Lei de Yerkes-Dodson: a relação entre desempenho e excitação

março 19, 2019
A Lei Yerkes-Dodson sugere que o desempenho e a excitação estão diretamente relacionados e que, de fato, altos níveis de excitação podem, até certo ponto, melhorar o desempenho.

A lei de Yerkes-Dodson sugere que o desempenho e a excitação estão diretamente relacionados. Esta lei foi desenvolvida pelos psicólogos Robert M. Yerkes e John Dillingham Dodson em 1908.

A lei de Yerkes-Dodson determina que o desempenho aumenta com a excitação fisiológica ou mental, mas apenas até certo ponto. Quando os níveis de excitação se tornam muito altos, o desempenho diminui. De acordo com essa lei, a melhor maneira de aumentar a motivação e o desempenho é trabalhar com tarefas objetivas que nos permitam estar alertas.

Em seu experimento, Yerkes e Dodson descobriram que ratos poderiam ser motivados a completar um labirinto com leves choques elétricos. No entanto, quando os choques foram de maior grau, o nível de desempenho diminuiu e eles simplesmente correram com a intenção de escapar.

O experimento deixou claro que os níveis de excitação ajudaram a concentrar a atenção na tarefa em questão, mas apenas até um determinado ponto ideal.

Como funciona a lei de Yerkes-Dodson

Um exemplo de como a lei de Yerkes-Dodson funciona é a ansiedade sentida antes de uma prova. Um nível ideal de estresse pode ajudá-lo a se concentrar na prova e a se lembrar das informações. No entanto, muita ansiedade nos testes pode afetar a capacidade de concentração, o que faz com que seja mais difícil lembrar.

Outro grande exemplo de como funciona a lei de Yerkes-Dodson é o desempenho esportivo. Quando um atleta está pronto para fazer um movimento importante, um determinado nível ideal de excitação – liberação de adrenalina – pode melhorar seu desempenho e permitir que realize tal movimento. No entanto, quando o atleta está muito estressado, pode ser bloqueado ou se mover de maneira energética, mas não muito precisa.

Então, o que determina o nível ideal de excitação? Na verdade, não há uma resposta exata para essa questão, já que esse nível de excitação pode variar de uma tarefa para outra.

Como funciona a lei de Yerkes-Dodson

Por exemplo, sabe-se que os níveis de desempenho diminuem a partir de um nível mais baixo de ativação. Isso significa que, se você estiver executando uma tarefa relativamente simples, poderá lidar com uma faixa muito maior de níveis de ativação.

Tarefas simples, como fazer fotocópias ou realizar tarefas domésticas, são menos propensas a serem afetadas por níveis de ativação muito baixos ou muito altos. No entanto, na execução de tarefas muito mais complexas, o desempenho seria muito mais influenciado pelos baixos e altos níveis de ativação.

Se os níveis de excitação forem muito baixos, é possível sentir que há falta de energia para a realização do trabalho. Porém, os níveis de excitação muito altos podem ser igualmente problemáticos, resultando na dificuldade de se concentrar pelo tempo suficiente para completar a tarefa.

Modelo do U invertido

O processo descrito por Yerkes e Dodson geralmente é ilustrado graficamente como uma curva em forma de sino que aumenta e depois diminui com níveis mais altos de excitação. É por isso que a lei de Yerkes-Dodson também é conhecida como o modelo do U invertido.

Devido às diferenças nas tarefas, a forma da curva pode ser muito variável. Para tarefas simples ou bem aprendidas, a relação é linear e o desempenho melhora à medida que a excitação aumenta.

No entanto, para tarefas complexas, desconhecidas ou difíceis, a relação entre a excitação e o desempenho é revertida após um ponto, e o desempenho diminui à medida que a excitação aumenta.

Curva da lei de Yerkes-Dodson

A parte ascendente do U invertido pode ser considerada como o efeito energizante da excitação. A parte descendente é causada pelos efeitos negativos da excitação (ou estresse) nos processos cognitivos, como a atenção, a memória e a resolução de problemas.

