sem egos, sem atritos e desativando esse pensamento rígido que costuma impor barreiras par alcançar o progresso e o bem-estar.

Avançamos em direção a um presente e um futuro cada vez mais complexos, nos quais precisaremos sintonizar esforços e recursos em uma mesma direção. Mas como alcançar isso? Sem dúvida, a inteligência colaborativa poderia ser o melhor caminho.

“Ninguém sabe tudo, todos sabem algo, todo conhecimento reside na humanidade”.
-Pierre Lévy-

As conexões da mente humana

Os pilares da inteligência colaborativa

A inteligência coletiva, ou a mentalidade de colaboração, é um tema que tem interessado bastante a psicologia, a sociologia e o mundo empresarial. Além disso, o campo da biologia estuda esse conceito há séculos ao observar o microuniverso das bactérias e, é claro, outros universos que podem ser mais próximos e visíveis para nós.

Por exemplo, o comportamento coletivo dos animais é, sem dúvida, o mais chamativo de todos. Pensemos nos grupos de pássaros voando em uma mesma direção, perfeitamente sincronizados. Observemos também um cardume de peixes, um grupo de krills, um grupo de golfinhos e, obviamente, uma comunidade de formigas que vive uma vida paralela à nossa em qualquer jardim ou parque de nossas cidades.

O que faz com que todas estas espécies ajam de maneira simbiótica? Será que é pura e simplesmente por sobrevivência? A Dra. Dawna Marcova, especialista em processos de aprendizagem, liderança e talento do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos apresenta em seu livro, Inteligência Coletiva, aspectos de grande relevância que deveríamos levar em consideração.

Aprender a pensar com pessoas que pensam diferente

Um dos princípios da inteligência coletiva é saber estar e dar nosso apoio em um ambiente onde outras pessoas pensam diferente. Pois bem, nem sempre é fácil conseguir fazer isso pois, segundo a doutora Marcova, estamos acostumados a viver nos abismos da nossa própria individualidade.

Podemos afirmar, sem equívocos, que fomos ensinados a ser mais competitivos do que colaborativos. Isso implica não aceitar a opinião dos outros, ver o outro como inimigo e achar que devemos superá-los em competições e ultrapassá-los para alcançar uma meta.

Aonde chegamos agindo de forma individualista e competitiva? Obviamente a lugar nenhum.

Se aproveitarmos nosso talento criando uma mentalidade de colaboração, certamente as coisas mudarão. Porque dois pensam melhor do que um. Às vezes, ao pensar diferente unimos nossas visões particulares criando algo maior e inspirador.

A diversidade intelectual, portanto, é permitir que nossos pontos fortes surjam em um cenário coletivo, no qual todas as forças individuais trabalham em harmonia.

Alinhe sua intenção com a intenção dos outros

Os talentos que compartilham um objetivo comum nos permitem chegar mais longe. Algo tão inspirador como alinhar nossa intenção com a dos outros deveria ser, sem dúvida, nossa motivação cotidiana.

No entanto, somos conscientes de que é algo muito difícil de ser alcançado, pois estamos cercados de pessoas que buscam ser “as mais inteligentes da classe”, “as que pensam mais”, “as que sabem mais”, “que querem chegar mais longe, passando por cima de todo mundo”.

Por isso, uma das bases da inteligência coletiva é a de buscar mudanças. É o momento de estabelecer condições nas quais possamos desenvolver este tipo de competência. Veremos como.

“Os problemas importantes que enfrentamos não podem ser resolvidos com o mesmo nível de pensamento que tínhamos quando os criamos.”
-Albert Einstein-

Trabalho em equipe

Segredos da inteligência colaborativa

José Ortega y Gasset dizia que “uma civilização só se mantém erguida quando muitos dão sua colaboração ao esforço. Por outro lado, se todos preferem gozar do fruto, a civilização se afunda”. Estas palavras têm mais relevância do que nunca, porque se há algo que necessitamos diante dos desafios que nos apresentam, é de mentes brilhantes que saibam trabalhar de forma colaborativa.

Ou seja, cada um deve contribuir com sua excelência, sua criatividade, experiência e visão particular ao grupo, para criar assim uma entidade muito maior, centrada em um mesmo fim, o do progresso, do bem-estar comum. No entanto, quais são os mecanismos a serem alcançados? Estes seriam os segredos:

  • Disposição, vontade e motivação para compartilhar conhecimentos e recursos;
  • Criar espaços colaborativos tanto físicos quanto virtuais;
  • Saber criar uma confiança adequada com os demais, onde não exista competição, orgulho ou controle;
  • Grupos baseados na horizontalidade e não na verticalidade;
  • É essencial compreender as dinâmicas de um grupo (saber se comunicar, solucionar problemas, etc.);
  • Estar sempre aberto a novas ideias;
  • Dispor de ferramentas adequadas (espaços físicos, formação e também espaços virtuais onde a comunicação seja constante).

Por fim, outro elemento necessário para a inteligência colaborativa é a atitude. Uma atitude comprometida com a mudança, onde pese menos o individualismo e mais a visão de grupo, de uma comunidade que sabe avançar para um melhor progresso.

  • Markova, Dawna (2015) Collaborative Intelligence: Thinking with People Who Think Differently. Spiegel & Grau 
  • Tapscott, D. y Williams, AD (2008). Cómo la colaboración masiva lo cambia todo EEUU. Penguin Group