Jejum, uma prática espiritual

· setembro 11, 2016

O jejum é uma prática que existe desde tempos imemoriais em quase todas as culturas. No começo era realizado basicamente por motivos sagrados. Jejuava-se coletivamente, em certas épocas do ano, com a finalidade de fazer uma homenagem à Deus para que fosse concedida alguma graça. De fato, hoje em dia esse espírito ainda está presente em práticas como a Quaresma católica ou o Ramadã dos muçulmanos.

A verdade é que, com o tempo, foi descoberto que o jejum pode trazer grandes benefícios tanto para o corpo quanto para a mente. Desde várias perspectivas médicas a prática é abordada como um exercício que permite desintoxicar o corpo e contribuir para a cura de diferentes doenças. Jejuar beneficia a mente e o espírito, portanto exige uma mistura de vontade e renúncia.

Jejuar é um ato de austeridade voluntária. Por isso, fortalece a mente e contribui para aumentar a capacidade de concentração. De alguma maneira, deixa mais livre a mente para que possa focar-se no conhecimento e no reconhecimento de si mesmo. É uma prova de vontade que, em todo caso, não deve ser levada ao ponto de violentar o organismo ou a mente.

O jejum e o poder de renunciar

Ainda que nossa sociedade dê uma grande ênfase para que desenvolvamos todos os nossos potenciais visando o ter, a verdade é que pode ser preciso mais capacidades para renunciar. Algumas filosofias insistem no fato de que quanto mais as pessoas têm, menos livres elas são. Suas mentes e seus corações ocupam-se dessas posses materiais e espirituais, e ao invés de colocá-las a seu serviço, terminam prendendo-se irremediavelmente a elas.

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Dizem que “rico não é o que tem mais, mas sim o que precisa de menos”. Isso é verdade, na medida que a necessidade nos impõe uma perspectiva de carência, de vulnerabilidade. E é claro que muito do que necessitamos responde mais a uma imposição do mercado e da sociedade do que a uma carência verdadeira. No entanto, esquecemos ou ignoramos isso com muita frequência, e por isso muitos de nós nos convertemos em “compradores crônicos”.

O jejum nos lembra que temos o poder de renunciar, inclusive a algo tão fundamental como a comida. Privar-nos voluntariamente do alimento nos permite entrar numa nova perspectiva. É uma prática que nos obriga a voltar os olhos sobre nós mesmos, a perceber com maior nitidez os sinais que nosso corpo envia e a identificar as emoções que nos acompanham. As pessoas adeptas dessa prática afirmam que a percepção e a sensibilidade aumentam notavelmente durante os lapsos de abstinência.

O resultado desse tipo de prática, quando feita de maneira correta, é muito benéfica para o mundo emocional. Experimenta-se um maior poder sobre si mesmo e isso aumenta a confiança e a autoestima. Uma sensação de bem-estar se produz pelo êxito alcançado e desenvolve-se a tolerância em relação à frustração. Quem jejua costuma ser mais tranquilo, equilibrado e sensível consigo mesmo.

O jejum e a saúde

Um dos cientistas que investigou a fundo os benefícios do jejum é Mark Mattson, chefe do laboratório de neurociência do Reino Unido. Seus estudos permitiram concluir que o jejum é uma prática saudável, que favorece de maneira notória o cuidado do cérebro.

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Para Mattson, a prática regular do jejum prolonga a expectativa de vida e reduz a velocidade degenerativa dos neurônios em doenças como Alzheimer ou Parkinson. Além disso, reduz os processos oxidativos em todos os órgãos do corpo e atrasa a aparição de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento.

Mas isso não é tudo. Jejuar também aumenta as habilidades cognitivas e promove a capacidade dos neurônios para estabelecer e manter conexões entre eles. Isso se reflete no aumento da habilidade de aprendizado e no crescimento da memória. Mattson afirma que o jejum oferece benefícios similares aos do exercício físico e mental e que o recomendável é praticá-lo uma ou duas vezes por semana.

Mesmo assim, os investigadores do Instituto do Coração do Centro Médico Intermountain, em Utah, Estados Unidos, indicaram que o jejum reduz os riscos do aparecimento de doenças do coração e gera mudanças positivas nos níveis de colesterol. Dessa maneira, podemos ver que jejuar nos beneficia física e emocionalmente. No entanto, você não deve esquecer que esse tipo de prática deve ser realizada sob supervisão médica, especialmente se você sofre de alguma doença.

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