De acordo com o modelo do U invertido, o desempenho máximo é alcançado quando as pessoas experimentam um nível moderado de pressão. Quando experimentam muita ou pouca pressão, seu desempenho diminui, às vezes de maneira significativa.

  • O lado esquerdo do gráfico mostra a situação em que as pessoas não têm desafios, em que não veem razão para trabalhar duro em uma tarefa, e correm o risco de abordar seu trabalho de maneira descuidada e desmotivada.
  • A metade do gráfico mostra onde se está trabalhando com a máxima eficiência, quando se está suficientemente motivado para trabalhar duro sem estar sobrecarregado.
  • O lado direito do gráfico mostra onde se começa a ceder à pressão, a ficar sobrecarregado.

Os quatro fatores influentes

O modelo de curva em U invertido é diferente de um indivíduo para outro, dependendo da situação. Na realidade, existem quatro fatores influentes que podem afetar essa curva, que são o nível de habilidade, a personalidade, o traço de ansiedade e a complexidade da tarefa.

O nível de habilidade de um indivíduo também afeta seu desempenho em determinada tarefa. Um indivíduo altamente treinado, que confia em sua habilidade, tem uma maior probabilidade de lidar bem com situações em que a pressão é alta, já que a pessoa pode confiar em suas respostas bem ensaiadas.

A personalidade de um indivíduo também afeta a maneira como ele lida com a pressão. Os psicólogos acreditam que os extrovertidos lidam melhor com a pressão do que os introvertidos. Por outro lado, os introvertidos têm um desempenho melhor na ausência de pressão.

Quanto ao traço de ansiedade, a confiança que uma pessoa tem em si mesma também afeta a maneira como lida com qualquer situação. É mais provável que uma pessoa mantenha a compostura sob pressão se a autoconfiança for alta e ela não questionar repetidamente suas próprias habilidades.

Por último, o nível de dificuldade da tarefa é outro fator que influencia o desempenho de um indivíduo. A dificuldade de fazer uma fotocópia não é a mesma de ter que escrever um relatório ou um ensaio. Em qualquer caso, o nível de complexidade de qualquer tarefa varia de uma pessoa para outra.

Os quatro fatores influentes na lei de Yerkes-Dodson

Comentários finais

Apesar de ter mais de um século de vida, a lei de Yerkes-Dodson é muito útil hoje em dia. De fato, continuam surgindo pesquisas nessa linha, especialmente para aplicá-la ao desempenho profissional e esportivo.

As pesquisas realizadas entre 1950 e 1980 confirmaram que existe uma correlação entre os altos níveis de estresse e a melhoria da motivação e do foco, embora não tenham estabelecido uma causa exata para a correlação.

Recentemente, em 2007, pesquisadores sugeriram que a correlação está relacionada à produção cerebral de hormônios do estresse que, quando medidos durante testes de desempenho de memória, demonstraram uma curva semelhante à do experimento de Yerkes-Dodson.

Além disso, a pesquisa mostrou uma correlação positiva com um bom desempenho da memória, o que sugere que esses hormônios também podem ser os responsáveis do efeito Yerkes-Dodson.

  • Anderson, K., Revelle, W., & Lynch, M. (1989). Caffeine, impulsivity, and memory scanning: A comparison of two explanations for the Yerkes-Dodson Effect. Motivation And Emotion13(1), 1-20. doi: 10.1007/bf00995541
  • Broadhurst, P. (1957). Emotionality and the Yerkes-Dodson Law. Journal Of Experimental Psychology54(5), 345-352. doi: 10.1037/h0049114
  • Lupien, S., Maheu, F., Tu, M., Fiocco, A., & Schramek, T. (2007). The effects of stress and stress hormones on human cognition: Implications for the field of brain and cognition. Brain And Cognition65(3), 209-237. doi: 10.1016/j.bandc.2007.02.007
  • Yerkes RM y Dodson JD (1908). “The relation of strength of stimulus to rapidity of habit-formation”. Journal of Comparative Neurology and Psychology. 18: 459–482. doi:10.1002/cne.920180503.