A inveja caminha lado a lado com a crítica

· dezembro 16, 2016

A inveja é considerada um dos sete pecados capitais e, normalmente, caminha lado a lado com a crítica destrutiva do invejoso. Ela é muito destrutiva para quem sente e para quem é invejado, essa emoção é tão comum como prejudicial e muitas vezes pode vir mascarada por declarações superficiais.

A inveja de alguém precisa de tempo e detalhes para ser descoberta, uma vez que não é um sentimento aprovado socialmente (além da alegação de “inveja branca” como sinônimo de admiração). A inveja atua silenciosamente, vai crescendo ao longo do tempo e pode levar as pessoas a se alegrarem com as dificuldades dos outros.

No entanto, às vezes ela aparece disfarçada e vem carregada de reprovações ou agrados que nem sempre são compreendidos pelo invejado. Isto acontece porque a sua expressão aparece dissimulada sob estas formas confusas de reprovações e críticas fáceis e destrutivas.

A inveja nasce do desejo

A inveja nos leva a desejar algo que não é nosso e sentir tristeza pelo bem dos outros. Infelizmente, além disso, é um sentimento relativamente popular que faz com que a pessoa se torne mesquinha. Por outro lado, podemos dizer que não só acontece com as pessoas “inatingíveis”, mas também em relação às pessoas próximas.

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“Tudo o que faço e tudo o que eu deixo de fazer é motivado por um desejo, independentemente de que eu o identifique ou não”.
-Jorge Bucay-

Esta sensação muito desagradável ocorre principalmente por duas tendências humanas: querer o que você não têm e se comparar continuamente com as pessoas ao seu redor. Portanto, a inveja nasce do desejo e o invejoso não consegue ser empático.

Além disso, as reações negativas que ocorrem dentro do invejoso podem levá-lo ao isolamento ou a ter dificuldades para se relacionar. Definitivamente, o invejoso não consegue se colocar no lugar do outro, alegrar-se por ele e cultivar uma relação saudável com a pessoa.

Um dos sentimentos mais terríveis

A inveja se mistura com muitos outros sentimentos contraditórios: admiração, frustração, raiva, desconforto, etc. Normalmente também ocorre entre familiares, amigos, colegas de trabalho, são as pessoas que estão mais próximas do invejoso.

Por estas duas razões, podemos dizer que este é um dos sentimentos mais venenosos. Podemos sentir inveja do prestígio, do dinheiro, da saúde, do sucesso emocional, da área profissional, etc. Por tudo isso, a crítica é uma forma de desabafo.

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É uma crítica recorrente que não tem nenhum objetivo claro, senão alimentar a autocompaixão e muitas vezes prejudicar o outro. A inveja pode causar difamações, insultos ou mentiras porque não consegue aceitar a realidade.

“A inveja é mil vezes mais terrível do que a fome, porque é fome espiritual”.
-Miguel De Unamuno-

Olhe para si mesmo antes de criticar o outro

O julgamento maldoso que decorre da inveja é o resultado da apatia e infelicidade com a própria vida: a inveja reflete o que nos falta, o inconformismo e a autorrejeição. É um sentimento que fala da insatisfação que não conseguimos reconhecer.

Não é uma questão de se conformar ou de não buscar a superação pessoal, mas uma das melhores maneiras de canalizar a inveja é usá-la como motivação. Em outras palavras, que os sucessos dos outros sejam a faísca que nos desperte e nos faça seguir em frente.

A crítica nada mais é do que o orgulho disfarçado.

Uma alma sincera consigo mesma nunca se rebaixará para a crítica.

A crítica é o câncer do coração.”

-Madre Teresa de Calcutá-

Olhar para si mesmo antes de falar do outro com inveja nos permite reconhecer o que precisamos mudar ou perceber quais são os nossos desejos. A partir disso, fica mais fácil direcionar nossas ações para alcançar os nossos objetivos e lutar com coragem, não com ódio.